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12/03/2013 - 09h30

No aniversário de Jack Kerouac, conheça o autor da geração beat

da Livraria da Folha

AP
Texto: O escritor e lenda beat Jack Kerouac. This undated photograph "Jack Kerouac, railroad brakeman's rule-book in pocket", is included in an exhibit of 34 black-and-white photographs, "Allen Ginsberg: Beat Generation Photographer," which runs through Nov. 2, 2003 at the Allentown Art Museum in Allentown, Pa. Poet Allen Ginsberg photographed the best minds of the Beat generation, including Kerouac, William S. Burroughs and Neal Cassady, as they smoked and relaxed in the apartments where they wrote the jazz-inspired literature that defined theirera. (AP Photo/The Allen Ginsberg Trust, handout)
Escritor e lenda da geração beat, Jack Kerouac completaria 91 anos

No dia 12 de março de 1922, nascia em Lowel, EUA, Jack Kerouac, o escritor que apresentou e definiu a geração beat. O talento de Kerouac foi rapidamente reconhecido e seu modo de escrever --como longos períodos sem pontuação-- surpreendeu a literatura norte-americana.

Monte sua estante com obras do movimento beat

"On The Road", sua obra-prima, chegou a ser considerada uma espécie de bíblia para o movimento de contracultura, inclusive para os hippies anos mais tarde. O sucesso lhe era desconfortável, o autor chegou a buscar o isolamento do mundo.

O escritor morreu aos 47 anos, em 21 de outubro de 1969, de cirrose hepática, resultado de um longo histórico de abuso de álcool.

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A obra que lançou o autor à fama na versão original e sem cortes
Título que lançou o autor à fama na versão original e sem cortes

Grande clássico de Kerouac que o lançou à fama, "On the Road: O Manuscrito Original" é o relato autobiográfico das peregrinações do escritor pelo interior dos Estados Unidos na década de 1950. Kerouac matinha diversas anotações em suas viagens, mas escreveu o livro em apenas três semanas de trabalho frenético em 1951, datilografando a obra inteira em um único parágrafo, com entrelinha simples, em folhas de papel vegetal mais tarde coladas umas às outras, formando um rolo de quase 37 metros de comprimento. Após seis anos e diversas revisões, o livro foi lançado e se tornou um dos mais celebrados e provocativos documentos da história literária contemporânea.

Nesta edição, é apresentada aos leitores brasileiros a versão original, sem revisões, mais crua e sexualmente explícita e com os nomes reais de Kerouac e seus colegas de viagem. "On the Road: O Manuscrito Original" também traz ensaios críticos de estudiosos da obra do autor abordando o universo do livro, a biografia do escritor e a trajetória até a publicação.

"Geração Beat", peça escrita por Kerouac em 1957, ano do lançamento de "On the Road", traz um grupo de amigos e amigas --entre operários e desocupados--, que partilham uma garrafa de vinho e tecem diálogos que deixam transparecer o cotidiano das pessoas que vivem e morrem em uma busca vã pelo sonho norte-americano, à margem da cultura e da sociedade do seu tempo.

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A aproximação do autor com o budismo e com um otimismo atípico
Representam uma geração beat mais beatificada, otimista e tranquila

As falas de "Geração Beat" possuem um ritmo característico que mostra a influência do jazz. Entre uma discussão existencialista e uma corrida de cavalos, uma iluminação mística e uma bebedeira, surge na peça um microcosmo da contracultura.

Após o sucesso explosivo e inesperado de "On the Road", Kerouac se aproximou do budismo e o resultado disso foi "Vagabundos Iluminados" ("Dharma Bums"). O livro conta a história do aspirante a escritor Ray Smith, alter ego de Kerouac, em um jornada em busca de verdade e iluminação ao lado de um jovem zen-budista adepto do montanhismo que vive com um mínimo de dinheiro, alheio à sociedade de consumo norte-americana.

Em meio a festas, bebedeiras, garotas, jam sessions, saraus poéticos, orgias zen-budistas e viagens, "Vagabundos Iluminados" traz o estilo turbinado, superadjetivado e livre de Kerouac e exala doses nunca vistas de humor, sabedoria e contagiante gosto pela vida. O livro mostra a ambiguidade dos ideais de Kerouac, examinando como atividades como escalar, andar de bicicleta e por trilhas teve espaço na sua vida urbana repleta de clubes de jazz, saraus de poesia e festas movidas a drogas e álcool. O autor apresenta aqui uma geração beat mais otimista, tranquila, iluminada.

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A decadência e a incapacidade do autor de lidar com o status de mito
Mostra a deterioração física e psicológica de Jack Kerouac

Muito longe do otimismo de "Vagabundos Iluminados", "Big Sur" mostra a deterioração física e psicológica do autor, incapaz de lidar com seu sucesso e completamente entregue à bebida. Lançada em 1962, a obra foi criada pelo escritor quando ele se retirou três vezes para uma cabana isolada na região de Big Sur, na costa da Califórnia, para se dedicar à escrita. E esta última visita culmina na loucura e paranoia tanto do autor quanto da personagem.

Como outros trabalhos de Kerouac, o livro também é profundamente autobiográfico, mas diferente de diversas obras anteriores, que retratavam viagens e buscas por experiências e conhecimento. "Big Sur" apresenta a estagnação e decadência de Jack Duluoz, alter ego de Kerouac, que se mostra incapaz de se integrar em relacionamentos, com o sucesso literário, com o mito beat criado em torno de si e com a vida suburbana. A publicação revela o que talvez seja a principal característica do escritor: a sua brutal honestidade em escancarar seus medos e suas deficiências e de mostrar como o homem nunca vive à altura do mito.

Texto baseado em informações fornecidas pela editora/distribuidora da obra.

 
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