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22/04/2011 - 21h00

Livro relata caso de dentista com virgem libidinosa; leia trecho

da Livraria da Folha

Divulgação
Relação entre um dentista e uma garota virgem, mas cheia de libido
Relação entre um dentista e uma garota virgem, mas cheia de libido

A nova novela de Dalton Trevisan, "Nem te Conto, João", relata a relação amorosa entre João, um dentista experiente, e Mariazinha, uma moça virgem, mas cheia de libido.

A garota se abre no consultório odontológico e conta histórias picantes. O volume é uma costura de ideias e excertos de outros contos publicados pelo mesmo autor.

Entre diversas obras, Trevisan assina "Contos Eróticos", "Novelas Nada Exemplares", "Macho Não Ganha Flor", "A Trombeta do Anjo Vingador", "A Faca no Coração", "Pico na Veia", "A Polaquinha", "Virgem Louca, Loucos Beijos" e "O Vampiro de Curitiba".

O livro acaba de ser lançado pela L&PM Editores. Leia, abaixo, um trecho do exemplar.

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Arte
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- Entre, moça. Com você não contava.

- Achou que não voltasse?

- Rostinho quente.

- Do calor.

- Que bom rostinho quente. Muito perseguida?

No rostinho dois pintassilgos azuis batiam asas.

- Agora o doutor André. Me deu um cartão. Tomar cafezinho, já viu. No escritório.
Velha conhecida minha, essa minissaia xadrez.

- Teu vulcão está aí. Não quer despertá-lo?

Defendeu-se, agarrando-lhe a mão com força.

- Que mão fria...

- Teu beijo, hum, gostinho de bolacha Maria e geleia de uva.

- Não gostei da última vez. Como você me tratou.

- Rasgue o cartão do André.

- Tenho nojo. É gordo e mole.

Ele encolheu a barriga, aprumou o peitinho.

- Desculpe o cabelo branco.

- O doutor não tem idade.

- Chega de fumar.

Ela tragou fundo, beijou-o, soltou-lhe a fumaça na boca. Ele ergueu a blusa até o seio empinadinho.

- Não. Deixe que eu tiro.

- Quero você nuazinha.

A blusa pela cabeça sempre despenteia.

- Vire para lá. Senão não tiro.

Menos uma pecinha. A blusa. A saia. O sutiã.

- A calcinha não.

- Coisinha mais linda.

- Para combinar com o colar.

O riso furtivo do colar vermelho. Ele só de meia preta.

- Tire, amor.

De costas, sem olhar.

- Parece um menino. Só que cabeludo.

Toda nua, de salto alto.

- Correntinha também é roupa?

Sem poder cobrir os três seios com duas mãos.

- Essa cruzinha o que é?

O crucifixo barato, presente do noivo.

- É enfeite.

O velho Jesus, quem diria, piedosamente virou-lhe o rosto.

- Esse noivo não existe.

- Aqui na aliança o nome.

Poucas delícias da vida: o azedinho da pitanga na língua do menino, a figurinha premiada de bala Zequinha, um e outro conto de Tchékhov, o canto da corruíra bem cedo, o perfume da glicínia azul debaixo da janela, o êxtase do primeiro porrinho, um corpo nu de mocinha. Tão aflito não sabia onde agarrar.

- Veja como é quentinho. Pegue.

Ela pegou sem entusiasmo.

- Relaxe, meu bem. Não fique de pescoço duro.

- Ai, meus ossos. Você me machuca. Arre, que tanto.

- Dê um beijinho. Só um.

- Ah, não. Ah, não.

- Por um beijo eu dou o dobro.

- Olhe que sou cigana.

- Também sou.

- Se eu der, você quer mais.

- Não quero. Juro. Só um, anjo.

Ele mordiscou a penugem dourada da nuca.

- Agora um beijinho.

Ela deu.

- Mais um. Mais outro.

Já aos gritos:

- Só mais este. Ai, amor. Agora no tapete.

Olho perdido na parede: pinheiros ao pôr do sol.

- Descasco este limão com o dente. Um e dois (pastando e babujando no peitinho), qual o maior?

- São todos iguais.

- Não os teus, anjinho. Você é fria.

- Culpa do negrão. Fiquei assim. Igual minha mãe. Nervosinha.

- Quero pegar. Você não deixa. Aposto que não...

- Já li em livro. E faz mal.

- Só faz bem, anjo. Nunca experimentou. Você fingindo, e fingindo mal, eu não quero. Sei que houve o negrão. Hoje é o dia de esquecer. Ela, quieta.

- Eu dou o dobro.

- O doutor é atiçadinho.

- Agora sente-se. Abra a perna. É aqui, amor. Aqui é o bom.

Sem ele pedir:

- Ai, que é bom.

O eterno gesto, esmorecida, cabeça para trás, rostinho em fogo.

- Você quer, anjo?

- Sim.

- Suba por cima.

- De que jeito?

- Assim. Venha.

- Cuidado que dói.

- Se dói, anjo, eu tiro.

- Devagarinho.

- Ponha.

- Tenho medo.

- Só a pontinha.

Ela pôs só a pontinha: entrar a uma virgem é perder- se no abismo de rosas.

- Agora por baixo.

- Ai, meu braço.

Tapete fino, muito magrinha.

- Só um pouquinho, amor. Ai, como é bom.

Mulher mais louca a que está nua nos teus braços.

- Que barulhinho é esse?

- Diga que é bom.

- É bom - com um sorriso. - Obrigada.

Ah, bandida. Ser baixinho é padecer numa coroa de espinhos. Hei de levar para o túmulo?

- Agora de pé.

- Será?

- Aperte as pernas. Mexa. Suspire. Grite.

- Não sei.

- Não sabe dançar? Então dance. Sem sair do lugar.

Salve lindo pendão da esperança, salve, salve.

*

"Nem te Conto, João"
Autor: Dalton Trevisan
Editora: L&PM Editores
Páginas: 144
Quanto: R$ 11,90 (preço promocional de lançamento)
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

 
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