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24/01/2013 - 15h15

Churchill apoiava o uso de gás venenoso contra 'incivilizados'

da Livraria da Folha

Não se iluda com o "Discurso do Rei", Winston Churchill foi fundamental na resistência britânica aos ataques nazistas, tanto moral quanto estratégico, por isso se tornou um herói para os ingleses. Porém, como a maioria dos europeus de sua época, se imaginava superior aos outros povos. Churchill apoiava o uso de gás venenoso contra os "incivilizados" e acreditava em superioridade de raça.

The AssociatedPress

O ponto de vista --civilizados e não civilizados--, compartilhado por quase toda a Europa, se fundamenta no pensamento iluminista de que se deveria levar a luz da civilização e da razão aos menos esclarecidos --ou seja, povos africanos, asiáticos e latino-americanos.

Foi esse o pensamento que fez a Europa dividir o planeta em colônias, período chamado nos livros didáticos de neocolonialismo. A "boa vontade" de iluminar os que viviam nas trevas disfarçava alguns benefícios econômicos que as colônias dariam em retribuição à benevolência dos iluminados pela razão.

O neocolonialismo foi um dos motivos --considerado como o mais importante por historiadores-- da eclosão da Primeira Guerra Mundial (1914-18) e da sua sequência anos mais tarde (1939-45). Na Primeira Guerra, o gás mostarda, um desses gases que deveriam causar o terror nos "incivilizados", levou pânico, dor e morte aos próprios europeus.

A América escapou dessa divisão planetária civilizatória, gostem ou não, graças aos Estados Unidos e a Doutrina Monroe. Eles também queriam algumas colônias, mas optaram por um modo mais sutil e eficiente.

Em "Os Filhos dos Dias", livro que conta a trajetória humana em forma de calendário, Eduardo Galeano relata dois discursos de Churchill no dia 24 de janeiro, data da morte do estadista britânico.

Divulgação
Porque somos feitos de átomos, mas também de histórias
Porque somos feitos de átomos, mas também de histórias

O primeiro deles, de 1919, declarou em uma de suas lições da arte da guerra no British Air Council: "Não consigo entender tantos melindres sobre o uso do gás. Estou muito a favor do uso do gás venenoso contra as tribos incivilizadas. Isso teria um bom efeito moral e difundiria um terror perdurável".

O segundo discurso lembrado por Galeano, de 1937, foi realizado na Palestine Royal Comission sobre história da humanidade. "Eu não admito que se tenha feito mal algum aos peles-vermelhas da América, nem aos negros da Austrália, quando uma raça mais forte, uma raça de qualidade, chegou e ocupou seu lugar."

No 16° livro de Galeano, o leitor encontra 365 textos sobre efemérides de todo o mundo. "A cada dia, nasce uma história. Porque somos feitos de átomos, mas também de histórias", escreve.

O uruguaio Eduardo Galeano é o autor de "As Veias Abertas da América Latina", título premiado que já vendeu milhões de exemplares no mundo todo. Quando o livro foi escrito, o continente passava por uma verdadeira "pandemia" ditatorial. O escritor e jornalista foi exilado, retornando a Montevidéu, sua cidade natal, apenas em 1985.

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"Os Filhos dos Dias"
Autor: Eduardo Galeano
Editora: L&PM Editores
Páginas: 432
Quanto: R$ 39,00 (preço promocional*)
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

Divulgação
O escritor uruguaio Eduardo Galeano
O escritor uruguaio Eduardo Galeano

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques. Não cumulativo com outras promoções da Livraria da Folha. Em caso de alteração, prevalece o valor apresentado na página do produto.

Texto baseado em informações fornecidas pela editora/distribuidora da obra.

 
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