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19/04/2015 - 20h30

Leia trecho de 'Almirante Nelson: O Homem que Derrotou Napoleão'

da Livraria da Folha

Reprodução
Almirante Nelson é conhecido pela derrota monumental que impingiu a Napoleão
Almirante Nelson é conhecido pela derrota que impingiu a Napoleão

Almirante Nelson pode não ser um nome muito conhecido no Brasil, mas o britânico, considerado um dos maiores estrategistas do mar de todos os tempos, foi um dos responsáveis pela derrota de Napoleão Bonaparte.

Parte da coleção "Guerreiros", o volume foi escrito por Armando Vidigal, graduado em ciências navais pela Escola Naval e membro do Instituto de Geografia e História Militar, do Núcleo de Estudos Estratégicos da Unicamp, do Instituto Brasileiro de Estudos Estratégicos e do Centro de Estudos de Política e Estratégia da Escola de Guerra Naval.

Segundo o vice-almirante reformado Armando de Senna Bittencourt, "este é um livro sobre a vida de um herói marinheiro, o almirante Horatio Nelson (1758-1805), escrito por um apaixonado pelo mar, o almirante Armando Vidigal".

Abaixo, leia um trecho.

*

A MORTE DO GUERREIRO
19 de outubro de 1805 a 9 de janeiro de 1806

O plano que Nelson havia apresentado aos seus comandantes para enfrentar a esquadra combinada franco-espanhola tinha o objetivo de garantir que a batalha a ser travada fosse decisiva e aniquilasse totalmente a força inimiga. Em linhas gerais, ele pretendia estabelecer sua força em três divisões, cada uma formando uma coluna; uma das colunas seria formada com os navios de linha mais velozes da força e seria mantida, na medida do possível, do lado do vento ou numa posição que as circunstâncias indicassem ser vantajosa, sob o comando de alguém que fizesse exatamente o que lhe fosse determinado, isto é, intervir na batalha no local correto e na hora certa, seja o local e a hora previstos por ele, seja o local e a hora em que as circunstâncias ditassem, de acordo com sua avaliação da situação. Disse Nelson, confiante na vitória:

As outras duas divisões, formadas em duas colunas, investirão sobre o meu comando contra a linha de batalha inimiga, se possível contra um ponto a um terço da linha inimiga a contar do navio líder da linha. Penso que dessa forma surpreenderei e confundirei o inimigo, tornando inevitável o seu aniquilamento.

Esse plano audacioso representava uma ruptura total do enfrentamento clássico, em que as duas forças antagônicas, cada uma formando uma linha de batalha, navegando em rumos paralelos, trocariam bordadas a uma determinada distância, como previsto nas Instruções de Combate. Sem dúvida, os navios líderes das duas colunas correriam um enorme risco durante a aproximação e apenas eles teriam condição de responder ao fogo inimigo, só podendo usar os canhões de proa. Para Nelson, sem correr riscos não se poderia obter uma vitória decisiva. Infelizmente, na batalha que estava por vir, ele não tinha navios suficientes para fazer a divisão de reserva que queria.

A saída de Villeneuve de Cádis se deu quando Nelson teve de enviar alguns de seus navios para obter água e provisões. A força combinada franco-espanhola que se fez ao mar no dia 19 era composta por 33 navios de linha, 18 franceses e 15 espanhóis, acompanhados por 5 fragatas e 2 brigues, todos franceses. Não eram duas forças independentes atuando de forma coordenada, mas uma força integrada sob comando do vice-almirante francês Villeneuve e, sendo seu segundo o vice-almirante espanhol Gravina; 4 outros almirantes, 2 de cada país, estavam também presentes bem como diversos comodoros. Entre os navios dessa força, havia 4 navios de 3 conveses, de 100 a 130 canhões cada, todos espanhóis, entre os quais estava o Santissima Trinidad, o maior navio até então existente.

A saída de Villeneuve de Cádis se deu quando Nelson teve de enviar alguns de seus navios para obter água e provisões. A força combinada franco-espanhola que se fez ao mar no dia 19 era composta por 33 navios de linha, 18 franceses e 15 espanhóis, acompanhados por 5 fragatas e 2 brigues, todos franceses. Não eram duas forças independentes atuando de forma coordenada, mas uma força integrada sob comando do vice-almirante francês Villeneuve e, sendo seu segundo o vice-almirante espanhol Gravina; 4 outros almirantes, 2 de cada país, estavam também presentes bem como diversos comodoros. Entre os navios dessa força, havia 4 navios de 3 conveses, de 100 a 130 canhões cada, todos espanhóis, entre os quais estava o Santissima Trinidad, o maior navio até então existente.

A força de Nelson, com 27 navios de linha, tinha 7 navios de 3 conveses, de 98 a 100 canhões cada um; mas entre os navios de menor classe, a desvantagem era britânica. Todos os demais navios de linha das duas forças oponentes eram navios de 74 canhões, os navios considerados por todas as marinhas da época os mais adequados para as muitas tarefas de uma esquadra, já que os navios mais pesados e mais bem armados só eram utilizados para reforçar os pontos mais críticos de uma linha de batalha.

A manobra para conduzir uma força tão grande como a combinada não era tarefa fácil e, somente às 15h do dia seguinte, 20 de outubro, a frota completa estava fora da baía. O vento então soprava forte, variando de sudoeste para norte ou para oeste, com a frota de Villeneuve procurando tomar o rumo para os estreitos de Gibraltar. Desde que os movimentos do inimigo foram informados a Nelson, ainda a 19, ele manobrou sua força para iniciar uma caçada geral a sudeste, com um leve vento sul, para cortar a rota dos navios inimigos.

A última carta escrita para lady Hamilton seria encontrada em sua mesa, aberta e não assinada, depois da batalha, escrita em duas etapas, uma a 19 e outra a 20. Trechos dessas cartas estão aqui transcritos. A do dia 19 dizia o seguinte:

Minha muito amada Emma, querida amiga do meu coração. Peço ao Deus das batalhas coroar o meu empreendimento com o sucesso; em todos os momentos, eu terei cuidado para que o meu nome seja sempre muito caro para você e Horatia, ambas amadas por mim mais que a minha própria vida. Como minha última carta antes da batalha será dirigida a você, espero em Deus que eu viva para poder terminar minha carta depois da batalha. Possam os céus abençoar as suas preces.

No dia seguinte ele pôde acrescentar algumas palavras, das quais transcrevemos apenas o final:

Que Deus Todo Poderoso nos dê a vitória sobre essas pessoas e nos permita alcançar a paz.

*

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ALMIRANTE NELSON
AUTOR Armando Vidigal
EDITORA Contexto
QUANTO R$ 28,90 (preço promocional*)

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques.

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