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27/11/2010 - 19h01

Fernandinho Beira-Mar é um mero varejista; leia trecho de "O Narcotráfico"

da Livraria da Folha

O cientista político Paulo Sérgio Pinheiro chamou os criminosos que enfrentam a polícia e o exército no Rio de "chefetes". Mário Magalhães, jornalista que exerceu a função de ombudsman da Folha de S.Paulo até 2008 e recebeu o Prêmio Esso em 1999, concorda com a afirmação.

Divulgação
Livro conta a história das drogas e reflete sobre a proposta de legalizá-las
Livro conta a história das drogas e discute o processo de legalização

No volume "O Narcotráfico", parte da coleção "Folha Explica", Magalhães apresenta o funcionamento dos pontos de vendas de drogas, do varejo nas favelas e periferias às organizações que encabeçam o crime organizado internacional.

"O livro é um apanhado geral sobre como funciona o narcotráfico. Tentei mostrar a floresta e não a árvore. Não é Fernandinho Beira-Mar o grande traficante do Brasil. Esses caras são só varejistas. Quis mostrar o que está por trás de tudo", conta o autor.

As propostas para a legalização e a história das drogas também são discutidos, além de destacar o impacto econômico e social do negócio ilegal. Leia, abaixo, um trecho do exemplar.

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Atenção: o texto reproduzido abaixo mantém a ortografia original do livro e não está atualizado de acordo com as regras do Novo Acordo Ortográfico. Conheça o livro "Escrevendo pela Nova Ortografia".

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Numa favela da Baixada Fluminense, vendedores de drogas fogem da polícia. Em São Paulo, numa cidade do interior, agentes federais fingem namorar, à espreita do mais procurado traficante do Brasil. No Acre, um homem vivo é esquartejado, metodicamente, membro a membro. No morro da Mangueira, no Rio, o comércio de maconha e cocaína funciona a menos de um quilômetro do palco onde o presidente dos Estados Unidos discursa.

Essas histórias, contadas a seguir, poderiam fazer deste livro, mas não fazem, apenas uma trama policial. O impacto do narcotráfico é muito maior.

São esquadrinhados o funcionamento de um típico ponto-de-venda de drogas num morro carioca, as mazelas provocadas pelo crime organizado, as estratégias e os modos de operação das quadrilhas, os casos da CPI do Narcotráfico da Câmara dos Deputados, as articulações de máfias de todo o planeta fazendo de entorpecentes um produto lucrativo e explosivo.

Mais: os mecanismos brasileiros e internacionais de lavagem de dinheiro, as estripulias do governo norte-americano como "polícia do mundo", a história das drogas e o debate em torno da proposta de tornar legal o seu consumo. Ao final, são apresentadas sugestões de fontes para quem quiser aprofundar os conhecimentos sobre o assunto.

Este texto não é um relato médico sobre a ação das drogas no corpo humano, embora haja referências a isso. É, substancialmente, uma reportagem sobre os tentáculos clandestinos, secretos, subterrâneos do narcotráfico e os seus efeitos devastadores na sociedade contemporânea.

Drogas são substâncias que modificam o organismo. As drogas psicoativas são aquelas que atuam no sistema nervoso central, afetando a atividade mental. O que enriquece a indústria do narcotráfico são as drogas psicoativas ilícitas, cujo consumo é proibido devido aos danos que causam ao ser humano.

Até alguns anos atrás, a preocupação e a discussão sobre drogas no Brasil diziam respeito, essencialmente, à opção individual de querer ou não usá-las. Desde a década de 80, contudo, elas progressivamente se converteram numa questão que não afeta mais apenas indivíduos, famílias ou grupos restritos.

Qualquer pessoa interessada em entender, melhorar e mudar o país e mundo em que vive não pode deixar de conhecer a dimensão social do narcotráfico e suas mercadorias.

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"O Narcotráfico"
Autor: Mário Magalhães
Editora: Publifolha
Páginas: 104
Quanto: R$ 4,99 (preço promocional)
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha