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20/07/2017 - 15h02

'Compulsões reduzem a liberdade', diz autora de 'Tempos Compulsivos'

WILLIAM MAGALHÃES
da Livraria da Folha

Divulgação
Por meio de relatos, autora analisa componentes que levam a comportamentos compulsivos no mundo contemporâneo
Por meio de relatos, autora analisa componentes que levam a comportamentos compulsivos no mundo contemporâneo

Atuando como psicanalista desde o fim dos anos 1980, Sandra Edler lança pela editora Casa da Palavra o livro "Tempos Compulsivos - A Busca Desenfreada pelo Prazer".

Refletindo sobre a velocidade do tempo na sociedade contemporânea, a autora analisa no livro depoimentos de pessoas que sofrem alguma compulsão e traça um relato sobre o sujeito da atualidade, suas dores e as diversas condições sociais do nosso momento.

A constatação é que as compulsões cresceram, assim como as depressões e os quadros de violência.

Em entrevista à Livraria da Folha, por e-mail, Edler aponta quais são os tipos de compulsões mais comuns hoje em dia, sugere maneiras mais saudáveis de lidar com as redes sociais e alerta para o fato de alguns tipos de compulsões que podem ser bem vistas socialmente.

Psicóloga e psicanalista, formada em psicologia pela PUC-Rio, Sandra Edler realizou mestrado e doutorado no Programa de Pós-Graduação em teoria psicanalítica da UFRJ. É autora do livro "Luto e Melancolia - À Sombra do Espetáculo". Ao longo dos últimos anos, tem se dedicado à articulação da psicanálise com a literatura.

Leia abaixo a entrevista com Sandra Edler.

Tomás Ribas/Divulgação
Sandra Edler, autora do livro "Tempos Compulsivos"
Sandra Edler, autora do livro "Tempos Compulsivos"

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Quais são os tipos de compulsões mais comuns?
Muitos tipos de compulsões têm aparecido na contemporaneidade. Não é difícil constatar que comportamentos excessivos estão se tornando comuns. Chegam a fazer parte da vida cotidiana. Posso destacar as compulsões ligadas à internet, com práticas de jogos que não terminam e competições que atravessam as noites como muito frequentes. Compulsões alimentares tanto no sentido da voracidade alimentar como as práticas de restrição chegando quase ao jejum. E compras infindáveis que por vezes arruínam o sujeito levando-o à condição de inadimplência. Fora o uso de álcool e de outras substâncias. Dá-se a compulsão quando o sujeito se vê compelido a repetir a busca ao objeto sem condições internas de interromper espontaneamente seu próprio ato.

Há algum aspecto positivo na compulsão?
Aparentemente pode parecer que sim, pois há compulsões que são bem vistas socialmente, sobretudo quando estão ligadas ao trabalho e, algumas vezes, ao exercício físico. Pode simular empenho, esforço, disciplina. Mas o que caracteriza a compulsão é a restrição na capacidade do sujeito de escolher. Elas reduzem a liberdade, automatizam. Do ponto de vista humano traduzem um movimento de compensação que deve ser analisado.

Como lidar de maneira mais saudável com as redes sociais neste cenário de tempos compulsivos?
Procurando usar sem se escravizar. Podendo fazer parte da vida do sujeito entre outras atividades de trabalho, lazer e vida social sem prejuízo de seus relacionamentos. Já foi dito que a internet aproxima os distantes e afasta os próximos. É comum ver pessoas jantando juntas cada qual com seu celular. E crianças com seus tablets nos restaurantes. Cada qual em seu mundo. A máquina não pode substituir o contato ao preço de criar um prejuízo no que temos de mais essencial, nossa humanidade.

O mindfulness - meditação da atenção plena - tem sido muito comentado como técnica para aliviar a ansiedade. É eficaz?
Como psicanalista valorizo, em primeiro lugar, as técnicas psicoterápicas e a prática psicanalítica na abordagem de problemas ligados à ansiedade, como por exemplo, a síndrome do pânico. Temos verificado um resultado muito positivo. No entanto, no livro, procuro ilustrar a ideia de que vários caminhos podem levar o sujeito a uma compreensão maior de suas dificuldades e promover melhora. A meditação pode contribuir positivamente e há vários estudos que ilustram sua atuação.

Qualquer pessoa está sujeita a comportamentos compulsivos?
Não. Nem todos desenvolvem compulsões. No entanto, quando se trata do uso de substâncias como álcool e drogas, não temos condições de saber, de antemão, quem vai aderir à determinada substância dando margem à criação do apego. O sujeito não deve viver alheio ao que acontece consigo mesmo. Ele mesmo pode perceber e tomar certos cuidados.

Como cuidar da saúde mental e prevenir comportamentos compulsivos?
É muito importante zelar pela saúde mental. Tanto por parte das instituições sociais, das escolas, da atenção aos segmentos mais vulneráveis da população, quanto na própria família e individualmente. Com esses cuidados prevenimos muitos problemas graves e práticas violentas. A observação e o cuidado de si são funções importantes. Somos dotados de uma função mental que muito nos ajuda nesse sentido, a consciência crítica. Temos condições de avaliar quando exageramos, se o exagero é ocasional ou se torna sistemático, se estamos desenvolvendo compensações, etc.

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TEMPOS COMPULSIVOS
AUTORA Sandra Edler
EDITORA Casa da Palavra
QUANTO R$ 32,90 (preço promocional*)

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques.

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