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01/08/2013 - 11h40

Leia trecho de 'Guerra nas Sombras: Os Bastidores dos Serviços Secretos Internacionais'

da Livraria da Folha

André Luís Woloszyn relata em "Guerra nas Sombras" a atividade de agências e serviços secretos no decorrer da história e avalia a importância estratégica --recorrendo a Maquiavel e Sun Tzu-- da prática milenar de recolher informações sobre o inimigo para a manutenção da segurança de nações em todo o mundo.

No livro, o autor também apresenta alguns raros espiões e informantes que entraram para a história. "Há personagens, no entanto, que revelam os segredos que deveriam ocultar", conta. "É o caso do ex-agente Edward Snowden, ex-técnico da CIA que trabalhou como consultor da Agência Nacional de Inteligência (NSA).

Woloszyn escreve sobre terrorismo e assuntos estratégicos para a revista do Exército Brasileiro e para a Defesa Nacional e é analista de assuntos estratégicos, consultor de agências e organizações internacionais em conflitos de média e baixa intensidade.

Abaixo, leia trecho da introdução de "Guerra nas Sombras: Os Bastidores dos Serviços Secretos Internacionais".

*

INTRODUÇÃO

Divulgação
Serviços secretos vêm desde sempre atuando nos bastidores do poder
Serviços secretos sempre atuaram nos bastidores do poder mundial

A atividade de busca por dados e informações e a interpretação de seu significado, o que se conhece hoje por inteligência, sempre desempenhou um papel preponderante na história da humanidade, principalmente na política internacional, em maior ou menor grau, conforme a época.

E atualmente, como em nenhum outro período da história, crescem e se multiplicam as agências governamentais em uma complexa rede internacional buscando ameaças veladas ou qualquer tipo de informação considerada sensível, num jogo estratégico de poder e influência globais. E é exatamente esse processo de identificação de ameaças, a busca por informações e dados, que pretende detectar intenções dissimuladas e que ocultem os mais diversos interesses, o que chamo de guerra secreta. Os países de regime democrático são os principais protagonistas e, ao mesmo tempo, os alvos, pois não se submetem a uma mera intervenção militar, como ocorre nos continentes africano, asiático e na região do Oriente Médio. Essa modalidade de guerra se desenvolve entre agências ou serviços secretos numa corrida para ver quem chega primeiro. Trata-se do mais complexo dos conflitos, pois ocorre nas sombras, nos bastidores do poder, identificando propagandas enganosas, desinformação, e celebrando acordos cujas partes sabem antecipadamente que nunca serão cumpridos. Muitas das informações levantadas por agentes secretos em ações de espionagem foram utilizadas em guerras ou mesmo serviram como o pivô central para desencadear tais conflitos.

Convivemos com a guerra secreta há muito tempo, embora de forma não perceptível, e, a cada ciclo histórico, com maior intensidade. Na Guerra Fria, marco histórico dessa guerra secreta, países como a URSS e os EUA fomentaram a espionagem em larga escala com objetivos militares, econômicos e tecnológicos, na tentativa de desestabilizar oponentes, conquistar e manter sua hegemonia política. O avanço das tecnologias espaciais e militares foi acompanhado de perto por uma guerra de milhares de espiões e bilhões de dólares gastos na tentativa de se obter acesso a qualquer fragmento possível de conhecimento nestes campos. Tudo isso para que os envolvidos desenvolvessem em primeira mão artefatos que lhes confeririam um status diferenciado na comunidade internacional e um poder militar respeitável que serviria também como propaganda.

Assim, esse período da chamada corrida armamentista ficou caracterizado como um jogo estratégico em que poucos agentes tiveram seus esforços operacionais reconhecidos pelos governos, e a maioria acabou perdendo a vida, além de outros tantos que foram presos ou desapareceram. Serguei Kostine, pesquisador e autor de obras biográficas sobre agentes de espionagem da Guerra Fria, diz que, de maneira geral, os melhores oficiais de inteligência, protagonistas de brilhantes operações, acabam no anonimato, pois a história lembra apenas o nome dos agentes queimados, presos ouque cometeram gafes imperdoáveis e que, por causa delas, acabaram virando personagens históricos, alguns, míticos. Em regimes totalitários, que ainda perduram em alguns países, a atividade é mais representativa no cotidiano dessas sociedades pois constitui um dos braços do poder, auxiliando na manutenção do regime.

