Saltar para o conteúdo principal
 
21/09/2017 - 11h20

A história por trás do código Morse e outros casos inusitados

da Livraria da Folha

Divulgação
Edição do livro foi criada em português, a partir de proposta do tradutor Caetano Galindo, que traduziu a partir do áudio
Edição do livro foi criada em português, a partir de proposta do tradutor Caetano Galindo, que traduziu a partir do áudio

Como a lagosta, considerada comida de gente humilde, passou a figurar no cardápio de salões refinados e exclusivos. Como foi inventado o código Morse. Como viveu Leo, o leão da MGM, aquele que aparece no começo dos filmes do estúdio.

Essas e outras histórias compõem "O Palácio da Memória", publicado pela editora Todavia.

O livro é resultado da transcrição de episódios do podcast homônimo apresentado por Nate DiMeo. O programa desperta a atenção de 200 mil ouvintes devido aos causos curiosos apresentados em cada episódio, que duram cerca de dez minutos.

A tradução e seleção foram feitas por Caetano W. Galindo, que foi quem levou o projeto à nova casa editorial. Um dos mais atuantes e importantes tradutores do país, ele já assinou a versão em português de "Ulysses", de James Joyce.

Nascido em Providence, em Rhode Island, em 1974, Nate DiMeo vive atualmente em Los Angeles. Trabalhou mais de uma década na rádio pública americana e estreou o podcast "The Memory Palace", em 2008. Entre 2016 e 2017 ocupou a posição de artista-residente no Metropolitan Museum de Nova York.

Leia a seguir uma história do livro "O Palácio da Memória".

*

Distância

Samuel Finley Breese Morse passou os primeiros 25 anos da vida aprendendo a pintar.

Em Andover. Em Yale. Em Londres, na Real Academia. Ele estudou as obras dos mestres para aprender como Michelangelo construía corpos que pareciam pulsar e estremecer apenas com óleo, sombras e hachuras. Para aprender como Rafael invocava a fagulha de toda uma vida interior com um único toque de tinta branca pura no ocre opaco dos olhos de uma mulher da nobreza. Para aprender a criar ilusões de espaço e de distância. Para aprender a presentificar o inefável através da mera fusão de linhas e pontos sobre a tela esticada.

Ele aprendeu a pintar.

E em 1825 Morse está morando em New Haven,Connecticut, com sua esposa, Lucretia, e dois filhos pequenos. E um terceiro filho a caminho. Podia nascer a qualquer momento.

Um dia, à noite, um mensageiro entregou uma carta: a prefeitura de Nova York queria pagar mil dólares para Morse pintar um retrato do marquês de Lafayette.

O herói da Revolução viria a Washington para comemorar os cinquenta anos do início da Guerra. E posaria para Morse.

Se o pintor pudesse se pôr imediatamente a caminho.

Então ele embrulhou o cavalete, pincéis e tintas E separou roupas decentes para usar quando encontrasse um homem como Lafayette. E beijou a esposa grávida. E saiu, naquela noite mesmo.

Em outra noite, uma semana depois, Morse estava em seu estúdio alugado em Washington, se preparando para a chegada, no dia seguinte, de seu célebre modelo. Ouviu alguém bater na porta. E lá estava um mensageiro. Sem fôlego, sujo, depois de um caminho difícil por trilhas difíceis. Que lhe entregou um bilhete com quatro palavras.

Esposa mal após parto

Ele saiu naquela mesma noite. Viajou seis dias, sem parar.

A cavalo e em carroças sacolejantes, enrolado em cobertores para se proteger dos ventos frios das noites de outubro.

E quando chegou a New Haven e correu sobre folhas caídas até a casa na Whitney Avenue soube que sua esposa estava morta.

Na verdade tinha morrido antes mesmo de o mensageiro bater à sua porta em Washington. Na verdade, já tinha sido enterrada. Numa manhã em que ele estava na estrada. Enquanto ele corria para estar ao lado dela. Para cuidar dela até que melhorasse.

Samuel Finley Breese Morse passou os últimos 45 anos de sua vida tentando impedir que mais alguém tivesse que se sentir como ele se sentiu naquela noite. Nunca mais.

Samuel Finley Breese Morse passou os 45 anos seguintes inventando o telégrafo. Para transformar o espaço e a distância, reais, em ilusões. E desenvolvendoo código Morse. Pontos e linhas.

Que podiam transmitir o sentido de vidas vividas,de esposas falecidas.

*

O PALÁCIO DA MEMÓRIA
AUTOR Nate Dimeo
EDITORA Todavia
QUANTO R$ 39,90 (preço promocional*)

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques.

-

 
Voltar ao topo da página