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14/10/2014 - 20h45

Em livros, biólogo descreve desastres ecológicos dos últimos milhões de anos

da Livraria da Folha

Edward Osborne Wilson, professor da Universidade Harvard há quase cinco décadas e um dos maiores nomes da biologia mundial, analisa os processos adaptativos responsáveis pela criação de novas espécies em "Diversidade da Vida".

No livro, o especialista em biodiversidade descreve os cataclismos que interromperam a evolução e empobreceram a diversidade nos últimos milhões de anos. Os cinco primeiros desastres ecológicos custaram entre dez e cem milhões de anos de reparação. O sexto, processo provocado pelo homem, pode ser irreversível.

Wilson também assina "A Criação: Como Salvar a Vida na Terra", "Biodiversidade" e "Land Mosaics: The Ecology of Landscapes and Regions", entre outros. Abaixo, leia trecho de "Diversidade da Vida".

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1. TEMPESTADE SOBRE A AMAZÔNIA

Divulgação
Wilson aponta indícios de que o planeta caminha para um colapso ambiental
Traz indícios de que o planeta caminha para colapso ambiental

NA BACIA AMAZÔNICA, a maior violência às vezes começa como uma luz vacilante além do horizonte. Lá, na redoma perfeita do céu noturno, sem o menor vestígio de luz produzida por fonte humana, uma tempestade lança seus sinais premonitórios e inicia uma lenta jornada até o observador, que pensa: o mundo está prestes a mudar. Assim foi certa noite na orla da floresta pluvial tropical ao norte de Manaus, onde, sentado no escuro, agitando a mente pelos labirintos da biologia de campo e da ambição, exausto, entediado, eu me sentia pronto para qualquer distração que se apresentasse.

Todas as noites após o jantar eu levava uma cadeira até uma clareira próxima para fugir do barulho e do mau cheiro do acampamento que dividia com trabalhadores florestais brasileiros num lugar chamado Fazenda Dimona. Ao sul, a maior parte da floresta havia sido derrubada e queimada para criar pastos. Durante o dia, o gado era apascentado no calor inclemente que rebatia da argila amarela; à noite, animais e espíritos espalhavam-se pela terra arruinada. Mais ao norte começavam as florestas úmidas virgens, um dos grandes espaços selvagens remanescentes do mundo, estendendo-se por quinhentos quilômetros antes de ir minguando em matas ripícolas nas savanas de Roraima.

Envolto numa escuridão tão completa que não conseguiria enxergar a minha própria mão se estendesse os braços, fui forçado a pensar sobre a floresta pluvial tropical como se estivesse sentado na biblioteca de casa com as luzes apagadas. A floresta à noite é uma experiência de privação sensorial a maior parte do tempo, negra e silenciosa como os salões mais recônditos de uma caverna. Lá fora há vida em previsível abundância. Toda a selva fervilha, mas de uma maneira que está, basicamente, além do alcance dos sentidos humanos. Noventa e nove por cento dos animais se orientam pelas trilhas químicas deixadas sobre a superfície, lufadas de cheiro lançadas no ar ou na água, e odores espargidos por pequenas glândulas ocultas e lançados contra o vento. Os animais são mestres desse canal químico, ao passo que nós somos idiotas. Porém, somos gênios do canal audiovisual, igualados nessa modalidade apenas por alguns poucos grupos (baleias, macacos, aves). E é por isso que aguardamos o amanhecer, enquanto eles esperam a noite cair. Mas, como visão e audição são os pré-requisitos evolutivos da inteligência, somente nós chegamos a refletir sobre coisas como as noites na selva amazônica e as modalidades sensoriais.

