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29/04/2011 - 03h00

Biografia conta como foram primeiros encontros de Kate e William

da Livraria da Folha

Nos últimos meses a atenção do mundo voltou-se para a Inglaterra. No final desta semana, Catherine Middleton e o príncipe William se casarão, sendo a primeira plebeia a ascender a um cargo real em anos.

Kate e William conheceram-se na universidade, namorando por anos e chegando a morar juntos. A postura do casal reflete o desejo do país de uma renovação, sem perder suas raízes aristocráticas.

Tim Hales -11.abr.11/Associated Press
Príncipe William e sua noiva, Kate Middleton
Príncipe William e sua noiva, Kate Middleton

Prestes a se tornar uma princesa, e com chances reais de vir a ser a rainha da Inglaterra, a jovem ganhou em português sua biografia. "Kate: Nasce uma Princesa", traz toda a história de sua família e relata como o casal se conheceu.

Leia abaixo um trecho que conta como foram os primeiros encontros que fizeram surgir os primeiros boatos de namoro:

*

Capítulo 16
Um Companheiro Real

Kate Middleton parecia a bela do baile num estonteante vestido etilo melindrosa, enquanto ficava de pé numa tenda no terreno da grande casa de tijolos vermelhos de seus pais, numa festa para comemorar seu aniversário de 21 anos. Bebendo champanhe e recebendo os convidados, ela conversou com as amigas da Marlborough College e da St. Andrews University - todas vestidas como ela, com roupas dos anos 1920 -, enquanto esperava pelo príncipe William, o convidado de honra.

Embora o casal já viesse compartilhando um apartamento na cidade universitária por todo o ano letivo anterior, o comparecimento dele à festa em junho de 2003 - cinco meses depois da verdadeira data do aniversário - indicava o quanto eles haviam se aproximado. Ele chegou tarde e saiu logo depois do jantar à mesa, antes que o baile começasse, voltando a Highgrove a fim de se preparar para a própria comemoração de 21 anos.

Os comentaristas afirmam que a festa dela foi o início do namoro que arrebataria a Inglaterra por muitos anos. Mas só uns poucos amigos mais próximos do casal sabem quando a amizade se transformou realmente em amor.

Os primeiros boatos sobre o início da relação entre William e Kate começaram depois das férias de primavera em 2002, no final do primeiro ano deles em St. Andrews; foi quando William anunciou que planejava se mudar do alojamento da universidade e morar num apartamento com mais três amigos, entre eles Kate. Naquela época, os dois riam das insinuações de que estavam namorando, insistindo que eram "apenas bons amigos", embora William fosse jovem, solteiro e desimpedido, e Kate estivesse quase desimpedida. Sua relação com Rupert Finch estava ficando morna - e o namoro com o príncipe começava a aparecer no horizonte.

Eles se juntaram a Fergus Boyd, filho de um advogado rural da cidade de Broughton Gifford, em Wiltshire, e a Olivia Bleasdale, que também cursava história da arte. Eles encontraram um apartamento numa das ruas mais cobiçadas da cidade.

Fergus, um dos melhores amigos de William na universidade, se aproximou do príncipe nos campos de rúgbi de Eton, e agora estudava geografia no mesmo módulo que ele, em St. Andrews. Ele foi modelo no desfile filantrópico da universidade, como Kate, e participou de uma excursão de críquete naquele verão - com Rupert, o namorado dela - à África do Sul. Hoje trabalhando como consultor financeiro da Smith & Williamson, ele sempre protegeu o casal real; é uma das poucas pessoas que sabe se a amizade virou namoro durante o segundo ano de universidade. Evidentemente, quando Kate e William passaram a morar juntos, houve rumores insistentes de que fossem mais do que amigos, o que levou o palácio a negar que estivessem "morando juntos" - indicando que não dividiam o mesmo quarto.

