Saltar para o conteúdo principal
 
28/03/2016 - 16h51

Leia trecho de 'A Palavra do Estrategista', do economista que previu ruína do Brasil

da Livraria da Folha

Divulgação
Para o economista Felipe Miranda, cenário político atual dificulta a implementação de reformas estruturais
Para o economista Felipe Miranda, cenário político atual dificulta a implementação de reformas estruturais

Em "A Palavra do Estrategista", Felipe Miranda mostra como as consequências da maior crise econômica em quase um século no Brasil podem ser devastadoras para o seu patrimônio.

Manual de sobrevivência, o livro revela o que é necessário fazer para se proteger, apontando o caminho para gerar fortuna.

Para o economista que previu a ruína do país, o cenário político dificulta a implementação de reformas estruturais em favor do crescimento de longo prazo.

"Diante de quadro interno tão complicado, dificilmente ganharíamos muito no caso de um ciclo positivo da economia mundial. As mazelas domésticas nos impedem de aproveitar de ventos internacionais favoráveis. Temos nossas próprias amarras", opina no livro, publicado pela editora Escrituras.

Já em "O Fim do Brasil", ele apresenta uma alternativa à nova matriz econômica e oferece sugestões para que investidores e cidadãos comuns protejam seu patrimônio em tempos de crise.

Abaixo, leia um trecho do lançamento.

*

O bode expiatório moderno

No Brasil, até o passado é incerto. A frase, eternizada por Pedro Malan, resume nossa capacidade de alterar, subitamente, as regras do jogo.

A afirmação encaixa-se com precisão cirúrgica, por exemplo, na emblemática MP 579 (algoz do setor elétrico em 2012) e nas contingências, ressuscitadas periodicamente, do setor bancário relativas a modificações nos planos econômicos anteriores ao Real. A chamada "incerteza jurisdicional" foi sempre uma certeza por aqui. E ganhou contornos ainda mais problemáticos com o ensaio nacional-desenvolvimentista e a tentativa de se estabelecer um Capitalismo de Estado no primeiro governo Dilma.

Os fatos impuseram-se à ideologia. Para evitar O fim da História, na terminologia de Fukuyama, surgiu a antítese ortododoxa à tese desenvolvimentista: Joaquim Levy à frente do ministério da Fazenda.

Com um Chicago boy, no comando da economia, o segundo mandato de Dilma, supostamente, buscaria a preservação e a transparência das regras do jogo. Era a esperança inicial. Rapidamente, porém, o otimismo foi colocado em xeque.

O desrespeito aos contratos e ao arcabouço institucional manifestou-se uma vez mais. Quando todos achavam que havíamos superado as mazelas da intervenção governamental intempestiva e truculenta, nos últimos dias de 2014, o Governo baixou duas novas portarias. A primeira estabelecia uma nota de corte no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), de 450 pontos, para que os alunos pudessem ter acesso ao FIES (Financiamento estudantil com juros subsidiados).

Em paralelo, foi alterada a periodicidade da recompra dos créditos do FIES no ano. Em vez de repassar mensalmente os créditos às empresas, a portaria estendia o prazo para 45 dias. Dessa forma, para cada ano cheio, as companhias do setor passariam a receber por apenas oito meses, deixando descobertos os outros quatro, para crédito somente no ano seguinte. Ao mesmo tempo em que o governo anunciava, em cadeia nacional, seu novo lema "Brasil, Pátria Educadora", restringia o acesso ao crédito estudantil e impunha portarias recebidas com gostinho de quebra de contrato.

O setor educacional, até então incólume à espada de Dâmocles da intervenção governamental e queridinho dos investidores do Oiapoque ao Chuí (suas ações representaram as maiores valorizações da Bovespa em 2012 e 2013), passou a conviver com uma necessidade de capital de giro muito superior e totalmente inesperada. O último reduto perdeu o selo de porto seguro em Bolsa.

A queda das ações do setor beirou 60% - caso dos papéis da Ser Educacional - apenas em reação àquilo que batizei de MP 579, versão Pátria Educadora. A perplexidade foi tal que questionou-se, inclusive, a redação do texto. A edição do jornal Valor Econômico de 8 de janeiro, estava mesmo certa: "Inicialmente, o mercado avaliou até mesmo que teria havido um erro de redação das normas." Notícia ruim: não havia erro na redação.

A truculência na maneira de intervenção mostra que, infelizmente, não aprendemos. Nem mesmo as forças levyanas de Chicago foram capazes de impedir o excesso de intervenção e a mudanças destemperadas nas regras do jogo. A falsa sensação de que o passado poderia servir de guia foi abruptamente interrompida por uma única novidade. Anos e anos de informação reforçando o viés favorável ao investimento em ações do setor educacional foram quebrados pela chegada de uma nova medida.

*

A PALAVRA DO ESTRATEGISTA
AUTOR Felipe Miranda
EDITORA Escrituras
QUANTO R$ 33,90 (preço promocional *)

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques.

-

 
Voltar ao topo da página