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| Ian Kershaw escreve sobre o processo da tomada de decisões |
O historiador inglês Ian Kershaw, especialista na Alemanha do século 20 e autor da biografia "Hitler", analisa os meses mais importantes da Segunda Guerra Mundial em "Dez Decisões que Mudaram o Mundo (1940-1941)".
Também publicado pela Companhia das Letras --com desconto especial em comemoração aos 25 anos da editora--, o livro elenca as determinações de cúpula que transformaram a história do período, como a entrada dos Estados Unidos e da Itália no conflito.
O leitor encontrará, em cada um dos dez capítulos, o longo caminho das decisões e a rede de estratégias diplomáticas envolvidas em cada caso, além de descrever os atores políticos e militares do processo.
Kershaw é uma das maiores autoridades no assunto, foi professor de história contemporânea na Universidade Sheffield, na Inglaterra, e consultor da rede BBC. No Brasil, o exemplar foi traduzido por Celso Mauro Paciornik, Berilo Vargas, Fernanda Abreu e Clóvis Marques.
Leia um trecho.
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Atenção: o texto reproduzido abaixo mantém a ortografia original do livro e não está atualizado de acordo com as regras do Novo Acordo Ortográfico. Conheça o livro "Escrevendo pela Nova Ortografia".
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Prefácio
A Segunda Guerra Mundial remodelou de tal modo o século XX que seus efeitos repercutem até hoje. E essa guerra - a mais pavorosa da história - tomou forma, em grande parte, em algumas escolhas fatídicas feitas pelos líderes das maiores potências do mundo em meros dezenove meses, entre maio de 1940 e dezembro de 1941. Esses dois pensamentos estão subjacentes aos capítulos a seguir.
Quanto mais o século XX se aproximava de seu fim, mais se tornava evidente que seu período definidor havia sido o da Segunda Guerra Mundial. Evidentemente, a Primeira Guerra Mundial foi a "catástrofe original". Ela abalou regimes políticos (os impérios russo, austríaco e otomano desmoronaram quando ela surgiu), destruiu economias e deixou uma marca profunda nas mentalidades. Mas as sociedades e estruturas políticas altamente instáveis e voláteis que surgiram depois dela se revelaram de curta duração. O imenso custo social, econômico e político da carnificina de quatro anos aparentemente sem sentido implicou que uma nova grande conflagração não só era bastante provável como foi se tornando gradativamente inevitável. A Segunda Guerra Mundial foi, de maneira óbvia, o assunto não resolvido da Primeira. Mas esse segundo grande conflito foi não só ainda mais sangrento - custou quase 50 milhões de vidas, de quatro a cinco vezes o custo estimado de mortes da guerra de 1914-8 -, como mais verdadeiramente global; foi também mais profundo em suas conseqüências duradouras e na reconfiguração das estruturas de poder mundiais.
Tanto na Europa como no Extremo Oriente, as pretensões anteriores ao poder - as de Alemanha, Itália e Japão - ruíram na voragem de destruição. Uma combinação de falência nacional e movimentos anticoloniais renascidos decretou o fim do império mundial da Grã-Bretanha. A China de Mao foi a primeira herdeira da morte do Japão e dos levantes no Extremo Oriente dilacerado pela guerra. E, acima de tudo, as duas novas superpotências, Estados Unidos e União Soviética, nenhuma delas muito super antes de 1939, agora se ombreavam com arsenais nucleares numa Guerra Fria que duraria até a última década do século. A constelação de poder deixada pela Segunda Guerra Mundial não conduziu a um terceiro conflito catastrófico - para surpresa e alívio de muitos contemporâneos dos primeiros anos da Guerra Fria -, mas forneceu o arcabouço para a recuperação de fênix tanto do continente europeu como do Extremo Oriente, tendo como locomotivas econômicas, espantosamente, os países derrotados Alemanha (ao menos sua metade ocidental) e Japão. Foi somente com o final imprevistamente pacífico (no geral) do bloco soviético em 1989-91 que o mundo entrou em seu período pós-pós-guerra. O impacto da Segunda Guerra Mundial foi, portanto, imenso, duradouro e definidor.
A Segunda Guerra Mundial também legou à humanidade uma palavra nova, horrível, que passou a ser vista, cada vez mais, como uma característica definidora do século: genocídio.
E, embora não tenha sido, nem de longe, o único exemplo desse século sombrio, o evento que veio a ser conhecido posteriormente como "o Holocausto" - a tentativa planejada da Alemanha nazista de exterminar 11 milhões de judeus, um projeto genocida sem precedentes na História - deixou a marca mais duradoura e fundamental para as décadas futuras. Em termos de política de poder, o legado do Holocausto assegurou, e deu legitimidade a, a fundação do Estado de Israel, apoiado por boa parte do mundo, mas ferozmente atacado pelos vizinhos do novo país que haviam perdido terras, e levando inevitavelmente a uma agitação interminável e mesmo crescente no Oriente Médio, com enormes implicações para o resto do mundo. E, em termos das mentalidades, a preocupação crescente com o Holocausto, quanto mais ele recua na história, afetou profundamente as visões sobre raça, etnia e tratamento de minorias. O contexto do extermínio dos judeus havia sido a Segunda Guerra Mundial. Mas, mais do que apenas contexto, o extermínio dos judeus foi uma parte intrínseca do esforço de guerra alemão. Esse componente genocida integrante da Segunda Guerra veio a exercer um papel cada vez mais importante na configuração da consciência histórica nas décadas subseqüentes.
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" Dez Decisões que Mudaram o Mundo (1940-1941)"
Autor: Ian Kershaw
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 704
Quanto: R$ 36,00 (preço promocional*)
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha
* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques. Não cumulativo com outras promoções da Livraria da Folha. Em caso de alteração, prevalece o valor apresentado na página do produto.
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