A presença de William em St. Andrews teve um efeito significativo no mercado de aluguéis, uma vez que estudantes americanas chegavam à cidade costeira dispostas a pagar valores acima dos de mercado só para ver seu herói de relance. Os preços começaram a ficar no mesmo nível dos de Londres, e estudantes começaram a acampar, em sacos de dormir, na calçada diante das imobiliárias, para serem o primeiro da fila a alugar um apartamento.

Kirsty Wigglesworth/Associated Press
Príncipe William e a noiva Kate Middleton no anúncio formal do casamento, que será em 29 de abril
Príncipe William e a noiva Kate Middleton no anúncio formal do casamento, que será em 29 de abril

Com seus contatos, o trio de bem-nascidos conseguiu alugar uma maisonette numa tradicional casa georgiana com varanda. Os amigos se mudaram para o apartamento no centro da antiga cidade de St. Andrews, antes do início do semestre de Martinmas, em 23 de setembro de 2002. Era o lugar perfeito para os quatro universitários relaxarem depois de passar o dia assistindo a aulas e palestras. Os novos condôminos se revezavam para preparar o jantar, uma tarefa que William tinha muita dificuldade em desempenhar, apesar de ter tido aula de culinária em Eton. "Eu cozinho regularmente para eles, e eles para mim", afirmou numa entrevista, no final do ano letivo, "embora não preparemos jantar há algum tempo, porque todos estamos ocupados com as provas e trabalhando muito. Há uns cozinheiros muito bons aqui em casa, e sou totalmente desnecessário, como comprovou minha experiência ao fazer uma paella em Eton, que foi gravada. Nós costumamos comer galinha com curry e macarrão. Mas também saímos bastante para comer fora, dependendo do que acharmos melhor."

Em geral, os quatro universitários eram muito discretos, indo a pé ou de bicicleta para as aulas, fazendo compras no Safeway e passando as noites em casa, ouvindo o R&B de William ou o jazz de Fergus em alto volume. O príncipe raramente saía durante a semana - exceto para ir às aulas ou à biblioteca da universidade -, a não ser nas tardes de quarta-feira, quando praticava esportes. E tanto William, que fora eleito capitão da equipe de polo aquático da universidade, como Fergus treinavam por duas horas nas noites de quinta, na piscina da St. Leonards School.

Comentando sobre como era morar numa república, ele disse: "Faço muitas compras; inclusive, até gosto de fazê-las. Eu me empolgo muito, sabe, quando compro comida. Compro um monte de coisas e, então, volto para casa e vejo que a geladeira está cheia das mesmas coisas que comprei. (...) Todos nós nos damos bem e começamos a revezar as tarefas, mas é claro que acabou virando uma bagunça. Todo mundo ajuda quando pode. Eu tento ajudar sempre que dá, e eles fazem a mesma coisa por mim, mas no fim você tem que se virar sozinho."

Os únicos sinais do morador mais famoso da cidade e de seus condôminos eram a presença de vans de vidro fumê do lado de fora da propriedade 24 horas por dia, carros de patrulha ao longo da rua inteira e um número maior de câmeras de segurança apontadas para o apartamento, o que fez os moradores do lugar dizerem que aquela era a segunda rua mais protegida da Inglaterra, só perdendo para a Downing Street. Os guardas de segurança acompanhavam o príncipe até a universidade e o esperavam na lojinha na rua próxima do auditório.

Pouco depois de Kate ir morar com ele, no final de novembro de 2002, os pais dela compraram um apartamento no centro de Chelsea. O fato pode ter sido mera coincidência, mas significava que a filha teria uma base em Londres para as festas da sociedade. Menos de uma semana depois, a jovem passava seu primeiro fim de semana numa expedição de caça comandada por William na Wood Farm, em Sandringham, Norfolk. Ela era uma das seis garotas e dez garotos, incluindo o príncipe, que se apinharam na casa de campo de seis quartos. Não se sabe como os quartos foram divididos, o que levou a mais especulações sobre a amizade entre os dois. Entre os convidados daquele fim de semana estavam Olivia Rua onde fica a residência oficial do primeiro-ministro britânico. (N. do T.)

