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18/10/2012 - 15h14

Autor narra massacre de fugitivos de Cuba; leia trecho de 'Fidel'

da Livraria da Folha

O cientista político cubano Humberto Fontova procura derrubar a imagem romântica que Fidel Castro ganhou em diversos países do mundo em "Fidel: O Tirano Mais Amado do Mundo".

"A mídia de esquerda e a Hollywood de esquerda saem com as mais ultrajantes mentiras sobre Cuba e os cubano-americanos", escreve Fontova na edição. "Este livro destina-se a destruir seus mitos com a verdade".

O autor investiga como Castro passou a ser um símbolo da luta pela igualdade enquanto ordenava a execução de opositores ao seu regime.

Segundo Fontova, mais de 500 fuzilamentos foram registrados nos meses iniciais da revolução cubana. Abaixo, leia um trecho do livro que conta massacre de fugitivos de Cuba.

*

Na escuridão, antes do amanhecer de 13 de julho de 1994, 74 cubanos desesperados - jovens e velhos, homens e mulheres - embarcaram escondidos em um decrépito mas confiável rebocador no porto de Havana e partiram para os Estados Unidos - e para a liberdade. O nome do barco era 13 de Março, denominação que permanecerá infame para todos os cubano-americanos - e para todos os amantes da liberdade e da decência.

O vento uivava naquela noite feia. Fora do porto, na penumbra, um mar agitado aguardava. Mas essas pessoas desesperadas não podiam se dar ao luxo de cancelar ou adiar a viagem. Planejar a fuga havia levado meses. A polícia infiltrada de Fidel e seus diversos delatores não tinham percebido o plano.

O pesado veículo deixou o porto. Ondas de um metro e meio começaram a espancar o rebocador. Mães, irmãs e tias silenciavam as crianças apavoradas, algumas com apenas um ano de idade. Voltar estava fora de questão.

Com o 13 de Março já tendo avançado alguns quilômetros no mar turbulento, Maria Garcia, uma mulher de 30 anos, sentiu algo puxando sua manga. Olhou para baixo; era o filho de 10 anos, Juan. "Mamãe, olhe!", ele apontou para trás deles, na direção da costa. "O que são aquelas luzes?"

Divulgação
Fontova mira também em quem não se cansa de elogiar Castro, como jornais, artistas e políticos
Fontova mira também em quem elogia Fidel Castro, como jornais, artistas e políticos

"Parece um barco nos seguindo, filho", ela gaguejou enquanto alisava o cabelo do menino. "Fique calmo, mi hijo. Tente dormir. Quando você acordar, estaremos com seus primos em um país livre. Não se preocupe."

O pequeno Juan não foi o único a ver as luzes. Outros ficaram em pé na popa do barco apontando e franzindo as sobrancelhas. Logo, mais dois grupos de luzes apareceram.

"Mamãe! Tem mais!", Juan ofegou. "E elas estão chegando mais perto! Olhe!" O garoto continuava puxando a manga da mãe.

"Não se preocupe, filho", ela gaguejou novamente. Na verdade, Maria suspeitava que as luzes pertencessem à patrulha de Fidel, que vinha interceptá-los.

E elas se aproximavam rápido. Logo haviam alcançado o pesado rebocador.

Eram de fato barcos da patrulha de Fidel - barcos de bombeiros, tecnicamente, armados com poderosos canhões. Os fugitivos imaginaram que iriam voltar para Cuba, provavelmente para a cadeia.

Mas, em vez disso, bam! O barco de patrulha mais próximo bateu na traseira do rebocador com sua proa de aço - os passageiros foram derrubados no deque como pinos de boliche. Um acidente, certo? Mar difícil e tudo o mais.

"Ei, cuidado! Temos mulheres e crianças a bordo!" Para demonstrar isso, as mulheres levantaram as crianças, que berravam.

Os castristas acharam que elas seriam bons alvos para seus canhões de água. O jato entrou violentamente no rebocador, varreu o deque e derrubou os fugitivos, jogando alguns contra as anteparas e outros para fora do deque, direto nas ondas.

"Mi hijo! Mi hijo!", Maria gritava enquanto o jato de água batia nela, arrancando-lhe metade das roupas e tirando de seu alcance o braço de Juan. "Juanito! Juanito!" Ela se movia freneticamente, ainda cega pela torrente. Juan havia rodopiado pelo deque e agora se agarrava em desespero ao corrimão do barco, três metros atrás de Maria, enquanto ondas gigantes molhavam suas pernas. "Dios mío!"

Essas pessoas cresceram em Cuba. Então, diferentemente do New York Times, do The Nation, da CNN, da CBS, da NBC, da ABC e de boa parte de Hollywood, nunca confundiram Fidel Castro com São Francisco de Assis. Mas, ainda assim, poderia ser verdade que mulheres e seus filhos estivessem sendo deliberadamente usados como alvos?

Os fugitivos se prendiam a mastros, trilhos, braços, pernas, qualquer coisa para evitar cair. Maria e um tripulante conseguiram agarrar Juan e puxaram a criança soluçante para dentro. O canhão ainda varria o deque, enquanto homens jogavam mulheres e crianças na cabine do rebocador. Logo, os dois outros barcos da patrulha estavam lado a lado.

Um dos barcos de aço se virou bruscamente e bateu no rebocador pelo lado. O outro se chocou pela frente. O de trás bateu de novo. O rebocador estava cercado. Os choques não eram acidentais. Os barcos de Fidel estavam obedecendo ordens.

*

"Fidel"
Autor: Humberto Fontova
Editora: LeYa
Páginas: 352
Quanto: R$ 31,90 (preço promocional*)
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques. Não cumulativo com outras promoções da Livraria da Folha. Em caso de alteração, prevalece o valor apresentado na página do produto.

Texto baseado em informações fornecidas pela editora/distribuidora da obra.

 
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