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22/06/2011 - 17h00

Acusado de incesto e sodomia, Lorde Byron fugiu da Inglaterra

da Livraria da Folha

Uma denúncia realizada por uma amante vingativa, de que Lorde Byron (1788-1824) teria feito sexo com a própria irmã e com homens, mudou a vida do escritor inglês. Os boatos tomaram conta da imprensa e a sociedade inglesa condenou o artista ao ostracismo. Naquela época, o homossexualismo era considerado crime e poderia até ser punido com pena de morte.

Reprodução
Lorde Byron foi perseguido dentro e fora de seu país, por boatos sobre homossexualismo
Lorde Byron foi perseguido dentro e fora de seu país, por boatos sobre homossexualismo
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A história do autor, celebrado como um dos maiores poetas de língua inglesa, é contada no livro "Heróis e Exílios: Ícones Gays Através dos Tempos", do escritor Tom Ambroise.

A obra narra --com pesquisa histórica detalhista-- a vida de pessoas ilustres que foram obrigadas a sair de suas terras natais ao serem condenadas por amarem pessoas do mesmo sexo. Estão presentes, no volume, figuras como Oscar Wilde, as Damas de Llangollen, William Beckford, Henry James, Paul Bowles e James Baldwin, entre muitos outros.

Dentro e fora do país
Mesmo em um exílio "voluntário", o poeta inglês continuou a sofrer perseguição. "A humilhação de Byron nas mãos da sociedade inglesa e da imprensa londrina não terminou com sua partida da Inglaterra. Em genebra, turistas ingleses alugavam telescópios para espiá-lo do outro lado do lago, na casa em que estava morando. Em Roma, quando estava observando o teto da Basílica de São Pedro, encontrou uma velha conhecida, Lady Liddell, e ficou chocado ao ouvi-la mandar a filha desviar os olhos enquanto ele passava, dizendo: 'Não olhe para ele, é perigoso'."

Divulgação
Perseguições cruéis e implacáveis levaram heróis gays a se exilarem
Perseguições cruéis e implacáveis levaram heróis gays a se exilarem

O volume contextualiza a história do criador inglês e mostra como alguns amigos o apoiaram enquanto a grande maioria estava contra o autor. Minucioso, Ambroise descreve outros casos semelhantes da época, alguns deles que acabaram em suicídio, e mostra que, mesmo no século 19, existia uma luta política em favor dos direitos homoafetivos.

O tratamento que recebeu de seu povo abalou a saúde física e psicológica do poeta, morto prematuramente aos 36 anos. No entanto, enquanto viveu, o escritor amou homens e mulheres com liberdade, como mostram os vários trechos de seus poemas citados pelo pesquisador.

Após a morte de Byron, a Inglaterra se deu conta que havia perdido um dos maiores artistas de sua língua.

Leia trecho do capítulo "A Peregrinação de Lorde Byron".

*

Em março de 1816, contudo, sua amante rejeitada, Lady Caroline Lamb (1785-1828) - esposa do primeiro-ministro William Lamb (1779-1848) -, revelou à esposa de Byron, Annabella (1792-1860), que ele lhe confessara não apenas seu caso incestuoso com sua meia-irmã Augusta Leigh (1783-1851), como também seu envolvimento em muitos relacionamentos homossexuais.

Esse ato de vingança de Caroline Lamb destruiria a reputação do mais famoso poeta da Inglaterra. Como Byron escreveu mais tarde: "meu nome tem sido completamente destroçado, como se eu trouxesse uma marca na testa". No entanto, tratava-se apenas de parte de uma amarga campanha planejada por Caroline. Em crescente instabilidade em seu comportamento com relação a seu marido, William, e a Byron, ela já tentara o suicídio na presença do poeta e se comportava em relação a ele com grande malevolência. Quando escreveu as palavras "Lembre-se de mim", por estranha coincidência no exemplar de Byron de Vathek, de William Beckford, o poeta responde com estas linhas desgostosas:

Lembrar-te de ti! Duvido que não.
Teu marido também deverá pensar em ti!
Por nenhum dos dois serás esquecida,
Falsa com ele, maligna comigo!

*

"Heróis e Exílios: Ícones Gays Através dos Tempos"
Autor: Tom Ambroise
Editora: Gutenberg
Páginas: 216
Quanto: R$ 34,90 (preço promocional, por tempo limitado)
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

 
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