da Livraria da Folha
| Divulgação/Editora Objetiva |
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| No livro, Tremendão se mostra tão à vontade no texto quanto nos tempos da Jovem Guarda |
"Minha Fama de Mau", a autobiografia do Tremendão, conta um dos episódios mais inusitados da história da mídia brasileira. No livro, Erasmo Carlos reuniu essa e outras passagens, memórias que agora estão disponíveis aos fãs.
Disponível apenas em edição de bolso
Na década de 1960, Erasmo passou a ser assediado por telefone. Depois de conseguir o número e o endereço da garota responsável pelo trote, decidiu ir à forra. Se você, jovem internauta, pensa que sabe "trollar"*, aprenda a arte com um verdadeiro mestre.
Leia, abaixo, um trecho do exemplar que relata o caso da "maníaca dos trotes".
* Trollar: termo --cujo nome deriva de um monstro brutal da mitologia nórdica, o troll-- usado na internet para designar o ato deselegante de zombar e/ou provocar discussões/tumulto/discórdia.
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A MANÍACA DOS TROTES
| Arte |
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Pouco tempo depois da minha ida ao Pequeno Mundo de Ronnie Von, minha vida se tornaria um tormento. Todos os dias, exatamente à uma da tarde, escorada no anonimato, uma fã telefonava para mim e, por pura sacanagem, prendia a linha. Era um saco! A maluca cada dia dava um nome diferente e a lenga-lenga seguia mais ou menos assim:
- Alô, meu gostosão... Hoje vou me chamar Sandra. Minha mãe já foi trabalhar e cheguei agora da escola. Vamos conversar? Ah, não tá a fim? Então fique ouvindo a minha vida.
E aí, passava a conversar com a empregada, cúmplice do terrorismo. Ela ria, cantava músicas da Jovem Guarda, falava dos artistas e até colocava discos. Maios ou menos às quatro, ela se despedia dizendo que ia espalhar os livros, para que a mãe pensasse que a filhinha dela estava estudando:
- Amanhã eu volto, hein? Bye.
Nos primeiros dias, eu tentei levar numa boa a brincadeira, sendo educado e até carinhoso. Mas, aos poucos, fui perdendo a paciência. Conforme os dias se passavam e o martírio persistia, pedi ajuda à companhia telefônica para que identificassem o número do trote e tomassem as devidas providências. Nada foi feito e a aporrinhação continuou.
Estava ficando louco. Não adiantava xingar, fazer ameaças e muito menos desligar, porque nada se alterava. Ao dar um tempo e pegar o telefone de novo, lá estava ela na linha, se divertindo com risadinhas, cochichos e provocações. Um dia Lúcia, outro Regina, Sueli, Rosa, Cristina...
Na época, eu fazia um diário na Radio Jovem Pan e precisava me comunicar com o discotecário antes de sair de casa, para providenciarmos o repertório. Com a impossibilidade de usar o telefone, era obrigado a sair mais cedo de casa, chegar correndo no estúdio e selecionar as músicas pessoalmente. Ficava indignado, o que me levou a desabafar com meus ouvintes no ar sobre a maluca que estava infernizando minha vida e destruindo minha rotina. Ar cartinhas furiosas começaram a chegar e a fã desconhecida virou vilã.
Mais ou menos no 15º dia do nhém-nhém-nhém, minha divulgadora Edi Silva chegou esbaforida e me deu a notícia:
- Erasmo, descobri quem é a pestinha que te azucrina todos os dias. Já estou com o telefone e o endereço dela. E tem mais: foi ela quem jogou o ovo no Ronnie Von, naquela vez que você foi ao programa dele!
Era o meu 13 de maio, dia da abolição da minha escravatura. Foi a empregada da pilantrinha, obrigada a ser coadjuvante da palhaçada, que contou tudo para a Edi.
Tudo aconteceu muito rápido: confirmei as informações, liguei para a dita cuja, que ficou surpresa em ouvir minha voz, mandei que ela ligasse o rádio na Jovem Pan e fui fazer o programa. Contei a história do ovo no ar, dei o nome, endereço e telefone da menina, dediquei músicas para o inferno que ela iria viver e me despedi cheio de moral.
Nem três minutos se passaram e os telefonemas começaram a chover na rádio. Os troncos na central telefônica ficaram congestionados. A todo momento chegavam recadinhos solidários das fãs da Jovem Guarda pelo fim do meu sufoco e mensagens dos fãs de Ronnie, ensandecidas, condenando o episódio do ovo. Alguém chegou anunciando o pior: a casa da menina estava cercada pelas duas facções, a de Ronnie e da Jovem Guarda. Todos gritando palavrões e ameaçando linchamento.
*
"Minha Fama de Mau"
Autor: Erasmo Carlos
Editora: Objetiva
Páginas: 360
Quanto: Esgotado - Disponível apenas em edição de bolso
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha
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