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09/01/2018 - 11h22

Romance acompanha trajeto de cadeirante gay em cidade pouco acessível

WILLIAM MAGALHÃES
da Livraria da Folha

Divulgação
Trajeto de personagem cadeirante é acompanhado por viagem interna que revela traços de sua personalidade e vivência
Trajeto de personagem cadeirante é acompanhado por viagem interna que revela traços de sua personalidade e vivência

Um homem - negro, cadeirante e gay - cruza a cidade do Rio de Janeiro e atravessa de balsa a Baía de Guanabara para chegar a outro canto da cidade. Este é o ponto de partida de "Enquanto os Dentes", romance de estreia de Carlos Eduardo Pereira publicado pela editora Todavia.

O objetivo de Antônio, o protagonista, é chegar à casa dos pais, que deixou há 20 anos. Com a narração em terceira pessoa, acompanhamos o percurso do personagem e os obstáculos de uma cidade pouco acessível.

Em um movimento cíclico, como o de uma roda, de tempos em tempos a narrativa é tomada por cenas do passado que revelam sobre a vivência e os traumas de Antônio.

A conturbada relação com o pai, a rigidez da escola da Marinha, a descoberta da sexualidade e o fim de um relacionamento amoroso são alguns dos momentos que são recordados ao longo do trajeto.

Foram pouco mais de dois anos para a história ficar pronta, conta Carlos Eduardo Pereira em entrevista à Livraria da Folha em evento de lançamento do livro, que aconteceu na sede da editora no final de 2017.

A literatura entrou na sua vida, "como terapia", conta. Começou escrevendo um blog, mas ao invés de relatar o que estava acontecendo, "tinha a mania de ficcionalizar" o que escrevia.

Adotando o entendimento mais simples do que é autoficção - o de alguém que ficcionaliza fatos de sua vida - Carlos classifica o livro na categoria, frisando que a história do personagem não é a dele.

Assim como Carlos, o protagonista do romance é negro e cadeirante. Uma doença autoimune fez com que ele perdesse os movimentos das pernas. No livro, um acidente de carro acelera o avanço da neuromielite óptica - doença na qual o sistema imunológico ataca os nervos ópticos e a medula espinhal - de Antônio.

A homossexualidade do personagem e o relacionamento pouco amigável dele com os pais são outros elementos que distanciam criador e criatura.

Antes mesmo de começar a escrever, Carlos decidiu que o Antônio seria gay, por exemplo. "São pautas importantes na nossa sociedade. Acho que a gente tem que falar sobre essas coisas e de uma maneira que que se misture à vida da pessoa comum, do social mesmo. Não adianta eu aqui fazer um tratado sobre questões homoafetivas. Bota esse cara vivendo na vida comum em contato com as pessoas", diz o autor.

Sobre a rotina de trabalho, Carlos revela que procura escrever todos os dias. Considera mais fácil quando tem algum assunto ou projeto, ainda que não tenha um período exclusivo para isso. "Não tem muito horário quando você tem uma filha pequena de quatro anos", explica.

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ENQUANTO OS DENTES
AUTOR Carlos Edudardo Pereira
EDITORA Todavia
QUANTO R$ 35,90 (preço promocional*)

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques.

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