Saltar para o conteúdo principal
 
22/05/2012 - 19h00

Leia trecho de 'Geração Beat'

da Livraria da Folha

Divulgação
A geração beat foi um sopro de ar fresco na cultura norte-americana
A geração beat foi um sopro de ar fresco na cultura norte-americana

Em "Geração Beat", o poeta e crítico Cláudio Willer disseca o movimento e fala sobre o companheirismo de Kerouac, Ginsberg, Burroughs, Neal Cassady, Gregory Corso, Ferlinghetti, Carl Solomon, entre outros.

Siga a Livraria da Folha no Twitter
Visite nossa página no Facebook
Monte sua estante com obras do movimento beat
Conheça Jack Kerouac, o autor da geração beat

Uma das mais originais manifestações culturais do século 20, a geração beat propagou-se por meio de um grupo de jovens escritores e atingiu outras manifestações artísticas.

Leia um trecho do exemplar.

*

BEAT, GERAÇÃO BEAT

De onde vieram os vocábulos "beat" e "geração beat"? Qual foi a sua origem?

Dentre todas as versões, a definitiva é mesmo aquela confirmada, entre outras fontes importantes, por Allen Ginsberg em um de seus últimos textos, o prefácio de The Beat Book, de 1996:

A expressão "beat generation" surgiu em uma conversa específica entre Jack Kerouac e John Clellon Holmes em 1948. Discutiam a natureza das gerações, lembrando o glamour da lost generation (geração perdida), e Kerouac disse: "Ah, isso não passa de uma geração beat". Falavam sobre ser ou não uma "geração encontrada" (como Kerouac às vezes a denominava), uma "geração angélica", ou qualquer outro epíteto. Mas Kerouac descartou a questão e disse "geração beat" - não para nomear a geração, mas para desnomeá-la.

A conversa foi, acrescente-se, no apartamento onde Ginsberg morava, no Harlem. A expressão aparece em Go, de John Clellon Holmes3, narrativa escrita naquele período e publicada em 1952, que está na raiz do mito beat. Também em 1952, Holmes publicaria um artigo na New York Times Magazine, intitulado "This is the Beat Generation" (Esta é a geração beat). Logo a seguir, a expressão reapareceria na publicação anônima de um fragmento de On the Road (Pé na estrada) por Kerouac, intitulado Jazz of the Beat Generation (O jazz da geração beat).

Enfim, já se falava na existência de uma "geração beat" antes que esta realmente viesse a público, a partir da histórica leitura de poesia na Six Gallery de San Francisco em 1955, com a apresentação de "Howl" (Uivo), de Ginsberg, e a subseqüente publicação de Howl and other Poems (Uivo e outros poemas) pela City Lights Books em 1956 e de On the Road, de Kerouac, em 1957 pela Viking.

Há mais sobre a origem e os sentidos de "beat". Na época, o termo vinha sendo utilizado por Herbert Huncke, delinquente freqüentador daquele grupo, amigo de Ginsberg e Burroughs, que costumava exclamar "Man, I am beat", algo como "Cara, estou ferrado". Hip talk, vocabulário da marginália da Times Square, Nova York.

A propósito, hipster seria o marginal absoluto. A circulação do termo foi ampliada pela literatura beat e por The White Negro (O negro branco) de Norman Mailer, ensaio publicado em 1957 com o subtítulo Superficial Reflections on the Hipster (Reflexões superficiais sobre o hipster), no qual tomava o partido desses outsiders, contrastando-os com o square, o burguês, e que sairia em seu livro Advertisements for Myself (Anúncios de mim mesmo), de 1959. De hipster vem hippie, seu diminutivo, que passou a designar alternativos na segunda metade da década de 1960.

Ginsberg, no texto citado, associa o uso do termo "beat" por Huncke a um trecho de seu poema Uivo, falando dos que caminharam a noite toda com os sapatos cheios de sangue pelo cais coberto por montões de neve,esperando que uma porta se abrisse no East River dandopara um quarto cheio de vapor e ópio. De fato, no inverno de 1948, Huncke, após sair da cadeia, passou quatro dias vagando por Nova York antes de aparecer no apartamento de Ginsberg no Harlem, seus pés escorrendo sangue.

Polissêmica e ambivalente, "beat" também é a batida rítmica do jazz. E pode ser associada à beatitude, palavra-chave do repertório de Kerouac, que, em entrevista de 1959, deu esta interpretação ao termo para contrapor-se a seu sentido mais derrotista. Essa acepção já está em Uivo, de Ginsberg, no verso sobre o vagabundo louco e beat angelical no Tempo, desconhecido mas mesmo assim deixando aqui o que houver para ser dito no tempo após a morte. E em Nota de rodapé para Uivo, ao nomear os beats e associá-los à santidade: _O vagabundo é tão santo quanto o serafim! o louco é tão santo quanto você e minha alma é santa_! [...]_ Santo Peter santo Allen santo Solomon santo Lucien santo Kerouac santo Huncke santo Burroughs santo Cassady santos os mendigos desconhecidos sofredores e fodidos santos os horrendos anjos humanos_!

Beatnik, no mesmo sentido, é um termo irônico, depreciativo, criado pela mídia no final da década de 1950 (apareceu pela primeira vez no San Francisco Chronicle de 2 de abril de 1958). Fusão com Sputnik, o primeiro satélite artificial, referia-se ao fenômeno coletivo, o grande número de jovens que vinham adotando a vestimenta e atitude dos beats. Mas servia para indicar que algo estava acontecendo: designava não mais um grupo de autores, mas um acontecimento social, além de geracional.

*

"Geração Beat"
Autor: Cláudio Willer
Editora: L&PM
Páginas: 128
Quanto: R$ 10,20 (preço promocional*)
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques. Não cumulativo com outras promoções da Livraria da Folha. Em caso de alteração, prevalece o valor apresentado na página do produto.

Texto baseado em informações fornecidas pela editora/distribuidora da obra.

 
Voltar ao topo da página