Saltar para o conteúdo principal
 
18/09/2012 - 15h15

Psicanalista escreve sobre sexualidade e outros dilemas das crianças

da Livraria da Folha

A infância pode não ser um mar de rosas que alguns imaginam. No livro "A Criança de 5 a 10 Anos: Um Livro para Pais e Educadores", o psicanalista Abrahão Brafman descreve uma série de dúvidas e conflitos que se originam nessa faixa etária.

Apesar das alegrias dessa fase da vida, o divórcio ou ausência dos pais, o ciúme entre irmãos, os problemas de sono, a fobia escolar, a sexualidade e as dificuldades de relacionamento --como crianças extremamente introspectivas-- são comuns.

Divulgação
Psicanalista descreve os muitos mistérios presentes nessa etapa da vida
Psicanalista descreve os muitos mistérios presentes nessa etapa

Segundo Brafman, "algumas crianças de cinco a dez anos consideradas 'difíceis' vistas no consultório conseguem ser capazes de explicar seu silêncio expressando a crença de que não adianta falar com os pais porque eles não querem saber o que elas pensam, ou não concordarão com nada que digam."

O livro apresenta problemas criados pelo estilo de vida dos pais. Para o autor, a criança se constrói fundamentada nos exemplos de casa. "Mesmo que nenhuma regra seja imposta, ela absorve o estilo dos pais para lidar com inúmeros detalhes da vida cotidiana."

Abrahão H. Brafman é psicanalista e médico brasileiro formado pela Sociedade Britânica de Psicanálise. Foi consultor em psiquiatria da infância e da adolescência no serviço de saúde inglês e trabalhou no Queen Mary's Hospital, em Londres.

Publicado pela editora Zahar, o volume, como indica o subtítulo, é dedicado a pais e educadores que se relacionam com crianças dessa idade. Abaixo, leia um trecho do prefácio.

*

NESTE LIVRO SEGUIMOS uma teoria que sustenta a importância de fatores emocionais e intelectuais de que podemos não ter consciência num determinado momento. Também mantemos que os indivíduos são continuamente influenciados por suas experiências passadas e presentes, tanto as que se originam em suas mentes quanto as que resultam de suas interações com outras pessoas. Essa abordagem é chamada de visão "dinâmica" da personalidade humana. No entanto, temos de frisar a existência de fatores em nossa personalidade que parecem não ser passíveis de mudança. É muito importante identificar problemas de deficiência física ou psicológica nas crianças. Tendo uma ajuda profissional apropriada, elas podem melhorar sua capacidade de lidar com a vida, mas em muitos casos será difícil prever a extensão dessa melhora e, o que é igualmente importante, determinar se poderão aprender novas técnicas de lidar com o mundo em que vivem, ou, em vez disso, obter mudanças estruturais.

Essas diferenças são importantes não apenas de um ponto de vista científico como também em termos do que nós, profissionais, transmitimos aos pais sobre nossa avaliação de cada criança. Quando uma criança tem um problema estrutural, inato ou adquirido, compete-nos deixar muito claro para os pais que, no decorrer do tempo, eles perceberão as capacidades e limitações do filho e descobrirão maneiras de levá-las em conta ao cuidar dele. Em outras palavras, que alguns dos problemas da criança não resultam da maneira como a trataram, mas sim de algum fator que nem sempre é fácil identificar com precisão. Quando não há um fator físico, orgânico, estrutural, podemos acreditar que estamos diante de um problema dinâmico, porém, mesmo nesse caso pode ser difícil prever até que ponto nossos esforços terapêuticos promoverão mudança nos problemas apresentados. Essa é, de fato, a questão mais difícil que um especialista enfrenta cada vez que avalia uma nova criança.

Não é raro que cada um dos pais apresente uma descrição muito diferente do que considera ser o problema do filho. Nem é preciso dizer que o mesmo pode ser constatado quando se considera algum problema na vida cotidiana de qualquer família. O bebê chora e a mãe pensa que ele está com fome, enquanto o pai pode sentir que ali está um sinal precoce de uma criança que desejará controlar a vida dos pais. A criança que começa a andar recusa uma comida em particular e a mãe se ressente desse sinal prematuro de rebelião, enquanto o pai pode afirmar que o filho já está se mostrando capaz de discriminar entre sabores agradáveis e desagradáveis. A criança de cinco anos pede para ver TV por mais uma hora e a mãe concorda que ela assista em sua companhia a um programa que aprecia, enquanto o pai explode diante da inutilidade da tentativa de impor algum senso de disciplina na casa. Quando a criança chega à puberdade ou adolescência, esses conflitos tornam-se parte da rotina diária De um ponto de vista prático, é relevante reconhecer que não se trata de averiguar qual dos pais está certo ou qual está errado: dentro de seu quadro de referências pessoal, ambos estão certos. O inconveniente dessas divergências, porém, é que, não importa o que aconteça, a criança estará sempre concordando com um deles e opondo-se ao outro. Obviamente, cada um dos pais chega à sua interpretação do comportamento da criança de acordo com sua educação e sua personalidade, sua visão de si mesmo no mundo, suas experiências passadas e presentes, algumas das quais são conscientes e a maioria é inconsciente. Mas - e a criança em questão?

Não faz parte da vida da maioria das famílias perguntar à criança que explicação ela própria dá para o comportamento de cuja interpretação os pais discordaram. E, de fato, mesmo quando essa pergunta lhe é feita e a criança dá alguma resposta, há uma boa chance de que, muito depressa, o pai ou a mãe a conteste e pronuncie a famosa frase: "É mesmo? Conheço suas gracinhas! Conte outra! O que você queria mesmo era" Simplesmente não é comum encontrar pais (adultos em geral, talvez?) interessados e capazes de descobrir a justificação pessoal de uma criança para seu comportamento. Por vezes faltam à criança palavras para se explicar, ocasionalmente ela é impelida a dizer o que acredita que os pais desejam ouvir, e outras vezes suas palavras parecem ilógicas demais para inspirar crédito; de certa maneira, desenvolveu-se o mito de que apenas um profissional teria capacidade de descobrir os motivos e as intenções de uma criança.

Cada família terá seu próprio estilo de abordar sua criança. É simplesmente inevitável que cada criança vá ter seu desenvolvimento influenciado (observe-se: não determinado, mas afetado) pelas reações que seu comportamento produz em seus pais. É muito difícil para estes, contudo, avaliar com precisão as habilidades de desenvolvimento alcançadas por seu filho. Nenhuma criança pode enfrentar a vida e reagir a estímulos além de suas capacidades naquele momento. E este é o princípio básico seguido neste livro. Tendo em vista os vários estágios do desenvolvimento cognitivo, intelectual e emocional da criança e a maneira como o desdobramento desses estágios afeta não apenas sua experiência de si mesma, mas também o modo como ela percebe e reage ao mundo em que vive, procuramos retratar o que são os anos que vão do quinto ao décimo aniversário. Esperamos que esta abordagem ajude pais e profissionais a decidir a melhor maneira de estabelecer contato com a criança e chegar a uma compreensão de seus sentimentos e comportamento.

*

"A Criança de 5 a 10 Anos"
Autor: Abrahão H. Brafman
Editora: Zahar
Páginas: 152
Quanto: R$ 32,40 (preço promocional*)
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques. Não cumulativo com outras promoções da Livraria da Folha. Em caso de alteração, prevalece o valor apresentado na página do produto.

Texto baseado em informações fornecidas pela editora/distribuidora da obra.

 
Voltar ao topo da página