Vasculhei o chão com o facho da minha lanterna em busca de sinais de vida, e encontrei - diamantes! A intervalos regulares, distantes alguns metros uns dos outros, pontos intensos de luz branca faiscavam a cada volta da lâmpada. Eram reflexos dos olhos de aranhas da família Lycosidae, à caça de insetos. Quando as aranhas se petrificavam ao ser iluminadas, permitindo que eu me aproximasse delas de joelhos e as estudasse quase no mesmo plano, podia discernir uma ampla variedade de espécies por tamanho, cor e penugem. Percebi como sabemos pouco sobre essas criaturas da floresta pluvial tropical, e como me daria satisfação passar meses, anos, o resto da minha vida neste lugar até conhecer todas as espécies pelo nome e todos os detalhes de suas vidas. Espécimens magnificamente bem preservados em âmbar revelam que os licosídeos têm vivido na Terra pelo menos desde o início do Oligoceno, há 40 milhões de anos, e provavelmente muito antes. Hoje uma profusão de formas diversas espalha-se por todo o mundo: as aranhas à minha frente eram apenas uma diminuta amostra. Mas mesmo essas espécies que agora se viravam na argila amarela para me observar bastariam para dar sentido à vida de muitos naturalistas.

A Lua desaparecera, e apenas a luz das estrelas se discernia por entre as copas das árvores. Estávamos em agosto, na estação seca. O ar esfriara o suficiente para tornar a umidade agradável - o que, à maneira tropical, era tanto um estado mental quanto uma sensação física. Calculei que a tempestade estaria talvez a uma hora de distância. Pensei em entrar de novo na floresta com a lanterna para procurar novos tesouros, mas estava cansado demais com o trabalho do dia. Ancorei-me então na cadeira e, forçado a mergulhar em mim mesmo, acolhi com prazer o rastro luminoso de um meteoro no céu e os lampejos nupciais de besouros luminescentes emitindo sons metálicos em arbustos próximos porém invisíveis. Mesmo a passagem de um avião a jato, a 10 mil metros de altura, um evento regular todas as noites por volta das dez horas, eu aguardava com prazer. Uma semana na floresta pluvial tropical transformara o seu barulho distante de um irritante urbano em um sinal reconfortante da continuação da minha própria espécie.

Mas eu estava contente por me encontrar sozinho. A disciplina daquele envoltório escuro fazia brotar da floresta novas imagens de como os organismos de verdade são e agem. Precisei-me concentrar apenas por um segundo, e eles adquiriram vida como imagens eidéticas, por trás das minhas pálpebras fechadas, movendo-se por entre folhas caídas e húmus em decomposição. Fui selecionando assim minhas lembranças, querendo talvez encontrar algum padrão que não obedecesse à teoria abstrata dos livros didáticos. Teria me contentado com qualquer padrão. Ao contrário do que pretendem os livros didáticos, a melhor parte da ciência não está nos modelos matemáticos nem nos experimentos. Isso vem depois. O melhor da ciência emerge de um modo mais primitivo de pensar através do qual a mente do caçador vai tecendo ideias a partir de fatos velhos, metáforas novas e imagens confusas e semiensandecidas de coisas vistas recentemente. Avançar na ciência é elaborar novos padrões de pensar, que definirão por sua vez os modelos e os experimentos. Fácil de dizer, difícil de fazer.

A questão com a qual eu me debatia nessa noite, o motivo da minha viagem de pesquisas à Amazônia brasileira, tornara-se na realidade uma obsessão. E, como todas as obsessões, muito provavelmente um beco sem saída. Era como uma chara da favorita que continua a nos premir pois a sua própria intratabilidade torna-a perversamente agradável, como uma melodia conhecida e amada que toma conta da mente desguardada e não quer nos deixar. Eu esperava que alguma nova imagem me impelisse para além dessa charada estafante, para o outro lado, para ideias estranhas e fascinantes.