Neste contexto é natural que a atividade de inteligência passe por constantes crises e se questione sua real participação no assessoramento estratégico das nações, especialmente pelos impactos negativos que seus fracassos podem ocasionar, como veremos adiante. Devemos considerar que seu objetivo principal é produzir conhecimento, o mais próximo da realidade, para o embasamento das decisões governamentais, e se essas informações forem usadas por governos para outros propósitos, não se deve atribuir exclusivamente a uma agência de inteligência a responsabilidade pelos fracassos ou o papel de bode expiatório da história. É muito difícil avaliar um órgão dessa natureza, pois, na imensa gama de dados e informações colhidos, um deles pode fazer a grande diferença.

Embora os métodos básicos da atividade de inteligência sejam sempre os mesmos, como técnicas operacionais de espionagem, vigilância, recrutamento, infiltração, coleta de dados e produção do conhecimento, observamos claramente, à medida que surgem novas demandas, um processo de evolução significativa em todo o sistema, o que o distancia cada vez mais de seu período áureo, na Segunda Guerra Mundial, acentuado durante a Guerra Fria. A cada conflito, as tecnologias são aperfeiçoadas para garantir maior eficiência à coleta de dados, com menores custos operacionais e redução de riscos, aumentando o grau de certeza sobre determinadas situações. Obviamente, esse fenômeno tem agora um novo componente, que se constitui em um dos maiores desafios para a atividade no século XXI. O surgimento de atores não estatais, grupos ou indivíduos ligados à pirataria digital com fins de espionagem sobre assuntos sensíveis tanto para a esfera governamental como para a privada, trabalhando em ações que anteriormente eram exclusivas das agências de inteligência e comprometendo a segurança destas na proteção das informações coletadas e, num amplo espectro, das próprias nações. A maior ameaça está no fato de que esses atores não governamentais têm potencial para desencadear ciberataques, ciberterrorismo e até ciberguerras, motivados pelos mais diferentes fatores ou sem nenhum motivo aparente.

As novas ameaças que estão surgindo, as constantes crises socioeconômicas de diversos países, o aparecimento de potências emergentes com influência no cenário internacional, os interesses estratégicos, a necessidade de fontes energéticas e outras questões que repercutem no desenvolvimento da sociedade mundial, tudo isso acaba por elevar ainda mais a importância da atividade de inteligência. E esse fenômeno é claramente perceptível, pois o desenvolvimento das agências existentes, em termos de pessoal e recursos financeiros, só tem aumentado, e também cresce a criação de outras tantas, voltadas à iniciativa privada, especializadas em analisar imensos volumes de dados e elaborar estimativas na tentativa de vislumbrar o que pode, potencialmente, tornar-se uma ameaça ou despertar algum interesse estratégico ou econômico.

No que se refere à política internacional, o contexto pouco se modificou e a guerra secreta continua acontecendo de forma cada vez mais acentuada entre os velhos protagonistas pela disputa de poder e influência globais. E crescem também os países que desejam participar desse jogo, sendo a China o maior exemplo. Nações que se comprometeram com a ONU, assinando tratados e convenções de não proliferação de armas químicas, biológicas e radiológicas, continuam desenvolvendo e aperfeiçoando esses arsenais secretamente. O mesmo acontece com a espionagem - ação condenada por todos -, que paulatinamente utiliza diferentes tipos de vírus cibernéticos, espiões cada vez mais eficientes em sua destinação. A diminuição dos arsenais de armas nucleares também segue essa mesma lógica. Não tendo um conhecimento preciso do que os outros possuem, pois certamente os dados são apresentados de forma dissimulada, nunca é possível saber de fato se essa redução das armas nucleares está ocorrendo, se isso está acontecendo com seriedade ou se se trata de um mero discurso para a opinião pública.

Em suma, o acesso e a obtenção da informação e seu controle foram e sempre serão sinônimos de poder, independentemente de sua finalidade, e isso em diversos setores governamentais e privados. Conhecer a situação do inimigo ou da concorrência é fundamental para estabelecer estratégias que permitam estar, no mínimo, um passo a frente do adversário - o que traz infinitas vantagens, especialmente nos campos militar, econômico e tecnológico.

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"Guerra nas Sombras"
Autor: André Luís Woloszyn
Editora: Contexto
Páginas: 160
Quanto: R$ 27,90 (preço promocional*)
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques. Não cumulativo com outras promoções da Livraria da Folha. Em caso de alteração, prevalece o valor apresentado na página do produto.

Texto baseado em informações fornecidas pela editora/distribuidora da obra.

 
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