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02/06/2015 - 15h23

Criminologista resgata teoria de Lombroso

da Livraria da Folha

O médico italiano Cesare Lombroso, fundador da chamada antropologia criminal, procurou demonstrar que algumas alterações estruturais do cérebro produziam comportamento violento. Os criminosos apresentavam características de uma espécie de retrocesso evolutivo, atributos que poderiam ser constatados por medição.

Numa necropsia de rotina em novembro de 1871, Lombroso observou anomalias no crânio de Giuseppe Villella, um notório bandido calabrês. A experiência inspirou a teoria que em pouco tempo influenciaria o resto do mundo e dominaria o pensamento científico até o início do século 20.

As ideias de Lombroso logo se transformaram em fundamento do pensamento higienista e eugênico. Sua teoria alimentou, inclusive, argumentos para a perseguição das "raças inferiores" durante a ascensão nazista. Por ironia, Lombroso era judeu.

Depois da Segunda Guerra Mundial, a teoria de Lombroso ficou estigmatizada como uma visão nociva e reducionista das origens da violência. Ao cair em descrédito, o pensamento lombrosiano foi substituído por uma perspectiva sociológica do comportamento, ideia que vigora até hoje.

Divulgação
Por que algumas crianças de boas famílias tornam-se assassinos?
Por que algumas crianças de boas famílias tornam-se assassinos?

Mesmo Marvin Wolfgang, defensor da importância de Lombroso, se convenceu, no fim da carreira, de que não havia base biológica para o crime.

Nas décadas de 1970 e 1980, período de formação de Adrian Raine, buscar explicações biológicas para a origem da violência não era bem aceita no meio acadêmico.

"A percepção era de que os pesquisadores como eu eram deterministas biológicos, que ignoravam os processos sociais –e na pior das hipóteses, eugenistas racistas", escreve Raine em "A Anatomia da Violência: As Raízes Biológicas da Criminalidade".

"Ao contrário de outros criminalistas, acredito que Lombroso, apesar de ter tropeçado em seu estereótipo racial ofensivo e se atrapalhado com centenas de macabros crânios de prisioneiros que havia coletado, estava no caminho de uma verdade sublime".

Fruto de mais de 30 anos de pesquisa, "A Anatomia da Violência" apresenta evidências que mostram como genética e fatores ambientais contribuem para gerar um cérebro criminoso. O livro chega ao Brasil com tradução de Maiza Ritomy Ite.

"Qualquer um que tenha uma mente inquisitiva e curiosidade em saber por que um criminoso age irá, espero, encontrar algo interessante nestas páginas", conta. "Em 'A Anatomia da Violência', vou revelar os mecanismos internos dos crimes violentos e o modo como as forças externas interagem com eles para produzir criminosos".

Professor de criminologia, psiquiatria e psicologia, Adrian Raine trabalhou como psicólogo em uma prisão para entender por que alguns são assassinos e outros não.

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A ANATOMIA DA VIOLÊNCIA
AUTOR Adrian Raine
EDITORA Artmed
QUANTO R$ 75,90 (preço promocional*)

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques.

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