Peço que me aturem por um instante para eu explicar um pouco desse esoterismo pessoal; estou chegando à questão fundamental. Alguns tipos de plantas e animais são dominantes, proliferando novas espécies e disseminando-se por extensas regiões do mundo. Outros acabam acuados até se tornarem raros e ameaçados de extinção. Existiria uma única fórmula para essas diferenças biogeográficas entre os vários tipos de organismos? Esse processo, devidamente expresso, seria uma lei - ou pelo menos um princípio - de sucessão dinástica na evolução. Fiquei intrigado pelo fato de os insetos sociais, o grupo com o qual passei a maior parte da minha vida, estarem entre os organismos mais abundantes. E, dentre os insetos sociais, o subgrupo dominante é o das formigas. Há mais de 20 mil espécies de formigas, que se espalham desde o Círculo Ártico até o extremo meridional da América do Sul. Na floresta pluvial amazônica, elas constituem mais de 10% da biomassa animal. Isso significa que se fôssemos coletar e secar todos os animais de uma área da floresta, de macacos e aves até ácaros e nematoides, pelo menos 10% do peso seria de formigas. As formigas constituem quase metade da biomassa total dos insetos e 70% da biomassa dos insetos encontrados nas copas das árvores. São apenas ligeiramente menos abundantes nas pradarias, desertos e florestas temperadas do resto do mundo.

Pareceu-me nessa noite, como já parecera a muitos outros com maior ou menor grau de convicção, que a prevalência das formigas deve ter algo a ver com a sua avançada organização colonial. Uma colônia é um superorganismo, um conjunto de operárias tão estreitamente entretecidas em torno da rainha, que age como uma única entidade bem coordenada. Uma vespa ou outro inseto solitário, ao encontrar uma formiga operária em seu ninho, enfrenta mais do que apenas um outro inseto. Ela enfrenta a operária e todas as suas irmãs, unidas por instinto para proteger a rainha, assumir o controle do território e promover o crescimento da colônia. As operárias são pequenas camicazes, preparadas - ansiosas - para morrer em defesa do ninho ou obter o controle de alguma fonte de alimento. Suas mortes importam tanto para a colônia quanto a perda de um fio de cabelo ou a ponta de uma unha para um animal solitário.

Há uma outra maneira de encarar uma colônia de formigas. As operárias que forrageiam perto do seu ninho não são apenas insetos em busca de comida. São uma teia viva lançada por um superorganismo, uma teia pronta para se solidificar sobre algum estoque abundante de alimento ou recuar diante de inimigos mais formidáveis. Um superorganismo pode controlar e dominar o solo e o alto das árvores ao competir com organismos solitários comuns, e é certamente por isso que as formigas vivem em todos os lugares em tão grande número.

Ouvi ao meu redor o coro grego do treinamento e da cautela: como você pode provar que esta é a razão de serem dominantes? Fazer tal associação não é mais uma vez concluir precariamente que se dois eventos ocorrem juntos um tem de causar o outro? Algo inteiramente diferente pode ter causado ambos. Pense nisso. Que tal uma maior capacidade individual de luta? Ou sentidos mais aguçados? Ou o quê?

Esse é o dilema da biologia evolucionista. Temos problemas a resolver e temos respostas claras - um excesso de respostas claras. O difícil é escolher a resposta certa. A mente isolada move-se em círculos lentos, e os avanços são raros. A solidão é melhor para eliminar ideias do que para criá-las. Gênio é apenas a produção de muitos vinculada aos nomes de poucos para facilitar a lembrança, uma injustiça para tantos cientistas. Minha mente vagou nessa noite fora do tempo, sem nenhum porto de escala ainda escolhido.

A tempestade foi aumentando, enchendo de relâmpagos o céu a oeste. As nuvens de trovoadas foram criando um gigantesco monstro em câmera lenta que ia se espalhando pelo céu obscurecendo as estrelas. A floresta irrompeu numa simulação de vida violenta. Os raios começaram a cair à distância, e depois cada vez mais próximos, à esquerda e à direita, 10 mil volts percorrendo uma trilha ionizante a oitocentos quilômetros por hora, provocando um contrassurto para cima dez vezes mais rápido, do céu à Terra em uma fração de segundo, o todo percebido como um único clarão e um único estampido. O vento refrescou, e a chuva penetrou sorrateiramente a floresta.

