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30/01/2012 - 09h00

Conheça a primeira escola de samba carioca, a Deixa Falar

da Livraria da Folha
Texto baseado em informações fornecidas pela editora da obra.

Embora tivesse a configuração de um bloco carnavalesco como qualquer outro, a Deixa Falar, organizada em 1928 (data fornecida pelo compositor Ismael Silva), foi chamada de escola de samba pelos seus fundadores por ter sido concebida pelos mestres do samba carioca.

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"Finalmente, em 1927 (sic), com Nascimento, Saturnino, Ismael Silva e muitos outros fundamos a Escola de Samba Deixa eu Falar, a primeira do Brasil. A designação escola de samba está associada à escola normal, que funcionava no Estácio, sendo os sambistas de fama então chamados de mestres ou professores. Surgiram depois as escolas de samba da Portela, Mangueira e Unidos da Tijuca", contaria Heitor dos Prazeres em uma entrevista para Muniz Sodré, da revista "Manchete", em 1966.

Divulgação
Foto de 1955 do compositor e sambista Ismael Silva, um dos criadores do bloco de carnaval Deixa Falar
Foto de 1955 do compositor e sambista Ismael Silva, um dos criadores do bloco de carnaval Deixa Falar

Escrito pelo jornalista Sérgio Cabral, o livro "Escolas de Samba do Rio de Janeiro", que contém o trecho acima, fala que, nessa época, a oficialização dos blocos, com sede e documentação, era uma maneira que os músicos viam de poder pular o carnaval sem serem incomodados pela polícia e organizar rodas em lugares públicos como a praça Onze.

De acordo com a obra, o primeiro samba da Deixa Falar a ser documentado foi publicado na edição de 9 de fevereiro de 1929 do jornal "A Crítica". "Lá no Estácio tem/Tem sim, meu bem/Uma mulata faceira/Trigueira e brejeira/Que não ama ninguém/A guapa melindrosa/Eu há tempos namorei/Porque vendo está mulata/Lá no Estácio de Sá/ Que encanta e me maltrata/Do Bloco Deixa Falar/Mas perdi toda a esperança/Porque a vi conversar/Com Francelino/Que é o bamba do lugar."

Além de Ismael Silva e Heitor dos Prazeres, entre os participantes da "escola" estava o compositor Alcebíades Barcelos, conhecido como Bide, considerado o inventor do surdo. O Deixa Falar foi o primeiro grupo a usar a batida ritmada do instrumento em suas performances, além de criar muitas nuances do carnaval como conhecemos hoje.

Em 1932, quando surgiram as escolas de samba de fato, em um desfile organizado só para elas a partir de uma promoção do jornal "Mundo Esportivo", o bloco preferiu passar para o status de rancho. O grupo acabou em 1933 por problemas administrativos.

Leia trecho do capítulo "Deixa Falar" de "Escolas de Samba do Rio de Janeiro".

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Apesar do fim nada glorioso, o Deixa Falar contribuiu extraordinariamente para o carnaval carioca e para a própria música popular brasileira. O título de escola de samba a que ele próprio se atribuía foi adotado pelos blocos carnavalescos que surgiam, espalhou-se pela cidade e deu início a uma nova forma de brincar o carnaval. O surdo e a cuíca, lançados por ele, tornaram-se indispensáveis na percussão do samba. O Deixa Falar deu a forma definitiva ao samba de carnaval, influenciando não só os chamados sambistas do morro como também os compositores profissionais, inclusive os mais destacados entre eles. Ari Barroso, por exemplo, iniciou a sua carreira lançando sambas, no estilo dos que eram feitos por Sinhô, mas aderiu imediatamente à escola de sambistas do Estácio. Os primeiros sambas de Noel Rosa já traziam a marca da música feita pelo pessoal do Deixa Falar. O seu parceiro mais constante, por sinal, foi Ismael Silva.

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"Escolas de Samba do Rio de Janeiro"
Autor: Sérgio Cabral
Editora: Lazuli Editora
Páginas: 496
Quanto: R$ 45,90 (preço promocional, por tempo limitado)
Onde comprar: 0800-140090 ou na Livraria da Folha

Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques. Não cumulativo com outras promoções da Livraria da Folha. Em caso de alteração, prevalece o valor apresentado na página do produto.

 
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