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06/08/2015 - 18h15

'Toda Poesia' compila 60 anos de poemas de Ferreira Gullar

da Livraria da Folha

Fora do mercado há pelo menos cinco anos, "Toda Poesia" reúne a obra poética completa de Ferreira Gullar. O título volta às livrarias em edição revista e ampliada, com capa dura e novo projeto gráfico.

Divulgação
Obra retorna às livrarias em edição revista e ampliada, com capa dura e novo projeto gráfico
Fora do mercado há pelo menos cinco anos, obra traz edição ampliada, com capa dura e novo projeto gráfico

Os poemas abrangem o período entre os anos 1950 e 2010. Além de "Em Alguma Parte Alguma", mais recente livro do autor maranhense, um poema que havia sumido da obra do autor desde sua primeira edição também foi incluído na compilação.

A primeira edição de "Toda Poesia" foi publicada em 1980 pela editora Civilização Brasileira. Ao longo dos anos, novos livros foram agregados e, a partir de 1987, a editora José Olympio assumiu a publicação da obra. Em 2003, o título foi lançado em Portugal. Atualmente, "Toda Poesia" está em sua 21ª edição.

O livro apresenta um prefácio assinado por Sérgio Buarque de Holanda.

"Foi recente meu primeiro contato com sua obra poética. Veio-me pela mão amiga de Oscar Niemeyer, no meio de outros volumes de sua Avenir Editora. Ao percorrê-los dei, de repente, com a pequenina grande obra-prima que se chama Uma luz do chão, e a surpresa diante desse descobrimento casual foi o começo de uma exploração sem pausa do universo de Ferreira Gullar. Hoje, sinto-me tão familiarizado com todos os seus recantos que, para a singularidade e a importância de sua contribuição, só encontro de comparável, no Brasil, a prosa de Guimarães Rosa", escreve Holanda.

Nascido em 1930, Ferreira Gullar, escritor e crítico de arte, publicou seu primeiro livro, "Um Pouco Acima do Chão", em 1949. "A Luta Corporal", de 1954, marcou a carreira do poeta e de toda uma geração.

Resultado do trabalho em apresentar uma poesia preocupada com as questões sociais e políticas, "Dentro da Noite Veloz", publicado originalmente em 1975, dá voz a oprimidos e injustiçados. "Poema Sujo", de 1976, foi escrito no exílio.

Indicado ao Nobel de Literatura, o escritor foi premiado na edição 2010 do Prêmio Luís de Camões, o mais relevante entre os países lusófonos. Desde 2004, assina uma coluna no jornal Folha de S.Paulo.

Abaixo, leia um trecho do livro.

Erbs Jr./Folhapress
O poeta e escritor Ferreira Gullar em foto de novembro de 2014
O poeta e escritor Ferreira Gullar em foto de novembro de 2014

*

3

Vagueio campos noturnos
Muros soturnos
paredes de solidão
sufocam minha canção

A canção repousa o braço
no meu ombro escasso:
firmam-se no coração
meu passo e minha canção

Me perco em campos noturnos
Rios noturnos
te afogam, desunião,
entre meus pés e a canção

E na relva diuturna
(que voz diurna
cresce cresce do chão?)
rola meu coração

4

Nada vos oferto
além destas mortes
de que me alimento

Caminhos não há
Mas os pés na grama
os inventarão

Aqui se inicia
uma viagem clara
para a encantação

Fonte, flor em fogo,
que é que nos espera
por detrás da noite?

Nada vos sovino:
com a minha incerteza
vos ilumino

*

TODA POESIA
AUTOR Ferreira Gullar
EDITORA José Olympio Editora
QUANTO R$ 59,90 (preço promocional*)

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques.

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