No meio do caos, algo ao meu lado chamou-me a atenção. Os raios pareciam luzes estroboscópicas iluminando a orla da floresta tropical. A cada intervalo eu podia vislumbrar a sua estrutura estratificada: a abóbada superior a trinta metros do solo, árvores médias espalhadas irregularmente um pouco abaixo e, mais embaixo ainda, uma profusão de arbustos e pequenas árvores. A floresta permaneceu emoldurada por alguns instantes nessa ambiência teatral. Sua imagem se tornou surrealista, projetada na selva ilimitada da imaginação humana, lançada de volta no tempo cerca de 10 mil anos. Ali nas proximidades eu sabia que morcegos-de-ferradura estavam voando em meio à coroa das árvores em busca de frutos, víboras arborícolas enrolavam-se nas raízes de orquídeas, prontas para dar o bote, jaguares caminhavam pelas margens do rio. Em torno deles, oitocentas espécies de árvores, mais do que todas as nativas da América do Norte, e mil espécies de borboletas, 6% de toda a fauna do mundo, aguardavam o amanhecer.

A respeito das orquídeas desse lugar sabíamos muito pouco. Sobre as moscas e besouros, praticamente nada. Acerca dos fungos, nada. Nada a respeito da maior parte dos organismos. Cinco mil tipos de bactérias podiam ser encontrados numa pitada de solo, e a respeito delas não sabíamos absolutamente nada. O mesmo estado selvagem do século XVI, o mesmo mundo bravio e agreste que deve ter inflamado a mente dos exploradores portugueses, com seu interior ainda basicamente não explorado e cheio de plantas e animais estranhos e inspiradores de mitos. De lugares assim, naturalistas piedosos enviavam longas epístolas respeitosas aos patronos reais falando das maravilhas do Novo Mundo como um testamento da glória de Deus. E pensei: ainda há tempo de vermos essa terra dessa maneira.

Os mistérios ainda insolúveis da floresta pluvial tropical são informes e sedutores. São como ilhas sem nome escondidas nos espaços vazios dos mapas antigos, como formas obscuras vislumbradas ao se descer a parede extrema de um recife até as profundezas abissais. Eles nos instigam e provocam estranhas apreensões. O desconhecido e o prodigioso são drogas para a imaginação científica, despertando uma fome insaciável depois de um único bocado. Esperamos de coração que nunca venhamos a descobrir tudo. Rezamos para que haja sempre um mundo como esse, em cuja fronteira eu estava sentado na escuridão. A floresta pluvial tropical, com sua riqueza, é um dos últimos repositórios na Terra desse sonho imemorial.

É por isso que continuo voltando para a floresta, desde a primeira vez que voei para Cuba, há quarenta anos, um pós-graduando seduzido pela ideia dos "grandes" trópicos e livre enfim para buscar algo recôndito, como Kipling havia insistido, algo perdido por trás das cordilheiras. As chances são altas, na realidade certas, de encontrarmos uma nova espécie ou fenômeno poucos dias ou, se trabalharmos muito, poucas horas após desembarcarmos. A busca envolve também espécies raras já descobertas mas ainda efetivamente desconhecidas - representadas por um ou dois espécimens colocados numa gaveta de museu há cinquenta ou cem anos, com nada mais que uma nota escrita à mão sobre o local e o hábitat ("Santarém, Brasil, ninho no lado de árvore em igapó"). Desdobramos o papel duro e amarelado pelo tempo, e um biólogo falecido há muito nos fala: eu estive lá, eu encontrei isso, agora você sabe, vá em frente.

O estudo da riqueza biológica envolve mais. Trata-se de um microcosmo da investigação científica como um todo, refratando a experiência prática para um plano mais elevado de abstração. Buscamos um conceito, um padrão, um tema que imponha ordem. Buscamos uma maneira de falar sobre lugares bravios e desconhecidos, mesmo que seja um nome ou uma frase que chame a atenção para nosso objeto de estudo. Esperamos ser os primeiros a estabelecer uma ligação. Nossa meta é compreender e classificar um processo, uma reação química ou padrão de comportamento que provoque mudanças ecológicas, talvez, ou uma nova maneira de catalogar os fluxos de energia, ou uma relação entre presa e predador que sirva para preservar ambos - pode ser praticamente qualquer coisa. Ficaríamos satisfeitos com uma única pergunta que fizesse as pessoas começarem a pensar e indagar: por que há tantas espécies? Por que os mamíferos evoluíram mais depressa que os répteis? Por que os pássaros cantam ao amanhecer?

