da Livraria da Folha
Texto baseado em informações fornecidas pela editora da obra.
Em "Almanaque do Carnaval", o historiador André Diniz, autor de "Chalaça, o Amigo do Imperador" e "Almanaque do Samba", conta como a festa popular brasileira começou, conduzindo o leitor em uma viagem no tempo, até chegar às grandes folias da atualidade.
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Diniz também descreve a trajetória dos gêneros musicais identificados com a festa: o samba, a marchinha, o frevo e o axé. O leitor vai se deparar com canções, compositores e intérpretes que marcaram época.
Abaixo, leia um trecho do exemplar.
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Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu...
| Divulgação |
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| Livro faz viagem pela história até chegar às grandes folias atuais |
Varre, varre, varre Vassourinhas
varreu um dia as ruas da Bahia
abriu alas e caminhos pra depois passar
o trio de Armandinho, Dodô e Osmar (bis)
E o frevo que é pernambucano
sofreu ao chegar na Bahia
um toque, um sotaque baiano
pintou uma nova energia
Moraes Moreira, "Vassourinha elétrica"
Osmar era dono de uma oficina mecânica; Dodô era radiotécnico. Ambos eram músicos amadores, cultores do choro. São eles os pais do trio elétrico. Tudo começou uma semana antes do carnaval de 1950. Convidado a se apresentar na Bahia e depois no Rio de Janeiro, o Clube Carnavalesco Misto Vassourinhas do Recife levou centenas de foliões à praça do Campo Grande, em Salvador.
Conforme o frevo ia sendo apresentado, o número de pessoas interessadas em ouvir o gênero pernambucano ia aumentado. O desfile e o ritmo do frevo contagiaram também os amigos Dodô e Osmar, que decidiram fazer uma farra diferente no carnaval seguinte. Montaram com Temístocles Aragão a famosa Fobica, um Ford 1929 com alto-falantes em que se apresentava o frevo novo, ou frevo baiano, um ritmo tocado por um instrumento também construído por eles, o "pau elétrico", hoje conhecido como guitarra baiana. No domingo de carnaval de 1951, às quatro horas da tarde, aparecia no meio dos corsos que transitavam pela rua Chile o inusitado automóvel, acompanhado por um grupo de amigos que faziam a percussão e a animação. Como o habitual era o povo apenas assistir aos desfiles, sem necessariamente participar deles, o aparecimento da Fobica acompanhada de foliões entusiasmou os passantes com a nova proposta de brincar o carnaval.
Osmar Macedo, relembrando aquele dia que entrou para a história da música brasileira, relata o calor e a acolhida da multidão à novidade: "O dado pitoresco dessa história foi que quando subíamos a rua Chile, ao passar diante da praça Castro Alves, pedi ao motorista, um amigo nosso, Olegário Muriçoca, que parasse o carro para tocarmos ali, onde o espaço é mais amplo. Pedimos várias vezes a Olegário que parasse e ele nada de fazer. Já furiosos, eu e Dodô esbravejamos, então Olegário respondeu que já havia tempo a Fobica estava quebrada, havia queimado o disco de embreagem, estava sem freio e com o motor desligado. O carro andava empurrado pelo povo. Este fato ilustra bem como essa maneira de brincar ao som do trio elétrico e de segui-lo é coisa mesmo do povo; não foi ninguém que orientou ou disse como fazer..."
Com o tempo, a pequena Fobica transformou-se em grandes "caminhões- shows" de alta potência sonora. Caetano Veloso, ardoroso defensor da musicalidade da Bahia em suas múltiplas formas, compôs em 1969 um frevo de tempero baiano que popularizou o formato do trio elétrico de Dodô e Osmar: "Atrás do trio elétrico/só não vai quem já morreu/ quem já botou pra rachar/ aprendeu, que é do outro lado/ do lado de lá do lado/ que é lá do lado de lá/.../ nem quero saber se o diabo nasceu/ foi na Bahia/ o trio elétrico/o sol rompeu/ no meio-dia/ no meio-dia..."
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"Almanaque do Carnaval"
Autor: André Diniz
Editora: Zahar
Páginas: 272
Quanto: R$ 40,80 (preço promocional*)
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha
* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques. Não cumulativo com outras promoções da Livraria da Folha. Em caso de alteração, prevalece o valor apresentado na página do produto.
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