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10/11/2011 - 12h00

Camisetas de algodão prejudicam ambiente e podem causar câncer, diz livro

da Livraria da Folha

Não há quem discuta que camisetas de algodão são cômodas e caem bem para quase qualquer ocasião. Este conforto, no entanto, não está isento de um alto custo para o meio ambiente e, talvez, alguns riscos para a saúde.

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De acordo com o livro "A História das Coisas" (Zahar, 2011), da cientista ambiental Annie Leonard, as plantações de algodão exigem uma quantidade enorme de água para existirem, ao ponto dos principais países produtores "importarem" cotas hídricas.

Enquanto isso, para a camiseta ficar colorida, macia, resistente e inodora, por vezes, são usados cloro, soda cáustica, bromados e formadeídos. Produtos tóxicos que podem causar câncer, entre outras complicações (veja abaixo). No capítulo destinado à vestimenta, a escritora propõe alternativas ao método de fabricação tradicional.

Com o subtítulo de "Da Natureza ao Lixo, o que Acontece com Tudo que Consumimos", o volume conta a história dos produtos que compramos no mercado e o que sua existência acarreta para a saúde do planeta.

A obra relata detalhes do processo de industrialização, da distribuição para montadoras e lojas, da ida à casa do consumidor e do momento em que as coisas são devolvidas --descartadas, na verdade-- ao meio ambiente.

Como resultado, Annie propõe uma reflexão que nos possibilita pensar nos limites do consumo na forma na qual o realizamos atualmente.

O livro foi baseado em um curta-metragem homônimo ("The Story of Stuff", em inglês) produzido pela escritora e que se tornou um fenômeno na internet. A produção caiu nas graças dos professores e passou a ser usada na educação escolar norte-americana.

Leia dois trechos sobre a camiseta de algodão.

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Considero a camiseta de algodão uma grande invenção: é confortável, versátil, absorvente e lavável. E, além de barata, posso usá-la em praticamente qualquer ocasião. Como não amar uma camiseta? Bem, vejamos...

A história da minha camiseta abre uma janela para observar toda a indústria têxtil, começando pelas plantações. O slogan do algodão poderia ser: macio, tóxico e sedento por água! Arbusto nativo dos trópicos, ele hoje é cultivado nos Estados Unidos, no Uzbequistão, na Austrália, na China, na Índia e em países africanos como Benin e Burkina Faso. Sua produção global soma mais de 25 milhões de tonelada por ano, o bastante para confeccionar quinze camisetas para cada pessoa do planeta.

Algodoeiros adoram água. E a irrigação desperdiça uma grande quantidade de líquido através da evaporação e de vazamentos. O problema nos remete aos conceitos de água virtual e pegada hídrica apresentados no capítulo anterior; países compradores de algodão consomem enormes quantidades de água fora de suas fronteiras. Por exemplo, metade dos 135 metros cúbicos usados anualmente para o consumo de algodão por pessoa nos Estados Unidos é "importada". Na Europa, 84% da pegada hídrica relativa ao algodão tem origem em outras partes do mundo, o que significa que os consumidores americanos e europeus estão absorvendo a água disponível em outros países. Lembre que a pegada hídrica se refere à utilização de água não apenas durante o cultivo, mas também no processamento do algodão, bem como à poluição causada por ambos os processos.

(...)

Próximo passo: a cor. Já que a minha camiseta é branca, ela receberá uma dose particularmente forte de alvejante - mas até as camisetas coloridas são alvejadas antes do tingimento. Os processos de tingimento muitas vezes utilizam benzeno, metais pesados, agentes fixadores de formaldeído e outros produtos químicos. Como o algodão resiste naturalmente a tintas, um terço delas acaba desperdiçado no esgoto. De volta à minha camiseta: na fase de branqueamento, torço para que tenha sido usado o peróxido de hidrogênio, mas muitas empresas ainda usam o cloro. O cloro, que já é tóxico, caso seja misturado com material orgânico, como costuma acontecer quando é despejado em água reutilizada, torna-se um composto com propriedades neurotóxicas e carcinogênicas.

Antes que o tecido passe pelas máquinas de costura, não raro é tratado para se tornar macio, antiestático e resistente a amassados, manchas e odores, a fogo, a parasitas. Isso tudo com a ajuda de formaldeído. O contato com esse perigoso produto químico pode causar dermatite alérgica, queimação nos olhos, problemas respiratórios e câncer. Outros componentes utilizados nesse estágio são a soda cáustica, o ácido sulfúrico, os bromados, as resinas de ureia, as sulfonamidas e os halógenos. Todos podem gerar complicações de sono, de concentração, de memória... e, mais uma vez, câncer.

Não é preciso dizer que os consumidores de algodão não são os únicos a arriscar a saúde: os operários das fábricas que processam o tecido são especialmente afetados e, por fim, a água contaminada pelas fábricas desequilibra toda a cadeia alimentar.

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"A História das Coisas: Da Natureza ao Lixo, o que Acontece com Tudo que Consumimos"
Autora: Annie Leonard
Editora: Zahar
Páginas: 304
Quanto: R$ 37,40 (preço promocional, por tempo limitado)
Onde comprar: 0800-140090 ou na Livraria da Folha

Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques. Não cumulativo com outras promoções da Livraria da Folha. Em caso de alteração, prevalece o valor apresentado na página do produto.

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