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10/11/2017 - 13h46

Livro indica alimentos para manter a saúde mental

da Livraria da Folha

Divulgação
Neurologista apresenta alimentos que ajudam a prevenir diversas doenças ligadas ao cérebro como autismo e Alzheimer
Em livro, neurologista apresenta diversos alimentos que ajudam a prevenir diversas doenças ligadas ao cérebro

Em "Amigos da Mente", o neurologista David Perlmutter, autor do best-seller "A Dieta da Mente", apresenta pesquisas recentes que comprovam a importância do microbioma - ou seja, os micro-organismos que moram dentro do corpo - para a saúde.

A obra é publicada no Brasil pela editora Paralela, selo da Companhia das Letras.

Para se proteger de diversas doenças ligadas ao cérebro como autismo, déficit de atenção e Alzheimer, o neurologista indica os alimentos amigos que podem salvar a mente.

Membro do American College of Nutrition, David Perlmutter preside o Perlmutter Health Center, localizado na Flórida, nos Estados Unidos. É cofundador e presidente da Perlmutter Brain Foundation.

É autor de "Dieta da Mente para Vida" e professor-associado voluntário da Faculdade de Medicina da Universidade de Miami. Em 2002, recebeu o prêmio Linus Pauling por sua abordagem inovadora de transtornos neurológicos.

Abaixo, leia um trecho do livro.

*

Introdução
Cuidado com os bichos: você não está sozinho

Durante toda a minha carreira, não se passou uma semana sem que eu tivesse que dizer a vários pacientes ou cuidadores que meu arsenal para o tratamento de uma grave doença neurológica que inevitavelmente daria cabo da vida do paciente havia se esgotado. Entrego os pontos quando a doença toma conta a tal ponto que não há remédio imediato ou droga capaz de sequer frear a célere marcha daquele mal rumo ao fim. Estar nessa posição é de partir o coração. Não há como se acostumar a ela, por mais que você a vivencie. O que me traz esperança, porém, é um campo de estudo promissor que finalmente tem trazido uma abordagem revolucionária ao alívio do sofrimento. Os amigos da mente trata dessa nova e espantosa ciência e de como você pode tirar proveito dela em prol da sua saúde.

Detenha-se por um instante para refletir sobre a transformação do mundo no último século, graças à pesquisa em medicina. Não precisamos mais nos preocupar com a morte por varíola, disenteria, difteria, cólera ou escarlatina. Fizemos enormes progressos na redução dos índices de mortalidade por várias doenças potencialmente fatais, incluindo HIV/ aids, alguns tipos de câncer e doenças cardíacas. Mas quando se trata das doenças e desordens relacionadas ao cérebro, o quadro é inteiramente diferente. Quase não há avanços na prevenção, no tratamento e na cura de condições neurológicas debilitantes que surgem em várias fases da vida - do autismo e do transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) à enxaqueca, depressão, esclerose múltipla, Parkinson e Alzheimer. E infelizmente estamos perdendo terreno com muita velocidade, à medida que aumenta a incidência dessas condições em nossa sociedade.

Vejamos alguns números. Nos dez países mais ricos do Ocidente, as mortes por doenças cerebrais em geral, reflexo em grande parte das mortes por demência, sofreram um grande aumento nos últimos vinte anos. E os Estados Unidos estão na liderança. Na verdade, um relatório publicado no Reino Unido em 2013 mostra que nos Estados Unidos, desde 1979, as mortes em razão de problemas no cérebro aumentaram espantosos 66% nos homens e 92% nas mulheres. Segundo o autor principal do estudo, o professor Colin Prichard, "Essas estatísticas se referem a pessoas e famílias de carne e osso, e precisamos [reconhecer] a existência de uma 'epidemia' que tem clara influência de alterações sociais e ambientais". Os pesquisadores também observaram o forte contraste entre esse aumento, que afeta pessoas cada vez mais jovens, e uma importante redução no risco de morte por todas as demais causas.

Em 2013, o New England Journal of Medicine publicou um relatório segundo o qual os americanos gastam 50 mil dólares por ano por paciente com demência que necessita de cuidados. Isso representa aproximadamente 200 bilhões de dólares por ano, o dobro do que se gasta no cuidado a pacientes cardíacos e quase o triplo do que se gasta no tratamento de pacientes de câncer.

