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18/08/2015 - 10h02

'À Procura de Audrey' marca estreia de Sophie Kinsella na literatura juvenil

da Livraria da Folha

Em "À Procura de Audrey", Sophie Kinsella - autora conhecida por livros de chick-lit como a série "Becky Bloom" - apresenta seu primeiro livro voltado para o público jovem-adulto.

Divulgação
Livro marca a estreia de Sophie Kinsella, autora conhecida por seus romances adultos, na literatura juvenil
Livro marca a estreia de Sophie Kinsella, autora conhecida por seus romances adultos, na literatura juvenil

Aos 14 anos, Audrey é uma garota como todas as outras: estuda, se apaixona, entra em conflito com os pais, sonha e confia nas amigas. Até que começa a ser vítima de bullying. No início, parecia apenas ser uma pequena implicância, mas a provocação vai aumentando e logo a menina não consegue mais frequentar o colégio ou nem ao menos sair de casa.

Diagnosticada com transtorno de ansiedade social, Audrey inicia um lento tratamento rumo à recuperação. E, ao conhecer o jovem Linus, parceiro de games do irmão, ela sente uma ligação, ficando cada vez mais próxima dele - e da normalidade.

Sophie Kinsella é escritora e ex-jornalista de economia, com especialização na área financeira. Entre seus livros mais conhecidos estão "O Segredo de Emma Corrigan", "Lembra de Mim?" e a série protagonizada pela consumista Becky Bloom, com títulos como "As Listas de Casamento de Becky Bloom" e "Mini Becky Bloom".

A autora é uma das convidadas da edição deste ano da Bienal do Livro, que acontece no Rio de Janeiro entre os dias 3 e 13 de setembro. Na ocasião, a escritora participará do painel "Conexão Jovem: Encontro com Autores", no sábado (12).

Abaixo, leia um trecho de "À Procura de Audrey".

*

Ai, meu Deus, mamãe surtou.

Não o surto-mamãe típico. Surtou de verdade.

No surto típico, ela anuncia: "Vamos fazer essa dieta sem glúten ótima que apareceu no Daily Mail!" Então, compra três pães de forma sem glúten. É tão nojento que nossas bocas se retorcem com o gosto. A família entra em greve, mamãe esconde seu sanduíche no canteiro de flores, e, na semana seguinte, deixamos de ser adeptos da dieta sem glúten.

Isso é um surto típico. Agora, porém, ela está tendo um surto de verdade.

Mamãe está parada perto da janela do quarto que dá vista para a rua onde moramos, Rosewood Close. Não, parada dá a impressão de ser algo muito dentro do normal. Ela não parece normal. Está se balançando toda, debruçada sobre o peitoril, com um olhar ensandecido. E segura o computador de meu irmão, Frank, equilibrando- o precariamente no parapeito. A qualquer minuto, vai espatifá-lo no chão. É um computador de 700 libras.

Será que ela tem noção disso? São 700 libras. Passa o tempo todo nos dizendo que não sabemos o valor real do dinheiro. Sempre fala coisas como "sabe como é difícil ganhar dez libras?" e "você não ia gastar eletricidade à toa se tivesse que pagar as contas".

Bem, o que diria sobre ganhar 700 libras e atirá-las propositalmente no chão?

Lá embaixo, no gramado, Frank, em pânico, corre de um lado para o outro, usando a camiseta da série The Big Bang Theory, segurando a cabeça e resmungando algo ininteligível.

- Mãe. - A voz transformou-se em um agudo alto por conta do medo. - Mãe, é meu computador.

- Sei que é seu computador! - grita ela histericamente. - Acha que não sei disso?

- Mãe, por favor, será que a gente não pode conversar?

- Já tentei conversar! - replica. - Já tentei adular, brigar, suplicar, argumentar, subornar... Já tentei de tudo. DE TUDO, Frank!

- Mas preciso do computador!

- Não precisa do computador coisa nenhuma! - retruca ela, com tanta fúria que me encolho.

- A mamã vai jogar o computador lá de cima! - diz Felix, correndo para o gramado todo feliz, sem acreditar no que vê. É nosso irmão mais novo. Tem 4 anos. Ele encara a maior parte dos acontecimentos da vida com essa alegria. Um caminhão na rua! Ketchup! Uma batata frita mais longa que o comum! Mamãe atirando um computador pela janela é apenas mais um na lista dos milagres cotidianos.

- É, e o computador vai quebrar - responde Frank, com raiva. - E você nunca mais vai poder jogar Star Wars.

A expressão de Felix se transforma com a preocupação, e mamãe estremece com furor renovado.

- Frank! - grita ela. - Não provoque seu irmão! Agora nossos vizinhos da frente, os McDuggan, aparecem para assistir à cena. O filho de 12 anos, Ollie, chega até a berrar "Nããão!" ao ver o que mamãe está prestes a fazer.

- Sra. Turner! - O menino atravessa a rua correndo para chegar à nossa casa e olha para cima com olhar suplicante, juntando-se a Frank.

Ollie às vezes joga Land of Conquerors na internet com Frank, quando meu irmão está de bom humor e não tem mais com quem jogar. O menino parece ainda mais aterrorizado
que Frank.

- Por favor, não quebre o computador, Sra. Turner - suplica, trêmulo. - Todos os comentários de jogo de Frank estão salvos aí. São tão engraçados. - Virando-se para meu irmão, repete: - São bem engraçados mesmo.

- Valeu - murmura Frank.

- Sua mãe parece até... - O menino pisca com nervosismo. - Parece até que recebeu um bônus e virou Deusa Guerreira Nível Sete.

- Pareço o quê? - inquire mamãe.

- É um elogio - responde Frank, revirando os olhos. - Coisa que você saberia se jogasse. Nível Oito - corrige ele.

- Verdade - concorda Ollie rapidamente. - Oito.

- Vocês não conseguem nem se comunicar em nossa língua! - rebate ela. - A vida real não é feita de níveis e fases!

- Mãe, por favor - pede Frank. - Faço qualquer coisa. Coloco os pratos na lava-louças. Ligo para vovó todas as noites. Vou... - Ele procura desesperadamente o que dizer. - Ler para os surdos.

Ler para os surdos? Será que está ouvindo o que ele mesmo está dizendo?

- Surdos? - Mamãe explode. - Surdos? Não preciso que leia para os surdos. Você é o surdo aqui! Nunca escuta nada do que digo... Está sempre com aquelas porcarias de fones de ouvidos...

- Anne!

Viro-me para ver papai se meter na discussão, e alguns vizinhos já começam a sair de casa. Este é oficialmente um Incidente da Vizinhança.

- Anne! - chama ele outra vez.

- Deixe que eu cuido disso, Chris - responde ela, como uma advertência, e posso ver papai engolir em seco. É um homem alto e bonito, daquele tipo que se vê nas propagandas de automóvel, e tem cara de ser a pessoa que manda na casa, mas, na intimidade, não é realmente um macho alfa.

Não, isso saiu errado. É o macho alfa em muitas situações, acho. Só que mamãe é ainda mais. É forte e mandona, além de bonita e mandona.

Disse mandona duas vezes, não disse?

Bem. Tire suas próprias conclusões disso.

*

À PROCURA DE AUDREY
AUTOR Sophie Kinsella
EDITORA Galera Record
QUANTO R$ 29,90 (preço promocional*)

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques.

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