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09/02/2012 - 16h00

Historiador conta como foi o início do trio elétrico; leia trecho

da Livraria da Folha
Texto baseado em informações fornecidas pela editora da obra.

Em "Almanaque do Carnaval", o historiador André Diniz, autor de "Chalaça, o Amigo do Imperador" e "Almanaque do Samba", conta como a festa popular brasileira começou, conduzindo o leitor em uma viagem no tempo, até chegar às grandes folias da atualidade.

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Diniz também descreve a trajetória dos gêneros musicais identificados com a festa: o samba, a marchinha, o frevo e o axé. O leitor vai se deparar com canções, compositores e intérpretes que marcaram época.

Abaixo, leia um trecho do exemplar.

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Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu...

Divulgação
Livro faz viagem pela história até chegar às grandes folias atuais
Livro faz viagem pela história até chegar às grandes folias atuais

Varre, varre, varre Vassourinhas
varreu um dia as ruas da Bahia
abriu alas e caminhos pra depois passar
o trio de Armandinho, Dodô e Osmar (bis)
E o frevo que é pernambucano
sofreu ao chegar na Bahia
um toque, um sotaque baiano
pintou uma nova energia
Moraes Moreira, "Vassourinha elétrica"

Osmar era dono de uma oficina mecânica; Dodô era radiotécnico. Ambos eram músicos amadores, cultores do choro. São eles os pais do trio elétrico. Tudo começou uma semana antes do carnaval de 1950. Convidado a se apresentar na Bahia e depois no Rio de Janeiro, o Clube Carnavalesco Misto Vassourinhas do Recife levou centenas de foliões à praça do Campo Grande, em Salvador.

Conforme o frevo ia sendo apresentado, o número de pessoas interessadas em ouvir o gênero pernambucano ia aumentado. O desfile e o ritmo do frevo contagiaram também os amigos Dodô e Osmar, que decidiram fazer uma farra diferente no carnaval seguinte. Montaram com Temístocles Aragão a famosa Fobica, um Ford 1929 com alto-falantes em que se apresentava o frevo novo, ou frevo baiano, um ritmo tocado por um instrumento também construído por eles, o "pau elétrico", hoje conhecido como guitarra baiana. No domingo de carnaval de 1951, às quatro horas da tarde, aparecia no meio dos corsos que transitavam pela rua Chile o inusitado automóvel, acompanhado por um grupo de amigos que faziam a percussão e a animação. Como o habitual era o povo apenas assistir aos desfiles, sem necessariamente participar deles, o aparecimento da Fobica acompanhada de foliões entusiasmou os passantes com a nova proposta de brincar o carnaval.

Osmar Macedo, relembrando aquele dia que entrou para a história da música brasileira, relata o calor e a acolhida da multidão à novidade: "O dado pitoresco dessa história foi que quando subíamos a rua Chile, ao passar diante da praça Castro Alves, pedi ao motorista, um amigo nosso, Olegário Muriçoca, que parasse o carro para tocarmos ali, onde o espaço é mais amplo. Pedimos várias vezes a Olegário que parasse e ele nada de fazer. Já furiosos, eu e Dodô esbravejamos, então Olegário respondeu que já havia tempo a Fobica estava quebrada, havia queimado o disco de embreagem, estava sem freio e com o motor desligado. O carro andava empurrado pelo povo. Este fato ilustra bem como essa maneira de brincar ao som do trio elétrico e de segui-lo é coisa mesmo do povo; não foi ninguém que orientou ou disse como fazer..."

Com o tempo, a pequena Fobica transformou-se em grandes "caminhões- shows" de alta potência sonora. Caetano Veloso, ardoroso defensor da musicalidade da Bahia em suas múltiplas formas, compôs em 1969 um frevo de tempero baiano que popularizou o formato do trio elétrico de Dodô e Osmar: "Atrás do trio elétrico/só não vai quem já morreu/ quem já botou pra rachar/ aprendeu, que é do outro lado/ do lado de lá do lado/ que é lá do lado de lá/.../ nem quero saber se o diabo nasceu/ foi na Bahia/ o trio elétrico/o sol rompeu/ no meio-dia/ no meio-dia..."

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"Almanaque do Carnaval"
Autor: André Diniz
Editora: Zahar
Páginas: 272
Quanto: R$ 40,80 (preço promocional*)
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques. Não cumulativo com outras promoções da Livraria da Folha. Em caso de alteração, prevalece o valor apresentado na página do produto.