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23/06/2017 - 11h24

Nazistas chegaram ao poder por meios legais

da Livraria da Folha

Divulgação
Capa do livro "O Livro de Ouro das Revoluções"
Capa do livro "O Livro de Ouro das Revoluções"

Analisando mais de 20 eventos revolucionários e as ligações entre eles, "O Livro de Ouro das Revoluções" procura responder a diversas questões sobre como funcionam as revoluções e os papeis que elas desempenham ao desafiar a aparente estabilidade de Estados e sociedades.

Lançada pela HarperCollins, a edição faz um retrato dos movimentos políticos que mudaram a história da humanidade.

Escrito por Mark Almond, professor na Stanford University e palestrante em história moderna na Oxford University, o livro cobre boa parte da história mundial contextualizando as revoluções de um período que vai desde 1585 até o início do século 21.

Com páginas recheadas de fotografias históricas, a obra passa pelas Revoluções Americana de 1776, Francesa de 1789 e Russa de 1917, até golpes e levantes em países como Argélia, Irã, Afeganistão, Sérvia, África do Sul, Cuba e Chile.

A narrativa aborda sistemas políticos como o nazismo e sua derrocada na Alemanha assim como a desintegração do comunismo na antiga União Soviética e na Europa Oriental.

Leia abaixo um trecho de "O Livro de Ouro das Revoluções" que explica como os nazistas chegaram ao poder na Alemanha em 1933.

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Alemanha, 1933

Em 30 de janeiro de 1933, Adolf Hitler foi designado chanceler da Alemanha. Embora completamente legal, o evento representou a culminação de uma tendência concentrada de contrarrevolução. Hitler e seu Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães não só eram violentamente anticomunistas, mas também rejeitavam abertamente a herança da Revolução Francesa com sua Declaração dos Direitos do Homem. Após os nazistas se instalarem, seu ministro da Propaganda, Dr. Josef Goebbels, anunciou: "O Ano de 1789 está a partir daqui erradicado da história." Isto implicava que os ideais universalistas de direitos humanos e igualdade da Revolução Francesa tinham sido substituídos pela visão racista e elitista dos nazistas.

Uma contrarrevolução racista

A chegada dos nazistas ao poder foi o prelúdio para uma tentativa de doze anos de uma contrarrevolução racista que mergulhou a Europa e depois o mundo na mais destrutiva guerra da história. As metas ideológicas radicais de Adolf Hitler eram pouco compreendidas antes de 1933, e mesmo os paralelos entre sua ascensão ao poder e a de Mussolini na Itália eram geralmente desprezados. Hitler foi subestimado tanto pelos seus rivais domésticos quanto por grupos de direita que esperavam usar o movimento nazista para servir a seus próprios fins.

Relembrar a época que antecedeu o assim chamado Terceiro reich (império) ajuda a explicar como grupos-chave na sociedade alemã antes de 1933 colaboraram com os que ignoraram os perigos representados pelos nazistas de Hitler. Tal como outros movimentos de cunho fascista, o Partido Nazista, paramilitar e radicalmente de direita, emergira nas condições do pós-guerra de 1919, quando a derrota significou perda territorial, perturbação econômica e ressentimento amargo para milhões de alemães. Ele próprio um ex-soldado da frente de combate, Adolf Hitler, como muitos outros, sentia que as dificuldades de pós-guerra da Alemanha após 1919 tinham sido causadas pelas injustiças do Tratado de Versalhes e a traição dos interesses nacionais pelos políticos democratas e esquerdistas que o haviam aceitado. Mas Hitler também soube como manipular a confusão e o ressentimento dos seus contemporâneos, convencendo-os a aceitar o racismo extremo e ideias agressivas.

Tendo fracassado em tomar o poder no Putsch da Cervejaria, em 1923, Hitler adotou o caminho da legalidade, e seu Partido Nazista participou das eleições. Poucos compreenderam o quão cinicamente os nazistas pretendiam explorar o que Goebbels chamava de "arsenal da democracia" para destruí-lo. Se os parlamentares lhe dessem imunidade contra prisão e viagens ferroviárias grátis, então Hitler e seus camaradas usariam isto para promover sua própria agenda radical, que envolvia a abolição da democracia e da regulação da lei.

Até a Grande Depressão em 1929, Hitler, uma figura cômica militarista, e suas ambições ditatoriais pareciam motivo de riso para os rivais. Mas no espaço de um ano de queda da atividade econômica, os quase sete milhões de desempregados estavam dando ouvidos à mensagem de Hitler. Em 1930, os nazistas se tornaram o segundo partido com 18% dos votos; em meados de 1932 eles eram o maior, com 37%.

Impelidos ao desespero pelo aprofundamento constante da crise econômica, outros se voltara, para o Partido Comunista. Em 1932, mais da metade do eleitorado alemão votou pelos dois partidos antidemocráticos, o que lhes deu uma maioria paralisante no Reichstag (parlamento alemão). Nenhuma lei podia ser votada sem a concordância desses representantes, e eles concordavam muito pouco. Tanto nazistas quanto comunistas esperavam beneficiar-se da tensão e do desespero crescentes. O aniquilamento eleitoral dos partidos moderados e o encolhimento dos social-democratas, antigamente o bastião democrático da República de Weimar, pavimentaram o caminho para o colapso da democracia.

Os nazistas acumularam mais apoio por causa de sua combinação de promessas para pôr fim ao desemprego e sua engenhosa capacidade de explorar o ressentimento do povo alemão com o Tratado de Versalhes, enquanto os comunistas pareciam a muitos por demais pró-russos e antipatriotas. Hitler veio a ser um orador público carismático que podia extrair uma extraordinária resposta emocional e agressiva da sua plateia; O rádio e depois os cinejornais forneceram a Hitler os meios de comunicação que ele podia explorar para passar sua mensagem. Os políticos democráticos pareciam desnorteados ao lidar com a Depressão e eram incapazes de controlar a atmosfera de guerra civil iminente gerada pelas tropas de choque uniformizadas nazistas, as SA, que lutavam para controlar as ruas da Alemanha contra paramilitares comunistas.

Com suas fileiras de SA e milhões de votantes, Hitler estava perto de alcançar o posto supremo, mas uma vez que seu apoio carecia de uma maioria parlamentar, ele precisava de ajuda fora do Partido Nazista para transpor a soleira da Chancelaria do Reich. Um pequeno grupo de aristocratas manipuladores em torno do idoso presidente von Hindenburg representou um papel vital em arranjar uma indicação legal de Hitler como chanceler no final de janeiro de 1933. Empresários também foram reassegurados de que a palavra "socialista" no título do partido nazista não significava expropriação da propriedade privada.

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O LIVRO DE OURO DAS REVOLUÇÕES
AUTOR Mark Almond
EDITORA HarperCollins
QUANTO R$ 34,90 (preço promocional*)

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques.

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