da Livraria da Folha
| Divulgação |
|
| Autor realizou ampla pesquisa sobre vida e discografia dos cantores bregas brasileiros |
Caetano Veloso e Gal Costa considerados como exemplos de música brega. Antes que os fãs se revoltem com a classificação, Antonio Carlos Cabrera justifica:
"Há bandas de rock, grupos de samba, sertanejos e artistas aclamados de MPB que caem na tentação popular e abrem os braços ao bom e velho estilo brega, muitas vezes sem perceber que estão pisando em terreno pouco conhecido por eles", detalha Cabrera no capítulo "Brega ou Chique? Quando o preconceito é vencido".
Esses são alguns exemplos de incursões desses artistas no mundo brega. Em "Almanaque da Música Brega" (Matrix, 2007), o autor reúne as histórias e a discografia de praticamente todos os cantores/compositores da música brega brasileira --da década de 1970 à atualidade.
Trio Los Angeles, Sula Miranda, Nelson Ned, Gilliard, Placa Luminosa, entre outros cantores/compositores e grupos, são listados por Cabrera neste volume.
Ele não deixa de ressaltar que os programas de auditório são os "templos da música brega" e como eles faziam com que pessoas de regiões distantes do eixo Rio-São Paulo conhecessem o visual e as ideias de seus ídolos populares.
O "Almoço com as Estrelas" e o "Clube dos Artistas", ambos apresentados pelo casal Airton Rodrigues e Lolita Rodrigues, tornaram-se os mais representativos desse gênero musical nos anos 1960, 1970 e 1980.
Em determinada parte do volume, Cabrera esclarece o que é brega e como classificamos de forma pejorativa o termo.
"Quando dizemos que determinado artista ou pessoa é brega, estamos avaliando não só seu trabalho ou aparência e forma como se expressa, mas também colocamos nossas frustrações sobre o que esperávamos daquela pessoa e a decepção por não ter encontrado ali a resposta aos nossos anseios. Sempre estamos procurando no artista um pouco dos nossos sonhos e fantasias, e quando percebemos que aquilo que desejamos não está incluído ali, rotulamos de forma pejorativa ou minizamos as qualidades da obra ou do intérprete".
Leia abaixo e entenda por que o autor lista Caetano Veloso e Gal Costa em seu almanaque.
*
Caetano Veloso
Longe de ser um cantor brega, Caetano sempre esteve à frente de tudo que havia de moderno nos anos 1970, e, desde então, adquiriu uma aura de intelectualidade e ousadia que o eximia de qualquer clichê. Talvez baseado nisso, aventurou-se sem maiores preocupações por terrenos movediços, como o funk carioca em "Tapinha" ("...um tapinha não dói..."), no disco "Noites do Norte - Ao Vivo", em 2001.
Já no início dos anos 1970, Caetano juntou-se a Odair José para uma apresentação no Festival Phono 73, onde cantaram juntos a música "Eu Vou Tirar Você Desse Lugar". A ousadia de Caetano foi recebida pelo público do festival com vaias.
Caetano voltaria a flertar com a música brega em 1982 com a canção de Peninha, "Sonhos", que fez parte de seu LP "Cores, Nomes". Ele voltaria a revisitar o repertório de Peninha em 1999 gravando a canção "Sozinho", talvez um dos maiores êxitos de vendagem da carreira de Caetano e do compositor Peninha.
Gal Costa
Maria da Graça Costa Penna Burgos nasceu em 26 de setembro de 1945, em Salvador, Bahia. Incentivada pelos pais, a jovem Gal desde cedo mostrou aptidão para a música. Na adolescência trabalhou em uma loja de discos, onde desenvolveu especial interesse pela bossa-nova, entre várias novidades que chegavam ao seu ouvido enquanto estava naquele emprego.
Nos anos 1960, travou contato com João Gilberto, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Maria Bethânia. Caetano, Gil e Bethânia formariam com Gal o quarteto "Os Doces Bárbaros".
Estreou como cantora no teatro Vila Velha, em Salvador, com o show "Nós, por exemplo".
Ao longo de mais de quarenta anos de carreira, lançou, entre LPs, compactos, CDs e coletâneas, mais de setenta discos em português.
No início dos anos 1980, gravou ao lado de Tim Maia a música "Um Dia de Domingo" ("...faz de conta que ainda é cedo / tudo vai ficar por conta da emoção..."), faixa composta pela dupla Sullivan-Massadas, do LP "Bem Bom", de 1985.
É exatamente essa canção que marca a fase menos Diva e mais popular de Gal, em discos como o já citado "Bem Bom, Profana" ou "Lua-de-mel como o Diabo Gosta", com letras e arranjos mais simples e sem a ousadia de fases anteriores. Outro exemplo é "Chuva de Prata" ("...chuva de prata que cai sem parar / quase me mata de tanto esperar..."), do LP "Profana", de 1984.
Felizmente, Gal passou por esse período e voltou a ser sinônimo de ousadia, com um repertório mais elaborado, sem concessões a "hitmakers" de refrões grudentos e de fácil assimilação.
*
"Almanaque da Música Brega"
Autor: Antonio Carlos Cabrera
Editora: Matrix
Páginas: 152
Quanto: R$ 9,90 (preço promocional, por tempo limitado)
Onde comprar: 0800-140090 ou na Livraria da Folha