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22/11/2010 - 12h12

Feiúra e beleza dividem gosto fantasioso da sociedade na história da cultura

da Livraria da Folha

A discussão é antiga, assim como são a feiúra e a beleza, e para as perguntas sobre o que é feio e o que é bonito, resta apenas dar de ombros e apreciar o que melhor elas podem nos oferecer. Se, por um lado, a beleza rende uma emoção poética, um estado de encantamento sem igual, a feiúra, por sua vez, garante boas risadas por parte do observador.

Reprodução
Beleza deve ser analisada friamente ou livre da razão?
Beleza deve ser analisada friamente ou livre do ceticismo da razão?

Aqui não há espaço para ficar ofendido nem nada, afinal, como já disseram repetidamente, "a beleza está nos olhos de quem a vê", ou "há gosto para tudo". Por isso, e para atiçar um pouco mais a discussão, é altamente recomendável ler e analisar duas obras do escritor e acadêmico italiano, Umberto Eco. São elas "História da Beleza" e "História da Feiúra".

A partir do resgate de pinturas históricas e personalidades da moda, Eco disseca e estuda os padrões que "definem" os gostos generalizados da sociedade. A questão que fica é se no íntimo, por fim, gosto se discute?

Em "História da Beleza", o texto provocante debate sobre as imagens que estimulam nosso desejo. E isso já rende muito assunto. Um rosto, por exemplo, possui tantas variações e as misturas englobam tantos resultados que fica até sem graça - e quase impossível - só gostar de um padrão. Cabelos loiros, escuros, ruivos, olhos grandes, pequenos, morenos, com lábios carnudos, suaves, provocantes. Enfim.

As "preferências" de cada época também rendem boas tiradas, como na época medieval, quando as mulheres "cheinhas" viveram seu auge, e atualmente, a "beleza" da anorexia, talvez um dos grandes temas de nosso tempo, é apreciada e condenada ao mesmo tempo.

Mas a obra não analisa apenas a figura humana. Edifícios, fotos de moda e variações do design também entram no jogo. São mais de 300 ilustrações que despertam a simples apreciação, o deslumbre, ou as que de imediato desperta nos olhos, mãos e bocas a vontade de possuir e "viver" determinada imagem.

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Trajetória busca documentos imagens de pessoas consideradas feias
Trajetória busca compreender noção de pessoas consideradas feias

"História da Feiúra", ao contrário da "irmã", de antemão, prepara o leitor para um outro tipo de viagem. Pois nariz grande, corpos descompassados e pele flácida são suficientemente poderosos para despertar a aversão e o riso. Disse certa vez Eco que "descobrimos como é divertido buscar a feiúra, porque a feiúra é mais interessante que a beleza. A beleza frequentemente é entediante."

Seja como for, o livro desenvolve a ideia da beleza no feio. Da premissa, tece ensaios variados baseando também significantes da cultura, da Antiguidade até os tempos modernos. Do mesmo modo que no livro da beleza, ela não se restringe às belas moças, neste caso feiúra explora todas as estradas. Logo, morte, preconceito, imaginação, dor e medo acompanham o desenvolvimento de cada linha.

Lado a lado, valores estéticos que permearam o avanço da história são dissecados e admirados. Ao final das leituras, Audrey Hepburn e Brad Pitt continuarão ocupando ícones da beleza, e assim como "Larissas Riquelmes" são excitações temporárias, os corcundas de Notre Dame tocam sinos e aguardam a próxima balada com esperança.

*

"História da Beleza"
Autor: Umberto Eco
Editora: Record
Páginas: 440
Quanto: R$ 162,90
Onde comprar: Pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

"História da Feiúra"
Autor: Umberto Eco
Editora: Record
Páginas: 454
Quanto: R$ 162,90
Onde comprar: Pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

 
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