Esses moradores murmurantes da nossa mente são pressentidos, mas raramente vistos. Farfalham na folhagem, deixam pegadas atrás de si que se enchem de água e de cheiros, excitam-nos por um instante e depois desaparecem. A maioria das ideias são meros devaneios que acabam cedendo lugar a um resíduo emocional. Um cientista de primeiro calibre pode esperar apreender e expressar apenas algumas durante a sua vida. Ninguém ainda aprendeu como inventar, com um mínimo de êxito consistente, equações e frases científicas. Ninguém descobriu ainda a metafórmula da pesquisa científica. A conversão é uma arte, e um golpe de sorte, nas mentes preparadas para recebê-las. Buscamos fora de nós, e dentro de nós, e o valor do que apreendemos de um lado dessa barreira mental é proporcional ao valor do que apreendemos do outro. Foi a respeito dessa qualidade dual que o grande químico Berzelius escreveu em 1818 e para todos os tempos:

Toda a nossa teoria é apenas um meio de conceituar de maneira consistente os processos internos dos fenômenos, e é presumível e apropriada quando todos os fatos conhecidos cientificamente puderem ser deduzidos dela. Este modo de conceituação pode igualmente ser falso e, infelizmente, é de se presumir que o seja com frequência. Mesmo assim, num determinado momento do desenvolvimento da ciência, pode se coadunar tão bem com propósitos quanto uma teoria verdadeira. Amplia-se a experiência, surgem fatos que não condizem com ela, e somos forçados a sair em busca de um novo modo de conceituação que possa acomodar também esses fatos. Dessa maneira, sem dúvida, os modos de conceituação serão alterados de época para época, com o alargamento da experiência, e a verdade completa talvez jamais venha a ser atingida.

A tempestade chegou cobrindo a orla da floresta. De um borrifo de algumas gotas dispersas transformou-se em torrentes de água impelidas por rajadas de vento, obrigando-me a ir buscar refúgio no telhado de zinco dos dormitórios sem paredes. Lá fiquei sentado, esperando, junto com os mateiros. Os homens tiraram a roupa e saíram para debaixo da chuva, ensaboando- se e lavando-se naquele jorro de água, dando risadas e cantando. Num contraponto bizarro, rãs leptodactilídeas começaram uma alta e monótona cantoria no chão da floresta ali perto. Estavam em todo lugar à nossa volta. Mas onde teriam ficado durante o dia? Jamais encontrei uma única rã ao caminhar pela mata nos dias de sol, abrindo caminho pela vegetação e pelos detritos em decomposição, hábitats que seriam supostamente os preferidos delas.

A um ou dois quilômetros dali, um bando de macacos uivadores vermelhos integrou-se ao coro, criando um dos sons mais estranhos da natureza, tão cativante à sua maneira quanto o canto das baleias-de-bossas. Um macho abriu a cantoria com uma série de grunhidos cada vez mais rápidos que foram se expandindo em uivos prolongados, aos quais se juntaram depois os guinchos mais agudos das fêmeas. Da distância que eu estava, abafado pela densa folhagem, o coro completo tinha algo de maquinal: penetrante, monótono, metálico.

Esses cantos de chuva são geralmente avisos de posse territorial, o meio pelo qual os animais ocupam seu espaço e controlam terra suficiente para procurar alimento e procriar. Para mim eram uma celebração da vitalidade da floresta: alegria! As forças da natureza não estão fora do nosso alcance; a tempestade é parte da nossa biologia!

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DIVERSIDADE DA VIDA
AUTOR Edward O. Wilson
EDITORA Companhia de Bolso
QUANTO R$ 27,00 (preço promocional*)

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques.

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