Bleasdale, Virginia Fraser - que morou na mesma rua deles na época da universidade - e Natalie Hicks-Lobbecke, chamada de "Nats" pelos amigos, filha de um militar e que na época estudava na Bristol University. Em vários momentos surgiram especulações ligando cada uma dessas garotas ao príncipe.

Adrian Dennis/AFP
Kate Middleton cumprimenta público após visitar Darwen, no norte da Inglaterra
Kate Middleton cumprimenta público após visitar Darwen, no norte da Inglaterra

A 1,5 quilômetro dali, em Sandringham House, o pai de William estava sendo o anfitrião de um acontecimento bem mais sóbrio na mansão eduardiana da rainha. Entre os convidados do príncipe Charles estavam a rainha da Dinamarca, que precisou sair mais cedo por causa de uma dor nas costas; o afilhado da rainha, sir Nicholas Bacon, advogado e dono de 8 mil metros quadrados de terras em Norfolk que, assim como Charles, aprecia jardinagem; o membro conservador do Parlamento, Nicholas Soames; Jolyon Connell, editor da revista The Week; e o proprietário de terras lorde Cavendish.

Não há coisa alguma que sugira que Kate (ou qualquer dos convidados de William naquele fim de semana) tenha estado com o príncipe Charles, embora ele tenha providenciado para que a equipe de alimentação de Sandringham organizasse um serviço de luxo para os convidados do filho. No entanto, não demoraria muito para que ela fosse apresentada ao pai de seu colega de quarto.

Cinco meses depois, no dia 3 de maio de 2003, a relação entre William e Kate pareceu dar mais um passo, quando eles compareceram ao Baile de Maio, evento anual organizado pelo famoso Kate Kennedy Club, do qual William, agora, era membro. Tendo conseguido entradas vip para a festa beneficente, eles passaram a maior parte do baile - realizado na fazenda Kinkell, nos campos de Fife - juntinhos num canto, com os amigos mais próximos, o que levaria a boatos de que os dois só tinham olhos um para o outro.

Algumas semanas depois, Kate foi vê-lo jogar rúgbi num torneio patrocinado pela The Gin House. Torcendo para o time dele - o pub West Port Bar - da linha lateral, ela parecia mais uma namorada esperando o amado do que uma companheira de república. Durante os intervalos do jogo, enquanto William não jogava, o casal se deitava lado a lado ao sol de primavera, conversando, e pareciam tão à vontade na presença um do outro que voltavam os rumores de que a relação tinha avançado um estágio. Depois do jogo, no qual os perdedores - William e equipe - levaram para casa o prêmio de consolação de três caixas de cerveja, eles foram para o West Port Bar, onde beberam um pouco e dançaram. Conhecido pela generosidade, o príncipe muitas vezes pagava uma rodada de bebida para todos.

Em um mês, o semestre de Candlemas chegava ao fim, encerrando o segundo ano de Kate e William na prestigiosa universidade. Terminadas as provas, os dois saíram do apartamento e partiram para as longas férias de verão. Mas não ficariam separados por muito tempo.

Embora Kate tivesse feito 21 anos no início do ano, tanto ela como William comemoraram seus aniversários durante aquele verão idílico de 2003. Enquanto ela deu uma festa reservada, só compareceram o príncipe e alguns amigos mais próximos, a festa dele, semanas mais tarde, foi grandiosa, com a maior parte da família real e várias celebridades entre os presentes. Organizada por Michael Fawcett, o valete do príncipe de Gales, a comemoração foi realizada no dia 21 de junho de 2003 - o dia de fato do aniversário -, no castelo de Windsor. O maior e mais antigo castelo ocupado do mundo foi transformado numa selva africana, com dois enormes falsos elefantes que se elevavam sobre os convidados, com as trombas entrelaçadas na forma de um arco sobre a pista de dança. Peles de animais decoravam as paredes, e uma gigantesca cabeça de girafa estava orgulhosamente por cima de um bar dourado, que serpentava por todo o comprimento do salão. Do outro lado da parede havia uma máscara tribal. Trezentos convidados, todos fantasiados, dançaram ao som da banda Shakarimba, um grupo de seis integrantes trazido de Botswana, e William entrou na onda subindo ao palco e tocando tambor. Entre os convidados estavam seus tios, o conde de Spencer e o príncipe Andrew, ambos vestidos como grandes caçadores com roupas de safári; o comediante Rowan Atkinson e o jogador de polo Luke Tomlinson. A avó de William estava deslumbrante, fantasiada de Rainha da Swazilândia, de toga branca, um cocar tribal e um gigantesco casaco de pele. O pai vestia roupa de safári e chapéu de caçador, e as primas Beatrice e Eugenie usaram roupas iguais de pele de leopardo.

