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19/08/2015 - 18h27

Livro conta a história da maconha no Brasil; leia trecho

da Livraria da Folha

Divulgação/Divulgação
Livro narra a presença da maconha no país desde antes da Independência
Livro narra a presença da maconha no país desde antes da Independência

A presença da maconha no Brasil não é um fato novo. Pelo contrário, segundo o livro "História da Maconha no Brasil", de Jean Marcel Carvalho França, data de 1770, aproximadamente, quando o vice-rei de Portugal ordenou que se cultivasse o cânhamo na então colônia para a produção de cordas e velas navais.

O empreendimento não deu certo, mas foi o responsável por prosperar o cultivo da planta para uso recreativo - aqui introduzido por marinheiros portugueses, conhecedores e consumidores da erva proveniente da Índia, e por escravos africanos, herdeiros do gosto pelo haxixe dos povos da Península Arábica.

O título do selo Três Estrelas narra os caminhos percorridos pela Cannabis sativa no país até os dias de hoje, quando se discute a descriminalização dos usuários e os possíveis benefícios que tal ação resultaria na economia do país e no combato ao tráfico.

No trecho abaixo, o autor relata que, na década de 90, uma reportagem publicada na revista "Veja" já dava indícios de que a maconha não era mais tratada como uma "ameaça à sociedade". Confira:

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Canabismo, um hábito economicamente viável

Em 1995, a revista Veja, em reportagem intitulada "A estratégia número 2 contra a droga", constatava, em tom fatalista e levemente melancólico, que, "depois de muitos sacrifícios em dinheiro e em vidas, a política de reprimir as drogas pela força policial e judiciária" só tinha "fracassos a contabilizar". Todos os dados pareciam sugerir "a necessidade de mudar a estratégia de combate ao uso e ao tráfico de entorpecentes". A matéria anunciava um sentimento que se alastrava rapidamente pela opinião pública mundial e, mais recentemente, pela brasileira: a de que a "guerra às drogas", lançada mundialmente por Richard Nixon e reforçada na década de 1980 por Ronald Reagan, atingira o seu limite e que fortunas haviam sido despendidas com resultados pífios e mesmo negativos para as sociedades que se engajaram na inglória batalha - como a vertiginosa vinculação, decorrente da repressão sistemática ao tráfico ilegal, entre drogas, violência e crime. Para mais, a tolerância social com as drogas, sobretudo com a maconha, crescera enormemente no país.

Já estavam distantes aqueles dias em que a imagem de um jovem "maconheiro" gerava pânico nas famílias, alerta nas escolas e repúdio das autoridades; como explicava a matéria, os juristas ouvidos pela revista eram unânimes em dizer que a "Justiça condena aquilo que é reprovado pela sociedade" e que o consumo da maconha não era mais tão "recriminado pelas pessoas", o que estava levando os magistrados a serem razoavelmente tolerantes com os usuários. Diante de tamanha tolerância, por um lado, e de não menor derrocada da política proibicionista, por outro, os "ventos mudaram" e, informa a reportagem, embora a "opinião pública ainda seja majoritariamente contra a legalização, armou-se um debate com vários países e personalidades inesperadas, pessoas de grande projeção, pularam para o outro lado da cerca".

As personalidades que mudaram de lado e gradativamente levavam consigo largas parcelas da opinião pública partiam do que estava à vista de todos: a guerra contra as drogas estava perdida, e outra abordagem impunha-se. Não era somente o aumento dos gastos com o combate, sem a concomitante diminuição do consumo de drogas, que tornava a derrocada evidente. A tal guerra criara grandes circuitos internacionais para a droga, tornara o seu mercado mais e mais atrativo, transformara o tráfico em um negócio arriscado e extremamente violento, multiplicara exponencialmente a população carcerária de muitos países, ampliara a corrupção nos meios policiais e jurídicos e lançara o consumidor, o pequeno traficante e uma dezena de outros envolvidos direta ou indiretamente com a droga no famigerado "mundo do crime".

A droga, em suma, não era em si uma ameaça para a sociedade, constatavam os agora partidários da descriminalização, a ameaça vinha da estreita convivência do usuário, sobretudo dos jovens usuários, com o crime e da criação de "um submundo de marginais" ricos e poderosos que ameaçavam a estabilidade das instituições.

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"HISTÓRIA DA MACONHA NO BRASIL"
AUTOR Jean Marcel Carvalho França
EDITORA Três Estrelas
QUANTO R$ 24,90 (preço promocional*)

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques.

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