Saltar para o conteúdo principal
 
16/01/2014 - 14h15

Leia trecho da biografia de Lionel Messi

da Livraria da Folha

A biografia "Messi", escrita pelo jornalista italiano Luca Caioli, acompanha a trajetória do garoto frágil que saiu do interior da Argentina para se tornar uma lenda do futebol mundial. Abaixo, leia um trecho.

*

Rosário

Divulgação
A história do menino que deixa o interior da Argentina para se tornar ídolo na Europa
Menino que deixou a Argentina e se tornou ídolo do futebol mundial

"Compro coxão mole ou contrafilé. São cortes que já vi em Barcelona, mas não sei como os chamam por lá. Em cada bife coloco um pouco de sal, passo pelo ovo batido e pela farinha de rosca. Frito bem até ficarem douradinhos e coloco num prato no forno. Corto a cebola bem fininha e faço o refogado. Quando a cebola amoleceu, acrescento extrato de tomate, um pouco de água, sal, orégano e uma pitada de açúcar. Deixo no fogo por uns vinte minutos. Depois de feito o molho, coloco por cima de cada bife, cobrindo bem. Tiro da geladeira um cream cheese ou um pedaço de queijo e coloco com a colher ou corto fatias finas sobre os bifes. Deixo no forno até derreter o queijo. Só falta fritar as batatas que acompanham e a milanesa à napolitana está pronta para servir."

Celia descreve, com a paixão e a experiência de uma boa cozinheira, o prato favorito de seu filho, Lionel Messi.

"Quando vou a Barcelona preciso preparar duas ou três vezes por semana. E os bifes, médios, ele come três, no mínimo. Eu brinco com ele e digo 'é a minha milanesa à napolitana e o meu mate que fazem com que você marque tantos gols'." Lionel tem gostos gastronômicos simples: bife à milanesa - só que sem presunto nem a cavalo (dois ovos fritos por cima) -, frango com molho de pimentão e cebola, tomate com orégano. Não gosta muito dos pratos elaborados, como os que cozinha o ir mão dele, Rodrigo. Porém, já se sabe que Rodrigo é cozinheiro e
seu sonho é abrir em algum momento um restaurante. É lógico que experimente e prove novas receitas, embora o irmão mais novo nem sempre aprecie. Guloso? "Sim, Leo adora chocolate e alfajores, quando vamos à Espanha precisamos levar muitas caixas para ele ter sempre uma boa reserva." Reza a lenda que, na infância, quando um treinador prometeu um alfajor por gol marcado, ele conseguiu devorar oito numa partida só. Uma verdadeira loucura.

Diante de um café com leite no La Tienda, café na Avenida San Martín de Rosário, a mãe do número 10 do Barça fica feliz em falar desse filho conhecido no mundo inteiro. Cabelo preto, um sorriso delicado e certos traços no rosto que lembram Leo (embora ela ria e diga que ele se parece em tudo com o pai), Celia María Cuccittini Oliveira de Messi tem uma voz suave. Enquanto fala, muitas vezes procura sua irmã Marcela com o olhar, sentada bem à frente dela. A mais nova da família Cuccittini também é mãe de jogadores de futebol: Maximiliano joga no Vitória, da Bahia; Emanuel joga no Olimpia, do Paraguai; e Bruno frequenta a escola de futebol Renato Cesarini, de onde saíram jogadores como Fernando Redondo e Santiago Solari. Marcela Cuccittini de Biancucchi é a madrinha de Leo e sua tia preferida. Quando volta a Rosário, é na casa dela que Leo se refugia. "Precisamos ir pegá-lo ou ligar para saber algo sobre ele, mas, claro, a minha irmã o mima", diz Celia. "E logo chega Emanuel, eles são inseparáveis." Quando pequenos nunca paravam de jogar bola. "Eram cinco meninos: os três meus, Matías, Rodrigo e Leo, e os dois da minha irmã, Maximiliano e Emanuel. Aos domingos, quando íamos na casa da minha mãe, antes do almoço, todos saíam para jogar na rua", lembra Celia. Eram partidas disputadas, futebol, futetênis, e muitas vezes Leo voltava para casa chorando porque tinha perdido ou porque os mais velhos tinham passado a perna nele.

"Exato, outro dia Maxi estava me lembrando dessas partidas e dizia que, quando todos voltarem a se encontrar aqui em Rosário, tem vontade de jogar um Messi contra Biancucchi, para relembrar os velhos tempos", acrescenta Marcela.

