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22/10/2014 - 09h02

Oswald de Andrade desejava criar poesia brasileira 'tipo exportação'

da Livraria da Folha

José Oswald de Souza Andrade morreu em 22 de outubro de 1954, na cidade de São Paulo, e deixou em aberto um ciclo de renovação artística. Oswald lançou o "Manifesto da Poesia Pau-Brasil" com o desejo de criar a primeira poesia de exportação brasileira, chamada "poesia pau-brasil".

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ORG XMIT: 532101_0.tif O escritor Oswald de Andrade em foto de 1928. (Divulgação)
O escritor modernista Oswald de Andrade em foto de 1928

Monte sua estante com obras de Oswald de Andrade

Nascido em São Paulo no dia 11 de janeiro de 1890, Oswald de Andrade é um escritor fundamental para se entender a cultura brasileira da primeira metade do século 20. Com 15 anos, o paulista já começa a participar de ajuntes literários. Entre eles, a roda literária de Indalécio Aguiar. Em 1908, conclui os estudos no Colégio São Bento. Forma-se bacharel em humanidades.

Começa a trabalhar como redator e crítico teatral do jornal "Diário Popular". Inicia a faculdade de Direito. Em 1911, ele funda a revista semanal "O Pirralho". Ao lado de Alcântara Machado e Juó Bananère, dirige-a por seis anos. No ano de 1917, defende Anita Malfatti das críticas de Monteiro Lobato em sua coluna no "Jornal do Comércio".

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O grande livro negro que ficava localizado na entrada do apartamento da rua Líbero Badaró
Um livro negro ficava na entrada do apartamento da rua Líbero Badaró

O movimento visava a criação de uma língua brasileira por meio da "contribuição milionária de todos os erros". O grupo Verde-Amarelismo surgiria logo em seguida como reação ao tipo de nacionalismo defendido por Oswald. Alegavam que o movimento do antropófago era "afrancesado".

Revidando o primitivismo da Anta, ex-Verde-Amarelo, Oswald, Tarsila do Amaral e Raul Bopp criam a "Antropofagia", movimento inspirado no quadro "Abaporu" ("antropófago", em tupi), que Tarsila deu para Oswald como presente de aniversário.

Assim como os índios primitivos devoravam seus inimigos, acreditando que poderiam assimilar suas qualidades, os artistas antropófagos propunham a devoração da cultura estrangeira, aproveitando somente as inovações artísticas, sem perder nossa identidade cultural.

Na prosa, o autor estreia em 1922 com o romance "Os Condenados: a Trilogia do Exílio", que incorpora os volumes "Estrela do Absinto" e "Escada Vermelha". Já em "Memórias Sentimentais de João Miramar", de 1924, o modernista fragmenta a obra em 163 capítulos-relâmpago, sem ordem lógica. O livro narra a história de um paulista de família burguesa que trilha por caminhos comuns.

Casa-se com Tarsila do Amaral em 1926. Sofre abalos financeiros com a crise de 29. Um ano depois, separa-se de Tarsila e se casa com a escritora Patrícia Galvão, conhecida como Pagu. Por influência da companheira, ingressa no Partido Comunista onde permanece até 1945.

Desse período são as obras mais significativas de sua carreira, como "Manifesto Antropófago", "Serafim Ponta Grande" e "O Rei da Vela". Debochado, irônico e crítico, seu conceito de "nacionalismo" divergia do defendido pelos românticos e mesmo por certos grupos modernistas, como o Verde-Amarelo e o Anta.

No campo do texto dramático, o escritor destaca-se com a peça "O Rei da Vela" (1933). O texto é um retrato crítico da sociedade brasileira da década de 1930. Em 1967, a peça tomou o palco do Teatro Oficina. A montagem causou repercussão na época.

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Oswald de Andrade, um dos organizadores da Semana de Arte Moderna de 1922, completaria 120 anos hoje (11)
Oswald de Andrade, um dos organizadores da Semana de Arte Moderna de 1922

Texto baseado em informações fornecidas pela editora/distribuidora da obra.

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