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13/07/2011 - 19h00

"Os Redentores" examina habilidade teatral de políticos

da Livraria da Folha

Divulgação
Convida o leitor a conhecer o universo cultural latino-americano
Convida o leitor a conhecer o universo cultural latino-americano

Há algum tempo, analistas apontam que a política é uma espécie de teatro. A partir do século 20, tornou-se uma atividade com requintes cinematográficos. Em "Os Redentores", Enrique Krauze apresenta um panorama de ideias políticas e culturais, de José Martí a Hugo Chávez.

Ronald Reagan, nos debates televisionados na década de 1980, mostrou o quanto a interpretação pode ser a melhor arma para se convencer a população. O cubano Guillermo Cabrera Infante, escritor exilado de seu país, considerava Fidel um "mestre do monólogo". A chinesa Jiang Qing, atriz de pouco sucesso que atuou em filmes de baixo orçamento, se destacou na política. Eva Perón sonhava em ser estrela de Hollywood e interpretar Maria Antonieta.

No capítulo "Eva Perón: A Madona dos Descamisados", o autor relata as ambições artísticas de Evita e como ela se destacou no rádio, com um tom melodramático, trêmulo, honesto e sofredor que cativou os argentinos.

"Tudo começou com o impacto que Hollywood em uma jovem que vivia na pobreza em Junín, uma pequena cidade provençal da Argentina. Ela lia a revista "Sintonia" e colecionava fotos de Norma Shearer. A garota havia visto Shearer desempenhar o papel de Maria Antonieta. Sonhava em ser a estrela de um filme americano, representar o mesmo papel e ouvir o rufar dos tambores na guilhotina. A garota não tinha recursos, não tinha educação, nem sequer dotes físicos particulares além de uma pele lisa e translúcida como o alabastro. Embora praticasse diligentemente uma espécie de recitação escolar de poesia, sua dicção era dolorosamente deficiente."

Amante das joias, quando morreu em 1952, o tesouro de Evita continha 1.200 broches, três lingotes de platina, 756 peças de ouro e prata, 144 broches de marfim, outra centena de diamantes, colares e relógios de ouro maciço. Somados, estima-se que o valor desses pertences superava dezenas de milhões de dólares.

Com mais de 600 páginas e sem os fogos de artifício "politicamente incorretos", o exemplar é uma coletânea de ensaios biográficos e intelectuais de 12 personalidades cujos pensamentos e ações moldaram a identidade latino-americana. Uma obra para quem quer entender questões da América Latina que estão além da conversa de bar.

Krauze, que participou da Flip deste ano, é jornalista, ensaísta e historiador. Editou a revista literária "Vuelta", atualmente dirige "Letras Libres", no México e na Espanha, colabora com "El País" e "The New York Times", além de lecionar como professor convidado na Universidade de Oxford.

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