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22/05/2013 - 14h45

Leia trecho de 'A Batalha de Moscou'

da Livraria da Folha

"A Batalha de Moscou" relata o combate entre dois exércitos gigantescos comandados por dois dos líderes mais importantes da Segunda Guerra Mundial --Adolf Hitler e Joseph Stalin.

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Oficialmente, a batalha durou de 30 de setembro de 1941 até 20 de abril de 1942. Os russos conseguiram defender o país dos exércitos de nazistas. O resultado foi crucial para o desfecho do conflito mundial.

Abaixo, leia um trecho do livro.

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"Hitler não vai nos atacar em 1941"

Divulgação
Livro trata de como Stalin transformou em vitória o que parecia uma debandada
Como Stalin transformou em vitória o que parecia uma debandada

Durante algum tempo, eles pareceram aliados naturais, dois ditadores que se espelhavam um no outro de tantas formas que pareciam compor o par perfeitamente ajustado no cinismo, astúcia e inacreditável brutalidade. Quando Hitler e Stalin concluíram o seu infame pacto de não agressão, assinado por seus ministros de relações exteriores, Joachim von Ribbentrop e Vyacheslav Molotov, em 23 de agosto de 1939, os dois sabiam ser esse o sinal para o início da Segunda Guerra Mundial, por permitir que os alemães invadissem a Polônia pelo oeste, no dia 1º de setembro, e que o Exército Vermelho atacasse do leste, no dia 17 de setembro, para então dividirem o butim. Mas, talvez exatamente por serem tão iguais, Hitler e Stalin tinham de se tornar inimigos no momento mesmo em que agiam em conluio, e o ato seguinte teria de ser a batalha de vida ou morte de um contra o outro. Talvez fosse uma verdade literal que o mundo não era grande bastante para dois monstros daquela envergadura.

O quanto eles eram iguais? Valeria Prokhorova, estudante moscovita durante a desconfortável aliança nazissoviética e depois testemunha da Batalha de Moscou, chama Hitler e Stalin de "irmãos espirituais". Tal como muitos da sua geração, ela tem várias razões para fazer essa afirmação: a lembrança dos amigos e membros da família que pereceram nas sucessivas ondas de terror de Stalin durante a década de 1930 e, depois da guerra, sua própria prisão sob acusações falsas que resultaram em seis anos no inferno do Gulag. A principal diferença entre os dois homens, segundo ela, era de estilo. "Stalin me lembra um assassino que chega com flores e doces, ao passo que Hitler fica ali com faca e pistola.".

Houve uma longa lista de estranhas semelhanças nas histórias de vida dos dois, algumas triviais e coincidentes, outras mais significativas e indicativas. Além da citada por Prokhorova, havia também diferenças importantes, não somente de estilo, que teriam papel importante no resultado do seu enfrentamento. Mas elas eram, e são, menos evidentes.

O paralelismo começa na juventude de ambos. Os dois homens nasceram longe do centro político do país que cada um viria a governar: Hitler na Alta Áustria, na época parte do Império Habsburgo, e Stalin na Geórgia, uma região pobre do sul do Império Russo. Não chega a surpreender que os dois tivessem pais que acreditavam na disciplina dura, o que, particularmente no caso de Stalin, se traduzia em surras frequentes. Os pais de Stalin eram servos que só foram libertados em 1864, 14 ou 15 anos antes de Stalin nascer (o ano oficial do seu nascimento é 1879, mas a data na sua certidão de nascimento é um ano anterior). Provavelmente analfabeto, seu pai era sapateiro e, sem dúvida, formou o caráter do filho. "Surras violentas e imerecidas tornaram o rapaz duro e sem coração, como o pai", lembra um amigo do jovem Stalin, ou Joseph Dzugashvili, seu nome original. "Como todas as pessoas com autoridade sobre outros pareciam a Stalin iguais ao seu pai, logo surgiu nele um sentimento vingativo contra todos que estivessem acima dele."

Hitler, que nasceu uma década depois de Stalin, tinha um pai criado num meio social mais elevado que o dos seus ancestrais camponeses, levando uma vida relativamente confortável como oficial da alfândega. Mas ele também era uma figura severa e autoritária. Claro, naquela época, isso era mais a regra que a exceção nas duas culturas, e muitos meninos com pais semelhantes cresceram e levaram vidas razoavelmente normais. No caso de Hitler, o fato de não ter sido aceito na Academia de Artes de Viena, depois da morte de seu pai, e os anos que vagou frustrado e sem destino na capital do Império Habsburgo tiveram, provavelmente, um efeito mais significativo para avivar seus sentimentos de injustiça do que as surras que recebeu quando criança. Mas, sem abusar da psicologia de botequim, parece correto dizer que nas vidas dos dois homens os pais severos foram um componente essencial do seu desenvolvimento inicial.

O general Dimitri Volkogonov, ex-chefe de propaganda do Exército Vermelho, que na era da Glasnost escreveu uma das mais completas e devastadoras biografias de Stalin, ofereceu esta descrição do seu personagem:

Seu desprezo pelos valores humanos normais há muito era evidente. Desprezava a pena, simpatia, clemência. Só dava valor a características de força. Sua miséria espiritual, que se transformou em dureza excepcional e mais tarde em crueldade, custou a vida à sua mulher e arruinou a vida dos filhos. A não ser pela parte relativa à sua esposa e filhos, esse trecho poderia ser uma descrição de Hitler, tão verdadeira quanto a de Stalin. Como também o seria o lema do anarquista russo do século XIX, Nikolai Bakunin, que Stalin sublinhou: "não perca tempo duvidando de si mesmo, porque esta é a maior perda de tempo inventada pelo homem".

Os dois homens construíram suas carreiras apelando para um senso coletivo de injustiça, que eles ampliaram e exploraram. Hitler ficou famoso pelas denúncias virulentas contra os judeus, os comunistas, o governo de Weimar e a todos a quem ele culpava pela derrota da Alemanha na Primeira Guerra Mundial, pelos termos humilhantes do Tratado de Versalhes e pela miséria econômica e agitação política que se seguiram - todos elementos da teoria da "facada nas costas", que ele elevou ao status de credo popular. Apesar de não ser comparável como orador, Stalin também lançou sua carreira política afirmando representar os despossuídos, todos que eram oprimidos pelo sistema czarista por qualquer razão, mesmo quando em contradição com a ideologia marxista.

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" A Batalha de Moscou"
Autor: Andrew Nagorski
Editora: Contexto
Páginas: 352
Quanto: R$ 45,90 (preço promocional*)
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques. Não cumulativo com outras promoções da Livraria da Folha. Em caso de alteração, prevalece o valor apresentado na página do produto.

Texto baseado em informações fornecidas pela editora/distribuidora da obra.

 
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