Transtornos de humor e ansiedade também estão em alta, e podem ter um efeito tão prejudicial na qualidade de vida quanto as demais condições neurológicas. Cerca de um em quatro americanos adultos - mais de 26% da população - sofre de um transtorno mental diagnosticável. Transtornos de ansiedade afligem mais de 40 milhões de americanos, e cerca de 10% da população adulta americana tem um transtorno de humor para o qual se receitaram medicamentos poderosos. A depressão, que afeta uma em cada dez pessoas (inclusive um quarto das mulheres na casa dos quarenta e cinquenta anos), passou a ser a principal causa de incapacidade no mundo inteiro, e o número de diagnósticos tem crescido a uma taxa alarmante. Medicamentos como o Prozac e o Zoloft estão entre os mais receitados nos Estados Unidos. Veja bem, são drogas que tratam os sintomas da depressão, e não as causas, que são solenemente ignoradas. Em média, uma pessoa com um problema mental grave, como a desordem bipolar e a esquizofrenia, morre 25 anos mais cedo do que a população em geral (em parte, isso se deve ao fato de que são indivíduos que, além desses problemas mentais, têm maior propensão ao fumo, ao alcoolismo, ao uso de drogas, ao sobrepeso e às doenças relacionadas à obesidade).

As cefaleias, entre elas a enxaqueca, estão entre as desordens mais comuns do sistema nervoso; cerca de metade da população adulta se vê às voltas com pelo menos uma dor de cabeça por mês. E elas são mais que um inconveniente; estão associadas a incapacidade, sofrimento pessoal, perda de qualidade de vida e custos financeiros. Tendemos a pensar na dor de cabeça como um incômodo pouco dispendioso, sobretudo pelo fato de haver muitos medicamentos para tratá-la a um custo relativamente baixo e acessível (por exemplo, a aspirina, o acetaminofeno e o ibuprofeno), mas, segundo a Fundação Nacional para a Dor dos Estados Unidos, ela causa a perda de mais de 160 milhões de dias de trabalho por ano no país e resulta em despesas médicas da ordem de 30 bilhões de dólares anuais.

Estima-se que a esclerose múltipla, uma doença autoimune incapacitante, que perturba a capacidade de comunicação do sistema nervoso, afete atualmente 2,5 milhões de pessoas no mundo inteiro, das quais quase 500 mil nos Estados Unidos, e sua prevalência só tem feito aumentar. O custo médio total por pessoa do tratamento de quem sofre de esclerose múltipla ultrapassa 1,2 milhão de dólares. Segundo a medicina convencional, não há cura à vista.

Há ainda o autismo, que se multiplicou por sete ou oito nos últimos quinze anos, o que representa uma verdadeira epidemia contemporânea.

É bem verdade que centenas de milhões de dólares têm sido gastos na luta contra estes e outros males que debilitam o cérebro. Mesmo assim, o progresso é mínimo.

Agora a boa notícia: novas descobertas de ponta da ciência, vindas de instituições das mais respeitadas no mundo, mostram que, em grande parte, a saúde do cérebro (e, do mesmo modo, suas doenças) depende daquilo que ocorre no intestino. É isso mesmo: o que está acontecendo nele agora é determinante do risco de diversas condições neurológicas. Sei bem que pode ser difícil reconhecer isso; se você pedir a seu médico uma cura conhecida para o autismo, a esclerose múltipla, a depressão ou a demência, ele vai balançar a cabeça e dizer que não existe nenhuma - e talvez nunca venha a existir.

É aí que eu discordo da maioria, mas felizmente não de todos os meus colegas. Nós, neurologistas, somos treinados para prestar atenção naquilo que ocorre no sistema nervoso, e mais especificamente no cérebro, de uma forma míope. Acabamos por enxergar outros sistemas do corpo, como o trato gastrointestinal, como órgãos à parte, totalmente desprovidos de relação com o que ocorre no cérebro. Afinal de contas, quando você sente dor de barriga, não procura um cardiologista nem um neurologista. Todo o campo da medicina se caracteriza por disciplinas separadas, divididas por partes do corpo ou sistemas individuais. A maioria dos meus colegas diria: "O que acontece no intestino fica no intestino".

É um ponto de vista completamente desconectado da ciência atual. O sistema digestivo está intimamente conectado àquilo que ocorre no cérebro. E talvez o aspecto mais importante relacionado ao intestino, aquele que tem tudo a ver com seu bem-estar e sua saúde mental, é sua ecologia interna - os diversos micro-organismos que vivem nele, e em especial as bactérias.

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AMIGOS DA MENTE
AUTOR David Perlmutter
EDITORA Paralela
QUANTO R$ 32,90 (preço promocional *)

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques.

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