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02/07/2011 - 20h00

Cristianismo é pior que vício; leia trecho de "O Anticristo"

da Livraria da Folha

Reprodução
Ensaio questiona valores e chama o cristianismo de maldição
Ensaio questiona valores religiosos e chama o cristianismo de maldição

Friedrich Nietzsche (1844-1900) nasceu em família luterana, seu pai era pastor em Röcken, Alemanha, sua cidade natal. Mesmo com a formação religiosa, o intelectual foi um dos maiores adversários do cristianismo.

Escrito em 1888, "O Anticristo" analisa a moral e a doutrina religiosa e faz críticas a Jesus e são Paulo. Para Nietzsche, os valores da cristandade são uma maldição, a vitória de fracos, doentes e rancorosos.

Diversos pensadores contemporâneos, como Sigmund Freud (1856-1939), Jean-Paul Sartre (1905-1980) e Michel Foucault (1926-1984), sofreram influência do filósofo.

Publicado em formato de bolso pela L&PM, o título foi traduzido por Renato Zwick, formado em filosofia e tradutor de Rilke, Freud e Thomas Mann. Leia, abaixo, um trecho do exemplar.

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Atenção: o texto reproduzido abaixo mantém a ortografia original do livro e não está atualizado de acordo com as regras do Novo Acordo Ortográfico. Conheça o livro "Escrevendo pela Nova Ortografia".

*

O que é bom? - Tudo o que eleva a sensação de poder, a vontade de poder, o próprio poder no homem.

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O que é ruim? - Tudo o que provém da fraqueza.

O que é a felicidade? - A sensação de que o poder cresce, de que uma resistência é superada.

Não o contentamento, porém mais poder; acima de tudo não a paz, mas a guerra; não a virtude, mas a excelência (virtude no estilo da Renascença, virtù, virtude sem moralina).

Os fracos e os malogrados devem sucumbir: primeira tese de nosso amor à humanidade. E ainda devem ser ajudados nisso.

O que é mais danoso do que qualquer vício? - A compaixão ativa por todos os malogrados e fracos - o cristianismo...

O problema que com isso coloco não se refere ao que deve substituir a humanidade na sucessão dos seres (o homem é um final), mas ao tipo de homem que se deve cultivar, se deve querer como sendo o de mais alto valor, mais digno de vida, mais seguro de futuro.

Esse tipo de alto valor já existiu com bastante freqüência: mas como um acaso feliz, uma exceção, jamais como algo desejado. Pelo contrário, precisamente ele foi o mais temido, foi até agora quase o temível; - e foi por temor que se quis, se cultivou, se alcançou o tipo contrário: o animal doméstico, o animal de rebanho, o animal doente homem - o cristão...

A humanidade não representa um desenvolvimento rumo ao melhor ou ao mais forte ou ao mais elevado tal como hoje se acredita. O "progresso" é meramente uma idéia moderna, ou seja, uma idéia errônea. O valor do europeu de hoje fica muito abaixo do valor do europeu da Renascença; não há qualquer relação necessária entre evolução e elevação, intensificação, fortalecimento.

Em um outro sentido, há um êxito permanente de casos isolados, nos mais diferentes lugares da Terra e no interior das mais diferentes culturas, que representam de fato um tipo superior: algo que, comparado ao todo da humanidade, é uma espécie de super-homem.* Tais acasos felizes de grande êxito sempre foram possíveis, e talvez sempre o sejam. E mesmo gerações, tribos e povos inteiros podem, às vezes, representar semelhante acerto.

Não se deve adornar e enfeitar o cristianismo: ele travou uma guerra de morte contra esse tipo superior de homem, ele proscreveu todos os instintos fundamentais desse tipo, ele destilou o mal, o homem mau, a partir desses instintos - o homem forte como o que há de tipicamente reprovável, o "réprobo". O cristianismo tomou o partido de tudo o que é fraco, vil e malogrado, ele fez um ideal a partir da contradição aos instintos de conservação da vida forte; ele corrompeu a própria razão das naturezas mais fortes espiritual mente quando ensinou a sentir os valores supremos da espiritualidade como pecaminosos, enganadores, como tentações. O exemplo mais deplorável - a corrupção de Pascal, que acreditava na corrupção de sua razão através do pecado original, enquanto ela apenas fora corrompida pelo seu cristianismo!

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"O Anticristo"
Autor: Friedrich Nietzsche
Editora: L&PM Pocket
Páginas: 128
Quanto: R$ 8,80 (preço promocional)
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

 
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