O pessoal de St. Andrews chegou numa van branca meio velha, decorada com balões e lantejoulas. Mas a presença de Kate mal foi comentada pela mídia, tendo sido ofuscada por dois acontecimentos. O primeiro foi a prisão de um penetra chamado Aaron Barschak - um autointitulado "terrorista comediante" - que conseguiu, vestido de Osama bin Laden, entrar na festa e subir ao palco do Great Hall, arrancando o microfone das mãos do príncipe, que agradecia à rainha e ao príncipe Charles pela festa. Enquanto William mantinha a calma, Barschak era arrastado para fora do palco e preso, apesar de não ter sido processado.

O segundo acontecimento foi a presença de Jessica "Jecca" Craig, filha de um conservacionista rico que na época muitos acreditavam ser a primeira namorada séria de William. Ele tinha se aproximado dela quando visitou, em seu ano sabático, a reserva ambiental de 183 quilômetros quadrados que a família Craig possuía no sopé das montanhas do Quênia, dois anos antes - houve relatos, inclusive, de que tiveram um "noivado de mentirinha". Mas só os dois sabiam se ainda havia algum sentimento entre eles, quando ela pegou o avião para comparecer à festa "Out of Africa", na Inglaterra.

De qualquer modo, o príncipe parecia aflito em afastar os boatos sobre esse possível envolvimento e provar que estava solteiro, por meio de uma declaração pública, aprovada pelo príncipe Charles, em que negou qualquer namoro com a jovem - a primeira e única vez que uma atitude desse tipo foi tomada. A declaração foi vista como uma tentativa enfática de frear a imensa especulação da mídia sobre esse relacionamento, ainda mais intensificada quando o namorado dela, Henry Ropner, só recebeu na última hora um convite para a festa.

Não só William negou ter um relacionamento com Jecca, como também negou ter uma namorada. Numa entrevista cedida para celebrar o aniversário, ele afirmou: "Sempre há muita especulação a respeito de toda garota solteira que anda comigo, e, a propósito, isso me irrita um pouco, depois de algum tempo, especialmente porque é um completo aborrecimento para elas. Essas coitadas, que acabei de conhecer ou que são só minhas amigas, de repente se veem alvo dos refletores, as pessoas ligam para a casa dos pais delas e tudo mais. Realmente considero um pouco injusto com elas. Eu já estou acostumado, porque acontece sempre. Mas para elas é muito difícil, e isso não me agrada. Se eu gosto de uma garota, e ela também gosta de mim, o que é raro, eu a convido para sair. Mas, ao mesmo tempo, não quero deixá-las numa situação difícil, porque, por um lado, muita gente não sabe o que acontece só de me conhecer; por outro, se fosse mesmo minha namorada, isso provavelmente causaria irritação."

Naquele verão, portanto, o príncipe comunicou ao mundo que estava solteiro, mas não demoraria muito para que as luzes da mídia se dirigissem para Kate e ficasse claro que um novo romance real tinha, de fato, começado.

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Kate - Nasce uma Princesa
Autor: Claudia Joseph
Editora: Best Seller
Páginas: 294
Quanto: R$ 34,90
Onde comprar: Pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

 
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