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24/12/2011 - 15h00

No século 17, mulheres foram presas por "cantar sórdidas músicas natalinas"

da Livraria da Folha
Texto baseado em informações fornecidas pela editora da obra.

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De 1645 a 1660, alguns países aboliram o Natal. Na Inglaterra e na Escócia, por exemplo, a celebração --da comida típica à decoração natalina-- foi proibida por lei. Por esse motivo, em Aberdeen, 14 mulheres foram punidas por "cantar sórdidas músicas natalinas".

Os protestantes observavam as celebrações de dezembro com desconfiança. O dia de nascimento de Jesus é impreciso. Na antiguidade, durante milhares de anos, muitos povos da Europa cultuavam outros deuses no mesmo período.

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Biografia do personagem fictício mais influente e popular do mundo
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Libânio de Antioquia descreveu a comemoração em Roma da seguinte maneira: "A festa das Calendas é celebrada por toda parte dentro dos limites do Império Romano. [...] O impulso de gastar toma conta de todos. [...] As pessoas são generosas não apenas consigo mesmas, mas também com seus camaradas. Um caudal de presentes jorra por todos os lados. [...] A festa das Calendas proíbe tudo o que está ligado ao trabalho e permite aos homens entregar-se à diversão tranquila. [...] Outra grande qualidade da festa é que ela ensina os homens a não se apegarem demais ao dinheiro, mas a se separar dele e deixar que ele passe para outras mãos."

Como diz o ditado: se não pode vencê-los, junte-se a eles. A festividade era muito popular e acabou sendo incorporada ao calendário cristão. Depois de são Nicolau Taumaturgo, o verdadeiro Papai Noel, o evento ganhou novos elementos.

Escrito pelo professor de história Gerry Bowler, "Papai Noel: uma Biografia" é um detalhado registro da vida do bom velhinho.

No livro, o historiador conta curiosidades e mitos sobre a relação de Noel com companhias de seguro, Coca-Cola e fabricantes de armas. Leia, abaixo, um trecho do primeiro capítulo.

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Atenção: o texto reproduzido abaixo mantém a ortografia original do livro e não está atualizado de acordo com as regras do Novo Acordo Ortográfico. Conheça o livro "Escrevendo pela Nova Ortografia".

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Em alguns países protestantes, onde a versão calvinista da fé se firmou, aboliu-se não o santo, mas o próprio Natal. Na Escócia, na Nova Inglaterra puritana, em cidades suíças e na Inglaterra de 1645 a 1660, a celebração do Nascimento do Senhor foi proibida por lei, assim como tudo o que se ligava a ela. Proibiram-se as comidas e as decorações natalinas com folhas. Deixar de trabalhar e ficar em casa no dia 25 de dezembro, ir à igreja, cantar músicas natalinas, participar das brincadeiras tradicionais ou festejar com a família e os vizinhos podia motivar uma multa ou até mesmo a prisão. Em Londres, os soldados puritanos encerravam os serviços natalinos das igrejas, verificavam se as lojas estavam abertas e retiravam as decorações. Em Aberdeen, catorze mulheres foram presas por "brincar, dançar e cantar sórdidas músicas natalinas no Dia de Natal". Em 1583, as autoridades eclesiásticas de Glasgow excomungaram quem estava celebrando o Natal, e, por toda a Escócia, quem havia cantado canções de Natal e os padeiros que faziam o pão natalino foram levados a julgamento; o ministro calvinista de Errol chegou a ponto de dizer que cantar músicas de Natal era tão grave quanto fornicar. Nos Estados Unidos puritanos, o Tribunal Geral de Massachusetts proibiu em 1659 a observação do Natal, sob pena de se incorrer numa multa de 5 xelins, ao passo que Connecticut proibiu o Natal e os dias dos santos, as tortas de frutas e passas, o jogo de cartas e os instrumentos musicais. Em Genebra, a comemoração do Natal era punida com 24 horas na prisão da cidade.

Como vimos, os governantes calvinistas da Holanda tentaram um regime de legislação semelhante contra o Natal. As tradições dos presentes, do pão de mel e dos biscoitos, dos espetáculos com marionetes, da tenda do vendedor de bonecas e do mercado de são Nicolau no dia 5 de dezembro foram todas proibidas por lei como manifestações idólatras que claramente transgrediam a palavra de Deus. Embora houvesse indícios de resistência para esse tipo de ação em outros países e sinais de observação clandestina do Natal em outras jurisdições calvinistas, na Holanda a resistência foi muito aberta e notavelmente bem-sucedida. Quando Amsterdã proibiu que se fizessem biscoitos e doces em forma de efígie, um grupo rebelde de crianças de onze anos protestou, e com a ajuda dos pais tratou de fazer com que a proclamação não fosse nunca cumprida. A sobrevivência das tradições de são Nicolau nas cidades holandesas é eloqüentemente testemunhada por uma pintura de Jan Steen, A festa de São Nicolau, que mostra uma família de classe média holandesa na manhã do dia 6 de dezembro. Um garoto chora, examinando um sapato que contém apenas varas, uma menininha abraça uma boneca nova e segura um baldinho com brinquedos, enquanto outra criança olha para a chaminé por onde o santo havia entrado e saído na noite anterior. Por toda parte há sinais das iguarias da época: nozes, waffles e pães especiais. Obviamente, são Nicolau havia escapado à tentativa de expulsá-lo da Holanda.

Alguns historiadores afirmaram que, no século XVII, a veneração de são Nicolau não atravessou o Atlântico até o território que a Holanda tinha no além-mar, a Nova Holanda, e sua capital, Nova Amsterdã, a colônia que uma invasão inglesa transformou em Nova York. Embora a primeira menção impressa ao santo tenha ocorrido apenas em dezembro de 1773, quando o Rivington's Gazetteer, um jornal de Nova York, registrou que o aniversário de são Nicolau, "chamado também de Papai Noel", tinha sido recentemente comemorado por "grande número de Filhos desse Santo antigo", uma forma para biscoitos de 60 cm, da época colonial, que reproduzia um bispo ressuscitando os três rapazes que haviam sido colocados em salmoura (preservada até hoje num museu de Nova York) e as palavras de uma poesia do século XVIII são indícios de uma persistente sobrevivência do culto a são Nicolau no Novo Mundo.

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"Papai Noel: uma Biografia"
Autor: Gerry Bowler
Editora: Planeta
Páginas: 272
Quanto: R$ 35,70 (preço promocional*)
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

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