E as lembranças nos trazem à avó Celia: seus deliciosos manjares, a massa, as reuniões familiares aos domingos e a paixão pelo futebol. "Era ela que acompanhava os garotos nos treinos. Era ela que insistia para que deixassem o meu Lionel jogar embora não tivesse idade, mesmo sendo o menorzinho e pequeninho. Porque", diz Celia, "sempre foi pequeno. Tinham medo de pisar nele, de machucá-lo, mas ela não, insistia: 'Passem para o Lionel, passem para o menino, ele sim que faz gol'. Foi ela quem nos convenceu a comprar as chuteiras. É uma pena que hoje não possa vê-lo. Morreu quando Leo tinha dez anos, mas quem sabe se, lá de cima, onde ela estiver, não está vendo no que ele se transformou e não está feliz por esse neto que tanto amava?"

Mas como Leo começou a jogar futebol, com quem aprendeu, de onde vem tanta habilidade, é genético? "Não sei, do pai dele, de seus irmãos, de seus primos. Na família, sempre gostamos de futebol. Eu também sou apaixonada. Meu ídolo? Maradona. Vivi com muita paixão sua carreira, seus gols. Era bárbaro o que ele fazia no campo. Quando o conheci, eu disse: 'Espero que o meu filho um dia seja um bom jogador e que você possa treiná-lo'. E veja só..."

Uma pausa na narrativa: o celular, sobre a mesa, começa a tocar. Celia pede desculpas, se afasta e atende. Enquanto isso, Marcela volta ao pequeno Leo: "Era incrível, ele não tinha nem cinco anos e já brincava com a bola como ninguém. Gostava muito, não parava. Chutava cada uma contra o portão de casa, muitas vezes os vizinhos pediam para ele parar um pouco". Celia desliga o celular, senta e assente com a cabeça. "O pior castigo com o qual eu podia ameaçar Leo era: hoje você não vai ao treino. 'Não, mãezinha, por favor, vou fazer tudo certinho, não se preocupe, eu juro... me deixa jogar.' Suplicava e insistia até me convencer. Leo não era um menino teimoso nem preguiçoso, sempre foi um bom menino, caladinho e tímido, como ainda é hoje."

É mesmo? "Sim, realmente. Ele não se dá conta da sua fama. Quando volta a Rosário quer vir passear por aqui, pela Avenida San Martín, com o primo Emanuel. Quando falamos para ele que isso não é possível, que aqui as pessoas do bairro ao vê-lo ficam eufóricas e não o deixariam dar nem dois passos, ele fica de mau humor. Não consegue entender, fica bravo. Em Barcelona, ele costuma ir à loja de departamentos El Corte Inglés de tênis e roupas esportivas. O Ronaldinho muitas vezes tirava sarro e perguntava se ele não estava louco, de sair assim para passear. Ele não tem consciência de quem é. Por isso, ser famoso, dar autógrafos ou tirar fotos com os fãs não o incomoda."

Nas paredes do bar há camisetas de jogadores argentinos. Numa moldura de cristal está também a de Leo, com o número 30 do Barcelona. "Não sabem que sou a mãe dele, mesmo morando no bairro", comenta Celia, uma mulher que foge da fama, muito consciente dos riscos que traz a celebridade, e que tem claras as prioridades na sua vida e na de seus filhos. Porém, como se sente sendo a mãe de um craque? "Orgulhosa, muito orgulhosa. Abrir o jornal e ler, tanto aqui quanto na Espanha, uma matéria sobre ele e ver pendurada a camiseta com seu nome, ou as crianças que a usam... me dá muito orgulho. Da mesma forma, machuca escutar críticas sobre seu jogo ou notícias falsas sobre a vida dele. Mexe no mais profundo da alma e dói quando alguém liga e diz: viu isso, viu aquilo? Leo? Poucas vezes lê o que escrevem sobre ele. Se fica sabendo, não dá bola. Porém, isso não quer dizer que não tenha passado por períodos muito duros. Também teve seus baixos, quando se lesionou, ficou fora dos campos por meses, ou quando as coisas não saem como ele quer. Eu, nesses momentos, não penso duas vezes, pego as malas e vou para Barcelona, para ver o que está acontecendo, para estar perto dele, para cuidar dele o melhor que puder. Leo sempre foi um menino que guarda os problemas para si, porém, ao mesmo tempo, sempre foi muito maduro para sua idade. Lembro que, quando manifestamos a possibilidade de voltar para a Argentina, ele me disse: 'Mãe, não se preocupe, eu fico, vão vocês, Deus vai nos ajudar'. Ele tem muita força de vontade."

[...]

*

MESSI
AUTOR Luca Caioli
EDITORA L&PM Editores
QUANTO R$ 26,90 (preço promocional*)

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques.

 
Voltar ao topo da página