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07/08/2018 - 15h03

Em livro, psicoterapeuta reúne exercícios que aumentam a criatividade

da Livraria da Folha

Divulgação
Livro incentiva o leitor a encarar complicações impostas pela vida
Livro incentiva o leitor a encarar complicações impostas pela vida

Fundada em 2008 como um empreendimento social, a organização The School of Life explora, em aulas e workshops, questões fundamentais da vida, como desenvolver potenciais, encontrar inspiração no trabalho e fazer relacionamentos durarem uma vida inteira. A coleção homônima reúne o conteúdo dos programas resumidos em livros.

O estilo da vida moderna torna difícil se sentir calmo, satisfeito ou aberto a novas experiências. Em "Como Manter a Mente Sã", a escritora e psicoterapeuta Philippa Perry explica como mente humana funciona e apresenta exercícios que aumentam a criatividade e reforçam o senso de perspectiva.

No livro, ela aborda os princípios da auto-observação, relacionamentos, estresse e outras questões importantes na vida contemporânea, incentivando o leitor a encarar os desafios e complicações impostos pela vida.

Leia abaixo um trecho do livro.

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Psicoterapeuta apresenta exercícios que aumentam a criatividade e reforçam o senso de perspectiva
Psicoterapeuta apresenta exercícios que aumentam a criatividade e reforçam o senso de perspectiva

Em Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, o manual que a maioria dos psiquiatras e muitos psicoterapeutas usam para definir os tipos e as nuances de insanidade, você vai encontrar a descrição de inúmeros transtornos de personalidade. Apesar da enorme variedade, e apesar da proliferação de transtornos definidos em edições sucessivas, essas definições estão incluídas em apenas dois grupos principais. Em um grupo estão as pessoas que se perderam no caos e cujas vidas oscilam de crise em crise; no outro, aqueles que se tornam escravos de uma rotina e agem de acordo com um grupo limitado de reações antiquadas e rígidas. Alguns de nós conseguimos pertencer aos dois grupos de uma vez só. Então, qual a solução para o problema de reagir ao mundo de uma maneira demasiadamente rígida, ou de sentir-se tão afetado por ele que existimos em um estado contínuo de caos? Vejo isso como um caminho bastante vasto, com muitas bifurcações e desvios, e nenhum caminho "certo". De tempos em tempos, podemos nos desviar demais para o lado excessivamente rígido, e nos sentirmos presos; poucos de nós, por outro lado, vai passar pela vida sem ocasionalmente ir longe demais para o outro lado e experimentar se sentir caótico e fora de controle. Este livro é sobre como se manter no caminho entre esses dois extremos, como se manter estável e, no entanto, flexível, coerente e, ainda assim, capaz de abraçar a complexidade. Em outras palavras, este livro é sobre como manter a mente sã.

Não posso fazer de conta que existe um conjunto simples de instruções que possa garantir a sanidade. Cada um de nós é o produto de uma combinação diferente de genes e experimentou um conjunto único de relações formativas. Para cada um de nós que precisa assumir o risco de ser mais aberto, há outro que precisa praticar a autossuficiência. Para cada pessoa que precisa aprender a confiar mais, há outra que precisa experimentar mais discernimento. O que me faz feliz pode deixá-lo triste, o que acho útil você pode considerar prejudicial. Instruções específicas sobre como pensar, sentir e se comportar oferecem portanto poucas respostas. Assim, em vez disso, quero sugerir uma maneira de pensar sobre o que acontece em nossos cérebros, como se desenvolveram e continuam a se desenvolver. Acredito que, se soubermos imaginar como nossas mentes se formam, seremos mais capazes de reformar a maneira como vivemos. Essa prática de pensar sobre o cérebro ajudou a mim e alguns de meus clientes a ficar mais no controle de nossas vidas; há uma chance, então, de que possa ajudar você.

Platão compara a alma a uma carruagem sendo puxada por dois cavalos. O cocheiro é a Razão, um cavalo é o Espírito, o outro cavalo é o Apetite. As metáforas que usamos através dos séculos para pensar sobre a mente seguiram mais ou menos esse modelo. Minha abordagem é apenas outra versão, e é influenciada pela neurociência em conjunto com outras abordagens terapêuticas.

Três cérebros em um

Em anos recentes, cientistas desenvolveram uma nova teoria do cérebro. Começaram a entender que ele não é composto de uma única estrutura, mas de três estruturas diferentes, que, ao longo do tempo, passam a operar conjuntamente, porém permanecem distintas.

A primeira dessas estruturas é o tronco cerebral, às vezes referido como cérebro reptiliano. É operacional no nascimento e responsável por nossos reflexos e músculos involuntários, como o coração. Em certos momentos, pode salvar nossas vidas. Quando distraidamente entramos na frente de um ônibus, é nosso tronco cerebral que nos faz saltar para a calçada antes de termos tempo de perceber o que está acontecendo. É o tronco cerebral que nos faz piscar quando dedos movem-se perto de nossos olhos. O tronco cerebral não vai ajudá-lo a resolver um Sudoku, mas em um nível básico, essencial, ele o mantém vivo, permite que você funcione e se mantenha longe de muitos tipos de perigo.

As outras duas estruturas do cérebro são o cérebro mamífero, ou direito, e o neomamífero, ou esquerdo. Embora continuem a se desenvolver ao longo da vida, essas duas estruturas têm maior desenvolvimento nos nossos primeiros cinco anos de vida. Uma célula cerebral individual não trabalha sozinha. Ela precisa se ligar a outras células cerebrais para funcionar. Nosso cérebro se desenvolve conectando células cerebrais individuais para criar vias neurais. A conexão acontece como resultado da interação com outros, então o desenvolvimento do nosso cérebro tem mais a ver com nossos primeiros relacionamentos do que com genética; com alimentação, mais do que com natureza.

Isso significa que muitas das diferenças entre nós podem ser explicadas pelo que regularmente acontecia conosco quando éramos bem pequenos. Nossas experiências na verdade dão forma à nossa massa cefálica. Para citar um caso extremo da lenda, se não nos relacionarmos com outra pessoa nos primeiros anos de vida, mas formos alimentados, por exemplo, por um lobo, nossos padrões comportamentais serão mais lupinos que humanos.

Em nossos primeiros dois anos, o cérebro direito é muito ativo enquanto o esquerdo é quiescente e menos ativo. No entanto, nos anos seguintes, o desenvolvimento muda; o desenvolvimento do cérebro direito fica mais lento e o esquerdo inicia um período de notável atividade. A maneira de nos ligarmos aos outros; como confiamos; quão confortáveis normalmente nos sentimos com nós mesmos; quão rápida ou lentamente conseguimos nos confortar depois de uma chateação, tudo isso tem uma base firme nas vias neurais depositadas no cérebro direito mamífero em nossos primeiros anos de vida. O cérebro direito pode, portanto, ser considerado o assento primário da maior parte de nossas emoções e nossos instintos. É a estrutura que em grande parte simpatiza, se harmoniza e se relaciona com os outros. O cérebro direito não apenas se desenvolve primeiro, como também permanece no controle. Com um olhar, uma fungada, o cérebro direito absorve e faz uma avaliação de qualquer situação. Como o duque de Gloucester diz, em Rei Lear de Shakespeare, quando olha para si mesmo: "Eu o vejo com sentimento."

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COMO MANTER A MENTE SÃ
AUTOR Philippa Perry
EDITORA Editora Objetiva
QUANTO R$ 27,90 (preço promocional*)

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques.

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